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Fluxo estrangeiro faz Ibovespa bater novo recorde aos 184 mil pontos

Pelo segundo dia consecutivo, o principal índice acionário da B3 avançou 1,52%, aos 184.691 pontos

Ibovespa bate novo recorde: as ações da Raízen (RAIZ4) lideraram os ganhos ao longo de toda a sessão (NurPhoto/Getty Images)

Ibovespa bate novo recorde: as ações da Raízen (RAIZ4) lideraram os ganhos ao longo de toda a sessão (NurPhoto/Getty Images)

Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 18h28.

O Ibovespa chegou a se afastar das máximas históricas após a decisão de política monetária nos Estados Unidos nesta quarta-feira, 28, mas ganhou tração perto do fechamento e encerrou o pregão em forte alta, renovando o recorde histórico de fechamento.

Pelo segundo dia consecutivo, o principal índice acionário da B3 avançou 1,52%, aos 184.691 pontos, e garantiu nova máxima histórica.

Mais cedo, pouco depois do anúncio do Federal Reserve (Fed), o mercado reagiu com cautela. Às 16h43, o Ibovespa avançava 0,66%, aos 183.113 pontos, mas o índice voltou a acelerar os ganhos depois da entrevista coletiva do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell.

Nas primeiras horas de negociação, o Ibovespa também ultrapassou de forma inédita o nível dos 185 mil pontos, embalado pela valorização generalizada das ações e pela expectativa em torno das decisões de juros no Brasil e no exterior.

O desempenho reforça o rali observado ao longo de janeiro, período marcado por sucessivas máximas históricas. Na véspera, o índice havia encerrado o pregão em novo recorde de fechamento, aos 181.919 pontos, com alta de 1,79%, depois de tocar, de forma inédita, a região dos 183 mil pontos.

Dia de decisões sobre os juros

O Federal Reserve decidiu manter a taxa básica de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75%, interrompendo a sequência de cortes. A decisão, anunciada às 16h pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), veio em linha com as expectativas do mercado, conforme já indicava a ferramenta FedWatch, do CME Group.

Apesar da manutenção, a decisão não foi unânime: duas autoridades defenderam um novo corte de 0,25 ponto percentual, como nas três reuniões anteriores.

A reação mais positiva dos mercados veio após a entrevista coletiva de Jerome Powell. Em um tom considerado construtivo, o chairman reforçou a importância da autonomia dos bancos centrais, afirmou que a política monetária não deve ser usada em ciclos eleitorais e evitou comentar pressões políticas ou temas fora do escopo econômico.

No campo econômico, Powell destacou que, embora as tarifas tenham pressionado os preços de bens, a desinflação em serviços parece continuar. Segundo ele, o impacto das tarifas tende a ser pontual e deve perder força por volta do meio do ano.

As expectativas de inflação, tanto as medidas por pesquisas quanto as de mercado, recuaram de forma relevante após o pico observado recentemente e seguem bem ancoradas, condição essencial para a estabilidade de preços no longo prazo.

Sobre a atividade, o presidente do Fed avaliou que o shutdown do governo deve ter afetado o crescimento no último trimestre, mas que parte desse impacto pode ser revertida. Powell afirmou ainda que a perspectiva econômica “claramente melhorou” desde dezembro e que a economia americana deve entrar em 2026 “em bases sólidas”.

Fluxo estrangeiro e cenário local sustentam o rali

Para analistas, o novo recorde do Ibovespa reflete uma combinação de fatores externos e domésticos. Segundo Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, o índice segue renovando máximas não apenas pela continuidade do capital estrangeiro, mas também por um conjunto de condições conjunturais favoráveis.

“O fluxo externo ainda é um componente importante, com investidores estrangeiros buscando retorno real em emergentes, diante de juros reais relativamente atrativos no Brasil. O cenário local também reforça o apetite por risco com dados recentes mais benignos, como uma inflação mais controlada que favorecem preços de ativos de risco", afirmou.

Na mesma linha, Eduardo Rahal, analista-chefe da Levante Inside Corp, ressalta que o ingresso de recursos estrangeiros tem sido o principal motor da alta do índice em 2026.

Segundo dados da B3, até 26 de janeiro, o fluxo estrangeiro líquido soma cerca de R$ 20,3 bilhões, o equivalente a aproximadamente 80% de toda a entrada registrada ao longo de 2025.

“É um volume expressivo, sobretudo para um mercado acionário relativamente pequeno em termos globais. Além disso, o mercado acompanha a possibilidade de um ciclo de flexibilização monetária e um cenário mais benigno para o câmbio e a inflação, mas o fluxo externo segue como o principal fator explicativo da alta”, afirma Rahal.

No Brasil, os investidores também mantiveram atenção voltada para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que sai após o fechamento do mercado, com expectativa majoritária de manutenção da Selic e foco nas sinalizações sobre o balanço de riscos para a inflação e a atividade econômica.

Raízen lidera as altas e, Embraer, as baixas

Entre os destaques positivos, as ações da Raízen (RAIZ4) lideraram os ganhos ao longo de toda a sessão, com alta de 16,67%, pelo segundo pregão consecutivo, em meio a rumores de um possível aumento de capital para redução do endividamento.

Os papéis da C&A (CEAB3) também avançaram 9,21%, beneficiados pela expectativa de queda dos juros futuros no primeiro semestre, enquanto a Usiminas (USIM5) também mantém o posto de terceira maior alta do dia, ao subir 6,57%, apoiada pela valorização dos metais e pelas discussões sobre medidas protecionistas para a indústria siderúrgica no Brasil.

A alta da companhia é acompanhada por outras siderúrgicas e mineradoras. A Vale (VALE3), que tem mais de 11% na participação do Ibovespa, avança 2,21%.

"Isso está ligado a notícias específicas de produção e de posição de mercado: a própria Vale voltou a ser citada como maior produtora mundial de minério de ferro, o que alimenta narrativa de performance operacional (apesar de o preço do minério em si não estar em alta hoje)", afirmou Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital.

"Contribui também o sentimento setorial positivo favorecido por expectativa de demanda futura de aço e matérias-primas, e pela rotação de carteira dos investidores que buscam setores com perspectiva de receita mais estável e subjacente exposição a commodities básicas", acrescentou.

Na ponta negativa, a Embraer (EMBR3) segue como a ação que mais perdeu nesta sessão, ao cair 3,66%, apesar de a companhia ter apresentado uma carteira de pedidos recorde nesta terça, 27, com uma soma de US$ 31,6 bilhões no quarto trimestre.

Na avaliação de Eduardo Rahal, analista chefe da Levante Inside Corp, a queda é "apenas de uma correção após um movimento extremamente positivo nas últimas semanas e meses. Mesmo com a queda recente, o papel acumula alta de cerca de 13,23% no ano, levemente abaixo do Ibovespa, mas praticamente em linha com o benchmark", afirmou Rahal.

"Queda reflete realização de lucros ou perfil de exposição distinto (sensível a ciclo de aviação e notícias operacionais) num dia em que o fluxo está mais direcionado a bancos, commodities e setores em rotação positiva", acrescentou Belitardo.

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