Tesouro IPCA+: é possível encontrar títulos pagando até 8% de juros reais (Imagem gerada com IA)
Repórter de finanças
Publicado em 12 de agosto de 2026 às 06h03.
Última atualização em 31 de agosto de 2026 às 16h17.
Investir no Tesouro IPCA+ é uma ótima estratégia para quem busca preservação de patrimônio perante a inflação, afirmam especialistas. Quem fica com o título até o vencimento colhe o IPCA acumulado do período mais o juro real contratado — que, a dependender do momento, pode estar pagando altas taxas.
Neste sábado, 15, duas séries de títulos públicos vencem, liberando R$ 260 bilhões na economia. Agora, o investidor se depara com uma nova decisão: o que fazer com o dinheiro?
O cenário não é o mesmo de dez anos atrás. A Selic está em 14% ao ano, o IPCA acumula 4,64% em 12 meses e os novos Tesouro IPCA+ oferecem taxas reais de aproximadamente 7% a mais de 8% ao ano, dependendo do vencimento. É um patamar considerado raro historicamente.
Para quem carregou esses papéis por anos, a chegada dos recursos vem acompanhada de um resultado expressivo: entre 2016 e a primeira semana de agosto de 2026, os dois títulos acumulavam retornos de 255,9% e 234,3%, respectivamente, enquanto o CDI havia rendido 164,2% no mesmo período, um excesso de retorno entre 70 e 92 pontos percentuais sobre o benchmark segundo uma análise do Inter Invest.
“Diferentemente de um investimento pós-fixado que acompanha apenas a Selic, o Tesouro IPCA+ remunera o investidor com uma taxa fixa acima da inflação. Ou seja, ele garante um ganho real independentemente do comportamento dos preços ao longo do tempo. Por isso consegue superar o CDI”, diz Gustavo Assis, CEO da Asset.
Quem vendeu o título antes, entretanto, pode ter tido prejuízos. “Uma das características dos títulos indexados à inflação é a volatilidade de marcação a mercado ao longo do caminho, especialmente sensível a mudanças na percepção de risco fiscal e na trajetória de juros reais. Contudo, quem manteve o título até o vencimento colheu o prêmio de risco de forma consistente e superou com folga as alternativas pós-fixadas”, afirma Rafael Winalda, quem assina o relatório.
Marcação a mercado é, basicamente, a atualização diária do preço de um título de acordo com quanto o mercado está disposto a pagar por ele naquele momento.
Se um investidor contratou o título em um momento de estresse do mercado, pode ter encontrado juros reais elevados. Caso as expectativas melhores e a Selic caia, esses títulos comprados com taxas altas terá valorização — e o inverso também acontece.
“O principal erro é comprar um Tesouro IPCA+ com objetivo de longo prazo e resgatar no meio do caminho sem avaliar o ciclo de juros. Um investidor que vendeu durante momentos de abertura das curvas, por exemplo, pode ter saído justamente antes da recuperação do preço do ativo. Por isso, a escolha do prazo é tão importante quanto a escolha do título”, pontua Assis.
Diante do vencimento, surge a questão estratégica sobre o direcionamento desses recursos: reinvestir em novos títulos IPCA+ e travar o prêmio de juro real atual, ou buscar alternativas de investimento com melhor relação risco-retorno no cenário macroeconômico vigente. Novamente, os juros reais pagos por esses títulos estão em patamares não vistsos desde a crise de 2008.
Winalda enfatiza que o patamar atual está descolado da média história da série. "É justamente esse tipo de janela que justifica reforçar a posição em IPCA+ no momento do reinvestimento, em vez de simplesmente rolar os recursos para pós-fixado”, comenta. Entretanto, tudo depende do objetivo da carteira e do prazo.
Segundo Assis, o Tesouro IPCA+ continua sendo uma alternativa interessante para quem busca preservação de patrimônio no longo prazo. Para aposentadoria ou objetivos superiores a cinco anos, como educação dos filhos, faz sentido avaliar novamente títulos indexados à inflação, ocmo 2032, 2040 e 2050.
“Para quem tem horizonte mais curto ou prioriza liquidez, o Tesouro Selic segue como uma opção sólida, ainda pagando um retorno nominal elevado frente à média histórica”, diz Winalda.
Assis pondera, contudo, que mesmo sendo um dos investimentos mais seguros do mercado, não significa, necessariamente, um investimento sem risco. “O risco do Tesouro IPCA+ não está no pagamento pelo governo, mas principalmente na volatilidade antes do vencimento”, explica.
De acordo com o especialista, um título pagando IPCA + 6% ao ano pode parecer muito atrativo, mas se o cenário fiscal piorar e o mercado passar a exigir IPCA + 7%, o preço desse título cai no curto prazo. “Para quem pretende carregar até o vencimento, essa oscilação é secundária; para quem pode precisar vender antes, ela é relevante.”