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Com venda na Rússia, Natura pode focar Avon na América Latina, diz Santander

Para o banco, o mercado tende a reagir de forma positiva à conclusão do processo de simplificação da empresa; ações da Natura avançam nesta quinta, 19

Venda da Avon na Rússia: reorganização ocorre após anos de pressão sobre margens e geração de caixa desde a aquisição da Avon, em 2020 (Michal Fludra/Getty Images)

Venda da Avon na Rússia: reorganização ocorre após anos de pressão sobre margens e geração de caixa desde a aquisição da Avon, em 2020 (Michal Fludra/Getty Images)

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 13h15.

A venda da operação da Avon na Rússia deve abrir espaço para que a Natura (NATU3) concentre esforços na América Latina, segundo análise do Santander divulgada nesta quinta-feira, 19. A conclusão da transação representa o último passo do processo de simplificação da companhia e pode mudar o foco dos investidores para a retomada da marca na região.

Mais cedo, a companhia de beleza, cosméticos e higiene anunciou ao mercado a venda da Avon Rússia por 2,52 bilhões de rublos, o equivalente a cerca de 26,9 milhões de euros, ou R$ 166,3 milhões. O valor foi recebido em 17 de fevereiro em operação vendida ao Arnest Group.

De acordo com o Santander, com base nos últimos resultados anuais disponíveis antes da reclassificação como operação descontinuada, a Avon Rússia gerou entre R$ 45 milhões e R$ 71 milhões em lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda).

"Isso implica um EV/EBITDA da transação, supondo que não haja dívida, de aproximadamente 2,3 a 3,7 vezes", segundo os analistas Lucas Esteves, Eric Huang e Vitor Fuziharo.

Para eles, a Avon Rússia foi vendida por um múltiplo relativamente baixo de geração de caixa, especialmente diante da negociação de NATU3 a 5,3 vezes EV/EBITDA.

Ainda assim, banco avalia que o mercado tende a reagir de forma positiva à conclusão do processo de simplificação, mais do que ao preço da transação.

Por volta das 12h40, as ações ordinárias da companhia (NATU3) subiam 1,62% em dia de Ibovespa em alta, com o índice avançando 1,22% no mesmo horário.

"Observamos que a Avon Rússia já havia sido classificada como ativo mantido para venda e, portanto, acreditamos que as expectativas de contribuições da divisão já estavam excluídas das suposições do mercado", afirmaram os analistas.

Com o fim da exposição remanescente à operação na Rússia e após a venda, em janeiro, da participação na Natura &Co UK Holdings Limited — holding responsável pela Avon International — para a gestora Regent LP, a companhia conclui o desmonte da estrutura internacional herdada da antiga Natura &Co.

A reorganização ocorre após anos de pressão sobre margens e geração de caixa desde a aquisição da Avon, em 2020. Em agosto de 2025, o CEO João Paulo Ferreira afirmou que a marca ainda pesaria nos resultados ao longo do ano, tanto pelo processo de venda da operação internacional quanto pela consolidação no Brasil.

Natura deve voltar foco para a América Latina, diz Santander

No terceiro trimestre de 2025, a desaceleração do consumo no mercado de beleza foi mais intensa do que o esperado e contribuiu para um balanço fraco.

A integração das operações no México e na Argentina, conhecida como Onda 2, também pressionou os resultados, com queda de receitas especialmente no mercado argentino. Ao mesmo tempo, as despesas seguiram acima dos níveis de 2024, com investimentos em integração logística e digitalização de canais.

Nesse contexto, a própria gestão reconheceu que a Avon poderia ter ajudado a suavizar o desempenho, mas a marca atravessava um hiato entre o portfólio antigo e o novo, o que limitou sua capacidade de capturar mudanças no consumo.

No Brasil, a receita da Avon ainda representa menos de um quinto da obtida com a marca Natura. No terceiro trimestre, a Avon faturou R$ 437 milhões, com queda de 17,3%, enquanto a Natura somou R$ 2,66 bilhões, praticamente estável. O balanço d0 4° trimestre de 2025 da companhia será conhecido apenas no dia 16 de março.

Segundo o Santander, a expectativa é que, com a simplificação concluída, a empresa concentre esforços no fortalecimento das marcas na América Latina.

"Daqui para frente, esperamos que o foco dos investidores mude para o amadurecimento da implementação da Onda 2 na Argentina e no México, o relançamento da Avon no Brasil e o potencial de dividendos em 2026 e 2027", disseram os analistas.

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