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Euro volta a valer menos do que US$ 1 após disparada dos preços do gás

O euro já tinha caído para abaixo da paridade com o dólar americano em julho, mas conseguiu recuperar

Sede do Banco Central Europeu em Frankfurt, Alemanha (Daniel Roland/AFP/AFP)

Sede do Banco Central Europeu em Frankfurt, Alemanha (Daniel Roland/AFP/AFP)

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Carlo Cauti

22 de agosto de 2022, 17h07

O câmbio entre euro e dólar voltou a cair nesta segunda-feira, 22, com a moeda americana que ganha força sobre a da União Europeia após uma nova disparada dos preços do gás natural.

Às 14h45 no horário de Brasília,  US$ 1 valia € 1,01, alta de mais de 1%, nível mais alto para o câmbio em duas décadas.

O euro já tinha caído para a abaixo da paridade com o dólar americano em julho, mas conseguiu recuperar.

A queda mais recente reflete tanto as preocupações com a crise energética na Europa quanto uma ampla alta do dólar turbinada pelas expectativas de que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA, aumente as taxas de juro muito mais agressivamente do que o Banco Central Europeu (BCE).

Alta do gás na Europa derruba o câmbio entre euro e dólar

A queda do euro ocorreu após o preço de referência do gás natural na Europa, costado na Bolsa de Valores de Amsterdã (TTF), subiu mais de 10%, chegando para um máximo de € 292,50 (cerca de R$ 1,5 mil) por megawatt-hora.

Ao longo do pregão esse preço caiu para 244,55 euros (cerca de R$ 1,2 mil), fechando no patamar mais elevado de sempre.

Os preços do gás cotados na TTF superam mais de 14 vezes a média da última década, e já estão prejudicando a capacidade de produção industrial na Europa continental. O risco é que essa alta prolongada dos preços do combustível — principal fonte de energia da Europa — possa levar a região para uma recessão.

Além disso, temores generalizados de escassez neste inverno levaram os compradores de gás a tentar estocar o hidrocarboneto, elevando a demanda, e assim os preços, mesmo com o aumento dos temores de uma dura desaceleração econômica.

Esse aumento nos preços do gás foi desencadeado por um anúncio da estatal energética russa Gazprom na última sexta-feira, indicando uma manutenção no início do próximo mês do gasoduto Nord Stream 1, que conecta o país com a Alemanha.

A Gazprom já reduziu a capacidade na infraestrutura para apenas 20% da capacidade de transporte de gás, provocando uma alta que dobrou os preços do gás na Europa desde o mês passado.

As autoridades europeias acusam Moscou de estar utilizando o fornecimento de gás como um instrumento de chantagem contra a Europa após as sanções decretadas após a invasão da Ucrânia.

Há temores de que qualquer manutenção possa ser usada como pretexto para um desligamento prolongado do gasoduto. Moscou culpa os ocidentais pela redução da capacidade de transporte de gás, pois as sanções teriam interrompido seu cronograma normal de manutenção.