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Focus, inflação nos EUA e discursos do Fed: o que move os mercados

Os balanços de BB Seguridade, BTG e Motiva e Galípolo em evento da ABBC também concentram as atenções do mercado nesta segunda, 9

Agenda do mercado: no Brasil, o principal destaque da manhã é o Boletim Focus, que será divulgado às 8h25 pelo Banco Central (Smith Collection/Gado/Getty Images)

Agenda do mercado: no Brasil, o principal destaque da manhã é o Boletim Focus, que será divulgado às 8h25 pelo Banco Central (Smith Collection/Gado/Getty Images)

Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 05h30.

Os mercados iniciam esta segunda-feira, 9, com os investidores atentos a uma agenda carregada de indicadores macroeconômicos, balanços corporativos e falas de autoridades, em uma semana que antecede o Carnaval e concentra eventos relevantes tanto no Brasil quanto no exterior. Depois de um pregão positivo na sexta, 6, a dúvida agora é se o fôlego recente da bolsa se sustenta diante dos dados e compromissos no radar.

No Brasil, o principal destaque da manhã é o Boletim Focus, que será divulgado às 8h25 pelo Banco Central.

O último relatório trouxe mais um sinal marginalmente mais favorável para a inflação. A projeção do IPCA para 2026 foi reduzida de 4,00% para 3,99%, enquanto as expectativas para 2027 permaneceram em 3,80% e, para 2028 e 2029, em 3,50%. As estimativas para o crescimento do PIB seguiram estáveis, com o mercado projetando expansão de 1,80% em 2026 e 2027 e de 2,00% em 2028 e 2029.

As expectativas para a Selic também não sofreram alterações. Para 2026, os analistas mantiveram a projeção em 12,25%; para 2027, em 10,50%; para 2028, em 10%; e, para 2029, em 9,50%. No câmbio, houve ajustes pontuais: a estimativa para o dólar em 2026 permaneceu em R$ 5,50, enquanto a projeção para 2027 caiu de R$ 5,51 para R$ 5,20. Para 2028, a expectativa ficou em R$ 5,52, e, para 2029, recuou levemente de R$ 5,58 para R$ 5,57.

Ainda na agenda doméstica, às 15h, a Secretaria de Comércio Exterior divulga os dados da balança comercial semanal, com números até o dia 6 de fevereiro, indicador acompanhado de perto para avaliar o desempenho do setor externo no início do ano.

No exterior, o foco dos investidores se volta para os Estados Unidos. Às 13h, o Federal Reserve de Nova York divulga as expectativas de inflação do consumidor de janeiro, dado relevante para a leitura do comportamento dos preços sob a ótica das famílias.

Mais tarde, às 17h15, o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, discursa em evento, o que pode trazer sinais adicionais sobre a avaliação da autoridade monetária em relação à inflação e à atividade econômica.

No Reino Unido, o índice de vendas no varejo da BRC, às 21h01, completa a agenda internacional do dia.

Já na Ásia, o mercado deve repercutir as eleições gerais antecipadas pela primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, para este domingo, 8. O Partido Liberal Democrático (PLD), sigla de Takaichi, conquistaram a maioria

Balanços e Galípolo no radar

No noticiário corporativo, a temporada de balanços segue no radar. Nesta segunda, divulgam resultados BB Seguridade, BTG Pactual e Motiva, números que podem influenciar o desempenho do Ibovespa, especialmente após uma semana em que os resultados de bancos tiveram papel relevante na formação do índice.

As falas de autoridades também ganham destaque. Pela manhã, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa de palestra no evento Estabilidade Financeira e Perspectivas para 2026 e 2027, promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo.

Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em compromissos oficiais ao longo do dia, incluindo visita ao Instituto Butantan e eventos com anúncios de investimentos do governo federal.

Como foi o último pregão

O pano de fundo para o início da semana é um mercado que vem de recuperação. Na sexta, o Ibovespa encerrou em alta de 0,45%, aos 182.955 pontos, em um pregão marcado por volatilidade e ausência de direção clara no início do dia, mas com melhora ao longo da sessão. Com isso, o índice acumulou ganho de 0,9% na semana.

Segundo Christian Iarussi, economista e sócio da The Hill Capital, o movimento foi impulsionado por uma recuperação técnica e por maior foco nos resultados corporativos.

No exterior, o tom também foi positivo. As bolsas de Nova York fecharam a sexta-feira em forte alta, com o Dow Jones superando pela primeira vez os 50 mil pontos, impulsionado pelo rali das ações ligadas a semicondutores e pela renovada aposta dos investidores em gastos com inteligência artificial.

Apesar da recuperação, o desempenho semanal foi misto, com o Dow Jones avançando, enquanto S&P 500 e Nasdaq acumularam perdas.

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