Patricia Bobbato, Diretora de Cultura, Desenvolvimento, Diversidade, Equidade e Inclusão e Bem-Estar da Natura
Redatora
Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 15h20.
Última atualização em 19 de fevereiro de 2026 às 15h48.
Enquanto boa parte das empresas discute modelos híbridos, retenção de talentos e políticas de diversidade, a Natura mantém, há mais de três décadas, uma decisão estrutural que antecedeu essas agendas.
Desde os anos 1990, a companhia opera um berçário corporativo próprio dentro de suas unidades, integrando o cuidado com a primeira infância à estratégia de pessoas.
Hoje, o espaço atende cerca de 180 crianças em Cajamar e no NASP, com uma equipe de aproximadamente 70 profissionais dedicados ao desenvolvimento infantil.
Para Patricia Bobbato, Diretora de Cultura, Desenvolvimento, Diversidade, Equidade e Inclusão e Bem-Estar da Natura, o berçário não é apenas um benefício adicional. “O berçário é, para mim, a expressão única de toda a nossa estratégia de bem-estar”, afirma.
O projeto nasceu de uma iniciativa do fundador Luiz Seabra, que até hoje participa das formaturas das crianças ao final do ciclo no berçário. A permanência do tema na alta liderança reforça o caráter estratégico da iniciativa.
Segundo Patricia, a decisão está diretamente ligada à razão de ser da companhia.
“Existimos para comercializar produtos e serviços capazes de promover o bem-estar bem. Essa relação harmoniosa do eu comigo, eu com o outro e eu com o mundo”, diz.
A partir dessa lógica, a política de benefícios passou a ser desenhada com foco no desenvolvimento integral das pessoas. O berçário, nesse contexto, tornou-se um dos pilares da proposta de valor da empresa para seus colaboradores.
Divulgação/Natura
O espaço atende crianças a partir de quatro meses até dois anos e onze meses. O funcionamento ocorre das 5h30 às 20h30, contemplando tanto colaboradores administrativos quanto da operação fabril.
Nas unidades que não contam com berçário físico, a empresa oferece apoio financeiro para creche externa. Já nas unidades com estrutura própria, o serviço é integralmente custeado pela companhia durante o horário de trabalho do responsável.
“O berçário trabalha todas as dimensões do bem-estar que a gente acredita”, afirma Patricia.
A estratégia está organizada em cinco frentes emocional, social, física, financeira e ambiental.
No aspecto financeiro, o colaborador não tem custo com o serviço. No emocional, o retorno da licença parental ocorre com mais segurança. No social, fortalece-se o vínculo entre família e organização.
No físico, o ambiente é adaptado ao desenvolvimento infantil. No ambiental, a metodologia pedagógica mantém coerência com os valores da marca.
Divulgação/Natura
Originalmente voltado às mães, o berçário passou a incluir também os pais. A mudança está alinhada à estratégia de diversidade e equidade da companhia.
“Trazer os pais para este lugar nos ajuda a combater realmente esse viés inconsciente de que a responsabilidade é sempre da mulher”, afirma Patricia. Segundo ela, incentivar a corresponsabilidade contribui para reduzir a sobrecarga feminina e fortalecer os vínculos familiares.
A presença ativa dos pais no espaço é vista como parte de uma transformação cultural mais ampla. “No final do dia, diminui muito a carga materna também. É um trabalho onde a gente tem fortalecido o tecido social mesmo”, diz.
Para a diretora, a sustentabilidade do modelo está na convicção de que não se trata de despesa operacional. “Vem da nossa convicção de que não é custo, ele é um investimento. A gente está investindo no bem-estar dos nossos colaboradores e das nossas famílias.”
Em um cenário corporativo que discute retenção, experiência do colaborador e equidade de gênero, a iniciativa da Natura demonstra como políticas de RH podem ser estruturadas com visão de longo prazo. Ao integrar o cuidado com a primeira infância à estratégia organizacional, a companhia consolida um modelo em que cultura, desempenho e propósito caminham juntos.