Novo recorde na bolsa: o principal indicador da B3 subiu 1,80%, aos 186.242,99 pontos, marcando a primeira vez que a bolsa brasileira fecha acima dos 186 mil pontos (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 18h17.
Última atualização em 9 de fevereiro de 2026 às 18h37.
O Ibovespa ganhou força ao longo do pregão desta segunda-feira, 9, e encerrou o dia em novo recorde de fechamento, impulsionado pelo avanço das ações de maior peso do índice. O principal indicador da B3 subiu 1,80%, aos 186.242,99 pontos, marcando a primeira vez que a bolsa brasileira fecha acima dos 186 mil pontos.
Apesar do desempenho expressivo, o índice não renovou a máxima histórica intradiária de 187.333,83 pontos, registrada em 3 de fevereiro. Ainda assim, superou o recorde anterior de fechamento, de 185.674,43 pontos, alcançado naquela mesma data.
O movimento foi liderado pelas chamadas blue chips, com destaque para o setor bancário e para as grandes exportadoras.
As units do Santander (SANB11) figuraram entre as maiores altas do dia, com avanço de quase 6%, acompanhadas pelas preferenciais do Itaú Unibanco (ITUB4) e pelas ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3).
As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) também tiveram papel relevante na sustentação do índice, beneficiadas pela alta do petróleo no mercado internacional.
Na avaliação de Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o desempenho reflete um ambiente de apetite ao risco global.
Segundo ele, os resultados da eleição no Japão impulsionaram a bolsa local, ao reforçar expectativas de expansão fiscal e cortes de impostos, o que favoreceu mercados acionários ao redor do mundo, apesar dos riscos para a dinâmica das dívidas soberanas globais.
Nesse contexto, o chamado movimento estrutural de rotação global, que direciona recursos para mercados emergentes, ganhou novo fôlego e beneficiou diretamente o Brasil. "O mercado brasileiro também opera apoiado nas boas expectativas para a temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 e pelo discurso moderado de Gabriel Galípolo em evento da ABBC", afirma Perri.
Parte dos bancos, segundo o economista, se recuperaram após uma semana negativa, favorecidos tanto pelo ambiente externo quanto pelo tom prudente e independente de Galípolo, que reforçou o início do ciclo de cortes de juros, mas sinalizou cautela nos próximos passos.
O alívio na ponta curta da curva também ajudou setores sensíveis aos juros, como energia elétrica, saneamento e varejo. A maior alta do dia, por exemplo, ficou com as ações do Magazine Luiza (MGLU3), que anotaram ganho de 7,55%.
A Vale (VALE3) avançou apoiada nas expectativas em torno de seus resultados trimestrais, apesar do minério de ferro seguir em queda na Bolsa de Dalian, na China.
A commodity recuou pela sexta sessão consecutiva, pressionada pelo aumento dos estoques chineses, sinais de demanda mais fraca e pela normalização das operações portuárias na Austrália. O contrato mais líquido, com vencimento em maio, caiu 0,46%, a 761,5 iuanes (US$ 109,89) por tonelada.
Mais cedo, a mineradora chegou a operar pressionada por notícias sobre a interrupção de atividades em Ouro Preto, após decisão da Justiça de Minas Gerais relacionada ao transbordamento de uma barragem no Complexo Minerário de Fábrica.
Para Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, o pregão reforça a busca global por ativos de mercados emergentes.
"Quando você tem Petrobras e Vale subindo forte, o índice acaba sendo puxado como um todo. Há uma realocação global em curso, com casas relevantes falando em mais de 40 bilhões de dólares que podem migrar para emergentes, o que levaria a bolsa brasileira a patamares bem mais elevados", afirma.
O movimento também foi influenciado por novas tensões após reportagem da Bloomberg indicar que reguladores chineses estariam recomendando a bancos do país evitar maior exposição a títulos do Tesouro dos Estados Unidos, o que adicionou volatilidade às taxas e enfraqueceu o dólar globalmente.
Na leitura de Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha, o índice acelerou especialmente no fim do pregão com a intensificação do fluxo estrangeiro. "Petrobras e Vale puxaram forte, o dólar chegou a tocar mínimas próximas de R$ 5,18, e esse fluxo positivo acaba beneficiando as ações mais líquidas, fazendo o índice ganhar tração nos últimos minutos", disse Marcatti.
No câmbio, o dólar recuou frente ao real, com queda de 0,62%, cotado a R$ 5,188. Trata-se do menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando a moeda americana terminou o dia vendida a R$ 5,1534.
Entre os destaques negativos do dia, BTG Pactual (BPAC11) recuou em movimento de realização de lucros após a divulgação de resultados trimestrais robustos.
Já o discurso mais parcimonioso de Galípolo pressionou os juros de longo prazo, impactando ações do setor de incorporação, como Cyrela (CYRE3) e Cury (CURY3). A maior queda do dia ficou com as ações da Hapvida (HAPV3), com queda de 2,72%.