No radar do mercado: pano de fundo para esta quinta-feira segue sendo o forte desempenho recente do mercado acionário brasileiro (AFP)
Repórter
Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 05h30.
Os mercados entram nesta quinta-feira, 29, após o segundo pregão consecutivo de recordes na bolsa brasileira na "super quarta", com atenção voltada para indicadores macroeconômicos e balanços de empresas ao longo do dia.
Logo cedo, o radar dos investidores se volta para a Europa. Às 7h, a Comissão Europeia divulga o dado final do índice de confiança do consumidor de janeiro. Em dezembro, o indicador havia registrado uma queda de 13,1 pontos, e a expectativa do mercado é de uma retração menor nesta leitura, para 12,4 pontos.
No Brasil, a agenda começa às 8h com a divulgação do IGP-M de janeiro pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), indicador acompanhado de perto por seu impacto sobre contratos e aluguéis. No mês anterior, o índice havia registrado variação negativa de 0,01%. No mesmo horário, a FGV também publica a Sondagem da Indústria, que oferece pistas sobre o nível de confiança e as expectativas do setor produtivo.
Às 8h30, o Banco Central divulga os dados de crédito bancário de dezembro. Em novembro, o saldo de empréstimos havia avançado 0,9%, e o número será observado para avaliar os efeitos do juro elevado sobre a concessão de crédito na economia.
Ainda no campo doméstico, o Tesouro Nacional realiza, às 11h30, leilões de NTN-F e LTN, enquanto, no início da tarde, às 14h30, o Ministério do Trabalho e Emprego apresenta os dados do Caged de dezembro.
Em novembro, o mercado formal havia criado 85,86 mil vagas, resultado acima das projeções, e o novo dado será importante para medir a resiliência do mercado de trabalho no fim do ano passado.
Nos Estados Unidos, a agenda concentra boa parte da atenção global. Às 10h30, saem os números semanais de pedidos iniciais de seguro-desemprego, além dos dados de pedidos contínuos. Na última leitura, os pedidos iniciais somaram 200 mil, enquanto os contínuos ficaram em 1,849 milhão.
No mesmo horário, o Bureau of Economic Analysis divulga a balança comercial de bens de novembro, que, na divulgação anterior, mostrou um déficit de US$ 29,4 bilhões, abaixo do esperado pelo mercado.
Ainda pela manhã, às 12h, o Census Bureau publica os dados de encomendas à indústria de novembro, depois de uma queda de 1,3% registrada em outubro. Ao longo da tarde, o foco se volta para o mercado de títulos: o Tesouro americano realiza leilões de T-bills de 4 e 8 semanas, às 13h30, e, às 15h, promove o leilão de T-notes de 7 anos.
Outro dado relevante nos EUA sai às 14h, com a atualização do GDPNow, do Federal Reserve (Fed) de Atlanta, que traz uma estimativa em tempo real para o crescimento do PIB do quarto trimestre de 2025. Na semana passada, a projeção indicava expansão de 5,4%.
Os investidores também acompanham, às 10h, a decisão de política monetária do banco central da África do Sul, que pode influenciar o humor em mercados emergentes.
No calendário corporativo, o destaque do dia fica para a continuidade da temporada de balanços nos Estados Unidos, com a divulgação dos resultados de Apple, Visa e Mastercard, além do Deutsche Bank na Europa.
Na agenda das autoridades, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, cumpre despachos internos pela manhã em Brasília e, à tarde, em São Paulo.
Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, concede entrevista ao vivo ao programa Acorda, do portal Metrópoles, às 9h, em meio às discussões sobre política fiscal e perspectivas econômicas para 2026.
O pano de fundo para esta quinta-feira segue sendo o forte desempenho recente do mercado acionário brasileiro. Na quarta, o Ibovespa chegou a se afastar das máximas após a decisão do Fed, que manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, mas ganhou tração depois da entrevista do presidente da instituição, Jerome Powell.
O índice encerrou o pregão com alta de 1,52%, aos 184.691 pontos, novo recorde histórico de fechamento, depois de ter superado, de forma inédita, o patamar dos 185 mil pontos na máxima intradiária.
No Brasil, o Copom manteve a Selic em 15% ao ano, em decisão unânime e amplamente esperada. O mercado leu como positiva a mudança no tom do comunicado, que reconheceu a eficácia do juro restritivo e indicou que, se o cenário esperado se confirmar, a flexibilização monetária pode começar já na próxima reunião.