Ibovespa: bolsa recua enquanto investidores acompanham tensão geopolítica. (Germano Lüders/Exame)
Repórter de Invest
Publicado em 8 de julho de 2026 às 10h51.
O Ibovespa cai 0,70%, a 170,8 mil pontos, no início do pregão desta quarta-feira, 8, pressionado pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e pela expectativa em torno da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed). Às 10h50 (horário de Brasília), o dólar comercial caía 0,15%, cotado a R$ 5,1444.
Entre as blue chips, a alta do petróleo sustentava o desempenho das petroleiras. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) subiam 2,45%, enquanto as ordinárias (PETR3) avançavam 2,03%. Na ponta oposta, Vale (VALE3) recuava 3,04%, pressionando o índice.
Entre os bancos, Itaú Unibanco (ITUB4) recuava 0,97%, Bradesco (BBDC4) caía 0,45% e Banco do Brasil (BBAS3) perdia 0,56%. Nas altas, destaque para PetroRecôncavo (RECV3), com ganho de 3,65%, seguida por Ultrapar (UGPA3), que avançava 3,01%, e Natura (NATU3), em alta de 2,73%.
Já entre as maiores quedas, Cury (CURY3) recuava 5,12%, seguida por Cyrela (CYRE3), que caía 4,10%, e Embraer (EMBJ3), com perda de 3,09%.
O sócio e fundador da Ipê Avaliações, Fábio Murad, vê que o mercado iniciou o pregão em modo de proteção, refletindo uma combinação de fatores externos. "O dólar começou o dia na faixa de R$ 5,16 e o Ibovespa abriu aos 172.439 pontos, refletindo uma combinação de choques externos: petróleo em alta, tensão entre Estados Unidos e Irã e risco comercial com a possível taxação de produtos brasileiros pelos EUA."
Para o especialista, a escalada do petróleo amplia o prêmio de risco e favorece a busca por ativos considerados mais seguros. "Quando o petróleo sobe mais de 5% e volta a preocupação com o Estreito de Ormuz, o investidor reduz exposição a emergentes e busca dólar. Isso pressiona o real, mesmo com fundamentos domésticos ainda relativamente favoráveis", disse à EXAME.
No Brasil, o mercado repercutirá, ao longo do dia, o índice de confiança do consumidor, as estatísticas do fluxo cambial do Banco Central e novas pesquisas eleitorais. O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, também presta depoimento à Comissão Mista de Orçamento sobre o cumprimento das metas fiscais do primeiro quadrimestre de 2026.
Além do cenário nacional, os investidores acompanham uma agenda carregada de indicadores econômicos nos EUA, com destaque para a divulgação, à tarde, da ata da última reunião do Fed. O documento é aguardado por investidores em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária americana. Por lá, os investidores também aguardam dados dos estoques semanais de petróleo bruto.
O petróleo dispara hoje após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que o cessar-fogo firmado com o Irã no mês passado chegou ao fim. Washington realizou uma série de ataques contra Teerã em resposta a ofensivas contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz.
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou os ataques americanos como uma grave violação do memorando de entendimento firmado entre os dois países e afirmou que suas forças armadas defenderão a soberania nacional.
Os contratos futuros do petróleo chegaram a subir cerca de 6%, levando o Brent a US$ 78,64 e o West Texas Intermediate (WTI) a US$ 74,83, antes de recuarem para US$ 77,97 e US$ 73,93, respectivamente, próximo das 10h40.
As bolsas de Nova York operam em queda, pressionadas pela escalada das tensões no Oriente Médio após as falas do presidente dos EUA, Donald Trump, contra o Irã. O Dow Jones caía 0,9%, enquanto o S&P 500 recuava 0,6% e o Nasdaq Composite perdia 0,4%.
Entre os destaques positivos, as ações das petroleiras avançavam, com ConocoPhillips e Marathon Petroleum subindo cerca de 2%, enquanto Chevron e Exxon Mobil ganhavam mais de 1%.
Na ponta oposta, o setor de semicondutores seguia pressionado. A Micron Technology caía 3% e acumulava desvalorização de 25% em relação à máxima das últimas 52 semanas. O ETF VanEck Semiconductor (SMH) recuava mais de 1%.
As bolsas europeias aprofundam as perdas devido à escalada dos conflitos entre Estados Unidos e Irã e pelo aumento da aversão ao risco nos mercados globais.
O índice pan-europeu Stoxx 600 caía 1,14%. Entre os principais mercados da região, o DAX, da Alemanha, recuava 1,73%, enquanto o FTSE 100, de Londres, perdia 0,94%. Na França, o CAC 40 caía 1,61%, e, na Itália, o FTSE MIB recuava 0,83%.
O setor de petróleo e gás seguia entre os poucos destaques positivos da sessão, sustentado pela disparada dos preços do Brent e do WTI. Em contrapartida, ações dos segmentos de tecnologia, indústria e consumo lideravam as perdas na região.
As bolsas da Ásia-Pacífico fecharam majoritariamente em queda, refletindo o aumento da aversão ao risco provocado pela escalada dos conflitos no Oriente Médio.
O principal destaque negativo foi a Coreia do Sul, onde o Kospi despencou 5,35%, aos 7.246,79 pontos. Durante a sessão, a Bolsa da Coreia chegou a acionar um mecanismo que suspende temporariamente ordens de venda.
No Japão, o Nikkei 225 caiu 2,11%, enquanto o Topix recuou 1,37%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 encerrou o dia com baixa de 0,21%.
Na contramão da região, o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 3%, impulsionado por compras em ações de tecnologia e consumo. Já o CSI 300, que reúne as principais empresas listadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, recuou 0,77%.