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Guerra do Irã eleva custo de eletrônicos em até 40%, diz Goldman Sachs

Parte desse movimento vem de um ataque iraniano, no começo de abril, ao complexo petroquímico de Jubail na Arábia Saudita

O preço das placas de circuito impresso (PCBs), base de quase todos os eletrônicos, subiu até 40% em abril na comparação com março. (Montagem com elementos Canva)

O preço das placas de circuito impresso (PCBs), base de quase todos os eletrônicos, subiu até 40% em abril na comparação com março. (Montagem com elementos Canva)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 27 de abril de 2026 às 08h40.

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A guerra no Irã já começa a atingir diretamente a indústria global de tecnologia. O preço das placas de circuito impresso (PCBs), base de quase todos os eletrônicos, subiu até 40% em abril na comparação com março.

A falta de matéria-prima, especialmente a resina do tipo PPE de alta pureza, e os problemas de logística têm pressionado o setor, segundo analistas do Goldman Sachs, em informações divulgadas pela Reuters.

O transporte na região do Golfo foi afetado pela guerra. Parte desse movimento vem, também, de um ataque iraniano, no começo de abril, ao complexo petroquímico de Jubail, na Arábia Saudita. A unidade abriga operações da Sabic, uma das maiores petroquímicas do mundo.

Ela é responsável por cerca de 70% da oferta global da resina em falta, um insumo essencial na fabricação dessas placas. Fontes ouvidas pela agência afirmam que a empresa ainda não conseguiu retomar a produção.

Demanda por IA

A procura por servidores de inteligência artificial cresceu forte desde o fim de 2025 e acelerou em março, quando empresas passaram a correr para garantir insumos, de acordo com a Reuters.

Os especialistas do Goldman Sachs relataram que as companhias de nuvem estão aceitando pagar mais caro porque esperam falta de oferta nos próximos anos, apoiando o movimento de alta dos PCBs.

O cobre, por exemplo, já subiu até 30% em 2026, com avanço mais forte a partir de março, conforme fontes do setor. Esse metal representa cerca de 60% do custo das matérias-primas usadas nas placas.

Empresas e preços

Um executivo da sul-coreana Daeduck Electronics disse à Reuters que a companhia iniciou conversas com clientes para reajustar preços, a fim de garantir insumos, já que o prazo de entrega de materiais químicos aumentou.

A entrega desses materiais químicos, que antes era de três semanas, passou para 15 semanas.

Esse aumento de custos tende a se espalhar por toda a cadeia, visto que a Daeduck fornece para empresas como Samsung, SK Hynix e AMD, possivelmente impactando fabricantes de chips e equipamentos.

Placas mais simples custam cerca de 1.394 yuans (US$ 204) por metro quadrado (m²), enquanto modelos mais avançados, usados em servidores de IA, chegam a 13.475 yuans por m², detalhou a Victory Giant Technology.

Crescimento sob pressão

Mesmo com esses desafios, o setor segue em expansão, ao que indicam fontes à Reuters. A indústria global de PCBs deve crescer 12,5% em 2026, chegando a US$ 95,8 bilhões, adicionou a Prismark.

Uma possível reabertura do Estreito de Ormuz pode ajudar, ainda, a aliviar parte dos problemas logísticos. Todavia, a combinação de guerra e demanda forte por tecnologia continua puxando os custos para cima.

Rota estratégica

Além disso, o Irã apresentou aos Estados Unidos uma proposta para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar o conflito, de acordo com informações divulgadas pela Axios, deixando as negociações nucleares para depois.

A ideia é priorizar a retomada da principal rota de transporte de petróleo e mercadorias da região, responsável por um quarto do escoamento da commodity pelo mundo, o que geraria alívio na economia global.

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