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Empresa de telemedicina desiste de versão alternativa do Wegovy nos EUA

Medicamento seria vendido por US$ 49, mas enfrentou resistência de concorrentes e da Anvisa americana

11 July 2024, Berlin: The "Wegovy" brand slimming syringe is sold in the Achat pharmacy in Mitte. The "Wegovy" slimming syringe has been available in Germany for a year. Photo: Jens Kalaene/dpa (Photo by Jens Kalaene/picture alliance via Getty Images) (picture alliance/Getty Images)

11 July 2024, Berlin: The "Wegovy" brand slimming syringe is sold in the Achat pharmacy in Mitte. The "Wegovy" slimming syringe has been available in Germany for a year. Photo: Jens Kalaene/dpa (Photo by Jens Kalaene/picture alliance via Getty Images) (picture alliance/Getty Images)

Publicado em 8 de fevereiro de 2026 às 10h43.

A empresa de telemedicina Hims & Hers anunciou que vai retirar do mercado a versão manipulada de um comprimido para emagrecimento inspirado no Wegovy, da farmacêutica Novo Nordisk. A decisão ocorre poucos dias após o lançamento do produto e em meio a ameaças de ações judiciais e pressão de reguladores federais dos Estados Unidos.

A suspensão foi comunicada pela empresa nas redes sociais. A Hims & Hers disse que continuará focada em oferecer tratamentos considerados seguros e acessíveis a seus clientes.

O comprimido da companhia continha semaglutida, o mesmo princípio ativo do Wegovy, e havia sido anunciado como uma alternativa mais barata ao medicamento original, custando US$ 49.

A reação dos concorrentes foi rápida. A Novo Nordisk acusou a Hims de produzir em larga escala uma cópia ilegal de seu remédio e informou que pretendia adotar medidas legais e regulatórias. Na sequência, a agência reguladora americana, a FDA, declarou que avaliava ações para restringir o acesso da empresa aos ingredientes usados em versões manipuladas de remédios à base de GLP-1 e que poderia encaminhar o caso ao Departamento de Justiça.

Ex-dirigentes da FDA e executivos da Novo Nordisk afirmaram que a versão original utiliza uma tecnologia específica para garantir a absorção do medicamento pelo organismo — recurso que não estaria presente na alternativa oferecida pela Hims & Hers. A empresa, por sua vez, disse que empregaria outro método para facilitar a absorção, mas não apresentou estudos clínicos públicos que comprovassem os resultados.

O episódio ocorre em um momento de forte demanda por medicamentos para obesidade. A versão em comprimido do Wegovy, lançada no início do ano, ampliou o acesso a um tratamento que antes era majoritariamente injetável. Milhares de consumidores já compraram o produto, pagando do próprio bolso. O interesse crescente ajudou a impulsionar um mercado bilionário e atraiu empresas que atuam com manipulação de medicamentos, prática permitida em situações específicas, como escassez de oferta.

Nos últimos meses, porém, a FDA indicou que os remédios de referência deixaram de estar em falta, o que deveria encerrar a produção de cópias manipuladas. Parte do setor passou a explorar brechas regulatórias, ajustando fórmulas ou dosagens para manter as vendas.

A controvérsia surge às vésperas do Super Bowl, quando a Hims planeja exibir um novo comercial nacional. A peça publicitária aborda desigualdade no acesso à saúde e deve promover os serviços da empresa, embora não inclua o comprimido que foi retirado. A Novo Nordisk também prepara uma campanha para divulgar seu medicamento aprovado. O embate evidencia a disputa crescente por um dos segmentos mais lucrativos da indústria farmacêutica atual.

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