Ancelotti: Treinador terá sua primeira experiência como técnico na Copa do Mundo ((Foto de Buda Mendes/Getty Images))
Colaboradora
Publicado em 21 de maio de 2026 às 06h33.
Carlo Ancelotti vai implementar uma dinâmica diferente na seleção brasileira durante a Copa do Mundo de 2026. Ao contrário dos últimos Mundiais, o treinador italiano adotará uma política mais flexível para o elenco e permitirá momentos de folga fora da concentração para que os jogadores possam encontrar familiares e amigos.
O plano prevê que, após as partidas, os atletas façam uma atividade de recuperação no dia seguinte e, depois disso, sejam liberados por um período. A condição é clara: responsabilidade, cautela e nada de excessos.
“Já temos as folgas definidas. Vamos ter momentos livres depois dos jogos. Passar um tempo com a família também é muito importante. Será um período longo longe de casa, mas muito significativo para a vida de cada um. Todos terão de fazer sacrifícios”, afirmou Ancelotti ao UOL.
Um dos fatores que motivaram a escolha do treinador é justamente a preocupação com o lado psicológico do grupo.
Caso o Brasil alcance a final, marcada para 19 de julho, a delegação poderá acumular até 53 dias de trabalho desde a apresentação inicial. O grupo começa a se reunir em 27 de maio, embora nem todos os convocados estejam disponíveis desde o primeiro dia.
Marquinhos, Gabriel Magalhães e Gabriel Martinelli, por exemplo, ainda disputam a final da Champions League e só se juntarão ao elenco em solo norte-americano, já no mês de junho.
Conhecido ao longo da carreira pela capacidade de administrar vestiários, Ancelotti vê os momentos de descanso como parte do equilíbrio físico e emocional necessário em uma competição longa.
Mais do que a preparação em campo, o italiano coloca a convivência interna como um dos pilares para uma campanha forte no Mundial.
“Quando existe harmonia, tudo fica mais fácil. O ambiente é fundamental para o sucesso de qualquer seleção em uma Copa do Mundo. A CBF está muito focada em construir um cenário positivo para passarmos esse período juntos”, explicou.
Segundo o treinador, a meta é criar um ambiente organizado, com regras claras, boa comunicação e sentimento de pertencimento para todos os envolvidos.
“Precisamos construir um ambiente limpo, sem conflitos, com funções bem definidas. Todos precisam se sentir importantes, não apenas os jogadores, mas também toda a comissão técnica. Estamos trabalhando nisso. Encontramos um bom centro de treinamento, um hotel adequado, uma cidade ideal. Esses detalhes contam muito”, completou.
A postura adotada por Ancelotti representa uma mudança em comparação ao modelo usado pela Seleção na Copa de 2022.
Sob comando de Tite, o regime na concentração era mais rígido. Durante o Mundial do Catar, os jogadores tiveram poucas horas de folga após a vitória sobre a Suíça, ainda na fase de grupos. A liberação aconteceu depois do jantar, mas o grupo precisou retornar ao hotel para pernoitar normalmente.
Apesar da flexibilização prevista para 2026, uma regra permanece inalterada: familiares continuam proibidos na concentração oficial da seleção brasileira, seguindo diretrizes mantidas pela CBF nas últimas edições do torneio.
Durante a Copa, a delegação brasileira ficará instalada em Basking Ridge, cidade localizada a aproximadamente 55 quilômetros do MetLife Stadium, palco da estreia diante do Marrocos, no dia 13 de junho, e também da final do torneio.
A ideia é manter uma base fixa durante toda a competição, realizando deslocamentos apenas para os jogos e retornando ao local após cada compromisso.
Contratado pela Seleção em maio do ano passado, Carlo Ancelotti viverá sua primeira Copa do Mundo como treinador principal.
O italiano, porém, conhece bem o ambiente do torneio. Como jogador, participou das edições de 1986 e 1990 pela Itália. Em 1994, integrou a comissão técnica da Azzurra como auxiliar.
Neste início de trajetória à frente do Brasil, uma das coisas que mais chamou atenção do treinador foi justamente o ambiente interno encontrado na Seleção.
“O que encontrei aqui foi um ambiente de trabalho muito positivo. Gostei muito disso. Todos falam o mesmo idioma, compartilham a mesma cultura. Nos clubes normalmente não é assim. Quando você tem essa união, o trabalho se torna mais simples. Os jogadores convivem, conversam, brincam juntos. Em um clube, construir esse nível de harmonia costuma ser muito mais difícil”, concluiu.