Inteligência Artificial

Empresas de IA trocam assinatura por cobrança por resultado e mudam mercado de software

Companhias de software como HubSpot, Atlassian e outras adotam formato de cobrança a cada resultado enviado por inteligências artificiais

IA: empresas de software mudam estratégia de cobrança para manter negócio lucrativo (Getty Images)

IA: empresas de software mudam estratégia de cobrança para manter negócio lucrativo (Getty Images)

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 27 de abril de 2026 às 09h55.

Empresas de software de inteligência artificial começaram a adotar de forma veloz a precificação a partir do trabalho entregue. A americana HubSpot é uma das que aderiu à tendência: a empresa que desenvolve sistemas para setores como marketing começou a vender uso de sua IA a partir de resultados. Conforme apontado pelo analista Kyle Poyar, a nova estratégia faz com que os preços da HubSpot sejam 50% menores do que o concorrente Fin.

Assim, a empresa usou a reprecificação como arma estratégica para superar o rival em atendimento priorizado por IA, não apenas uma forma de se adaptar ao novo modelo de negócios do mercado. O gatilho para a mudança com foco em resultado imediato foi a chegada agressiva dos agentes de IA. Eles consistem em sistemas capazes de executar tarefas inteiras sem intervenção humana. Se um agente faz o trabalho de dez pessoas, cobrar por uma taxa fixa começa a não fazer sentido.

"As empresas estão cada vez mais posicionando seus fluxos de trabalho de IA como a venda de uma unidade de trabalho ou uma unidade de produtividade, o que lhes permite acessar contratos de maior porte e novas verbas orçamentárias", disse a Goldman Sachs em um relatório publicado no início de abril.

Empresas veem vantagem em abandonar assinaturas

A Atlassian migrou para o mesmo formato de cobrança em decorrência do aumento dos custos operacionais de IA. A ideia de manter os produtos como serviços cobrados mensalmente é mais vantajosa para empresas que se orientam financeiramente pelo sucesso das ferramentas. O movimento é amplo e envolve empresas de perfis muito diferentes, desde startups de automação a fabricantes de modelos de linguagem.

Ao mesmo tempo, a ServiceNow compartilhou que a cobrança por resultado já é a estratégia escolhida por 50% do seu público consumidor. Em uma mudança controversa, a Anthropic também optou reduzir os tokens disponíveis nas cobranças mensais do Claude para priorizar a venda por uso. Mas talvez a empresa que mais chamou a atenção por adotar a estratégia de cobrança por resultado tenha sido a alemã SAP, que tinha como foco a venda de contratos de longa duração ao mundo corporativo.

Como ressaltou Poar, a velocidade das mudanças surpreende até quem acompanha o setor de perto. O que parecia uma tendência para os próximos dois ou três anos está se materializando de forma simultânea em empresas de portes e históricos completamente diferentes. O mercado, entretanto, ainda não encontrou um padrão para a cobrança por resultado e estuda possibilidades entre migração completa ou estratégias híbridas de cobrança.

Para as empresas que compram software, o cenário pode ser vantajoso. Pagar pelo que se usa, em vez de acumular licenças subutilizadas, tende a reduzir custos em implantações menores. Por outro lado, em casos de uso intenso de IA, a conta pode surpreender e a previsibilidade financeira, antes garantida pelos contratos com taxa fixa, passa a ser um desafio de gestão.

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