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Ancelotti aposta em folgas e ambiente leve para conduzir o Brasil na Copa do Mundo

Seleção terá dinâmica diferente da adotada no ciclo de Tite durante o Mundial

Ancelotti: Treinador terá sua primeira experiência como técnico na Copa do Mundo ((Foto de Buda Mendes/Getty Images))

Ancelotti: Treinador terá sua primeira experiência como técnico na Copa do Mundo ((Foto de Buda Mendes/Getty Images))

Gabriella Brizotti
Gabriella Brizotti

Colaboradora

Publicado em 21 de maio de 2026 às 06h33.

Carlo Ancelotti vai implementar uma dinâmica diferente na seleção brasileira durante a Copa do Mundo de 2026. Ao contrário dos últimos Mundiais, o treinador italiano adotará uma política mais flexível para o elenco e permitirá momentos de folga fora da concentração para que os jogadores possam encontrar familiares e amigos.

O plano prevê que, após as partidas, os atletas façam uma atividade de recuperação no dia seguinte e, depois disso, sejam liberados por um período. A condição é clara: responsabilidade, cautela e nada de excessos.

“Já temos as folgas definidas. Vamos ter momentos livres depois dos jogos. Passar um tempo com a família também é muito importante. Será um período longo longe de casa, mas muito significativo para a vida de cada um. Todos terão de fazer sacrifícios”, afirmou Ancelotti ao UOL.

Saúde mental pesa na decisão

Um dos fatores que motivaram a escolha do treinador é justamente a preocupação com o lado psicológico do grupo.

Caso o Brasil alcance a final, marcada para 19 de julho, a delegação poderá acumular até 53 dias de trabalho desde a apresentação inicial. O grupo começa a se reunir em 27 de maio, embora nem todos os convocados estejam disponíveis desde o primeiro dia.

Marquinhos, Gabriel Magalhães e Gabriel Martinelli, por exemplo, ainda disputam a final da Champions League e só se juntarão ao elenco em solo norte-americano, já no mês de junho.

Conhecido ao longo da carreira pela capacidade de administrar vestiários, Ancelotti vê os momentos de descanso como parte do equilíbrio físico e emocional necessário em uma competição longa.

Ambiente é prioridade para Ancelotti

Mais do que a preparação em campo, o italiano coloca a convivência interna como um dos pilares para uma campanha forte no Mundial.

Quando existe harmonia, tudo fica mais fácil. O ambiente é fundamental para o sucesso de qualquer seleção em uma Copa do Mundo. A CBF está muito focada em construir um cenário positivo para passarmos esse período juntos”, explicou.

Segundo o treinador, a meta é criar um ambiente organizado, com regras claras, boa comunicação e sentimento de pertencimento para todos os envolvidos.

“Precisamos construir um ambiente limpo, sem conflitos, com funções bem definidas. Todos precisam se sentir importantes, não apenas os jogadores, mas também toda a comissão técnica. Estamos trabalhando nisso. Encontramos um bom centro de treinamento, um hotel adequado, uma cidade ideal. Esses detalhes contam muito”, completou.

Diferença em relação ao ciclo de Tite

A postura adotada por Ancelotti representa uma mudança em comparação ao modelo usado pela Seleção na Copa de 2022.

Sob comando de Tite, o regime na concentração era mais rígido. Durante o Mundial do Catar, os jogadores tiveram poucas horas de folga após a vitória sobre a Suíça, ainda na fase de grupos. A liberação aconteceu depois do jantar, mas o grupo precisou retornar ao hotel para pernoitar normalmente.

Apesar da flexibilização prevista para 2026, uma regra permanece inalterada: familiares continuam proibidos na concentração oficial da seleção brasileira, seguindo diretrizes mantidas pela CBF nas últimas edições do torneio.

Base fixa nos Estados Unidos

Durante a Copa, a delegação brasileira ficará instalada em Basking Ridge, cidade localizada a aproximadamente 55 quilômetros do MetLife Stadium, palco da estreia diante do Marrocos, no dia 13 de junho, e também da final do torneio.

A ideia é manter uma base fixa durante toda a competição, realizando deslocamentos apenas para os jogos e retornando ao local após cada compromisso.

Primeira Copa de Ancelotti como técnico

Contratado pela Seleção em maio do ano passado, Carlo Ancelotti viverá sua primeira Copa do Mundo como treinador principal.

O italiano, porém, conhece bem o ambiente do torneio. Como jogador, participou das edições de 1986 e 1990 pela Itália. Em 1994, integrou a comissão técnica da Azzurra como auxiliar.

Neste início de trajetória à frente do Brasil, uma das coisas que mais chamou atenção do treinador foi justamente o ambiente interno encontrado na Seleção.

“O que encontrei aqui foi um ambiente de trabalho muito positivo. Gostei muito disso. Todos falam o mesmo idioma, compartilham a mesma cultura. Nos clubes normalmente não é assim. Quando você tem essa união, o trabalho se torna mais simples. Os jogadores convivem, conversam, brincam juntos. Em um clube, construir esse nível de harmonia costuma ser muito mais difícil”, concluiu.

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