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Liderança: o impacto de um líder depende da forma como ele apoia e se conecta com as pessoas ao redor. (Pexels)
Redatora
Publicado em 12 de agosto de 2026 às 06h03.
Uma nova cadeira vem ganhando espaço nos organogramas de empresas que passaram a incorporar inteligência artificial às operações: a de Chief AI Officer (CAIO). O cargo coloca um executivo no comando das decisões relacionadas à tecnologia, desde a escolha de ferramentas até a definição de prioridades, investimentos e regras para seu uso.
A posição ainda não tem um escopo padronizado. Dependendo da empresa, o profissional pode responder diretamente à presidência, trabalhar próximo ao CIO ou dividir responsabilidades com áreas de tecnologia, dados, segurança e inovação.
A missão central, porém, costuma ser semelhante: transformar o uso da IA em uma estratégia coordenada para o negócio.
O CAIO precisa entender onde a inteligência artificial pode gerar valor e quais projetos merecem investimento. Para isso, acompanha oportunidades de automação, analisa processos internos e ajuda a definir quais soluções devem ser desenvolvidas ou contratadas.
A atuação também envolve estabelecer critérios para adoção da tecnologia. Privacidade, segurança, qualidade dos dados, riscos e conformidade entram nessa avaliação, principalmente quando os sistemas lidam com informações de clientes ou decisões relevantes para a empresa.
Outro desafio é acompanhar os resultados. Depois que uma solução é implementada, cabe à liderança avaliar se ela realmente reduziu custos, aumentou produtividade, melhorou a experiência do cliente ou trouxe outro ganho mensurável.
O profissional não precisa necessariamente ser programador ou desenvolver modelos de inteligência artificial do zero. Precisa, contudo, compreender como essas tecnologias funcionam, quais são suas limitações e que tipo de infraestrutura e dados elas exigem.
Conhecimentos sobre modelos de linguagem, aprendizado de máquina, análise de dados e automação ajudam o executivo a conversar com equipes técnicas e avaliar propostas com mais propriedade. A capacidade de traduzir conceitos tecnológicos para objetivos de negócio também é essencial.
A cadeira exige uma combinação pouco comum de habilidades. Entre elas está a visão estratégica, necessária para identificar aplicações da IA que façam sentido para os objetivos da companhia.
A capacidade analítica também pesa. O CAIO precisa comparar alternativas, interpretar indicadores e medir o retorno dos projetos antes de ampliar investimentos.
Já a liderança ganha importância porque a implementação da tecnologia costuma alterar processos e funções de diferentes departamentos. Cabe ao executivo coordenar equipes, negociar prioridades e conduzir a adaptação dos funcionários.
Conhecimentos sobre ética, governança e gestão de riscos completam o perfil. Uma decisão equivocada envolvendo dados, segurança ou uso inadequado de um sistema pode gerar consequências financeiras e reputacionais para a companhia.
Não existe uma formação única para se tornar Chief AI Officer. Profissionais vindos de tecnologia, dados, produto, inovação, estratégia e negócios podem construir uma trajetória até o cargo.
Experiência em projetos de inteligência artificial ajuda, mas a senioridade também é relevante. Como o CAIO participa de decisões que envolvem orçamento, estratégia e diferentes áreas da organização, capacidade de liderança e experiência em gestão tendem a pesar tanto quanto o domínio técnico.
A tendência é que a função continue sendo adaptada pelas empresas conforme elas definem o lugar da inteligência artificial em suas operações. Para quem pretende ocupar essa cadeira, portanto, acompanhar a evolução tecnológica é apenas uma parte do caminho: também é preciso aprender a transformar essa tecnologia em decisões que façam sentido para o negócio.