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Embraer lidera alta do Ibovespa; Venezuela pesa sobre ações de petrolíferas

Mercado reage à crise venezuelana, com queda das ações de petróleo no Brasil

Ibovespa hoje: Petrobras limita alta do índice (Germano Lüders/Exame)

Ibovespa hoje: Petrobras limita alta do índice (Germano Lüders/Exame)

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 12h13.

Última atualização em 5 de janeiro de 2026 às 12h13.

Depois de oscilar entre estabilidade e queda na primeira hora de negociações, o Ibovespa passou a operar em leve alta no segundo pregão do ano, nesta segunda-feira, 5, que marca a primeira semana cheia de 2026. O principal índice da Bolsa brasileira avança no campo positivo, com as ações da Embraer (EMBJ3) liderando os ganhos do dia.

Por volta das 11h40, o Ibovespa subia 0,16%, aos 160.791 pontos, enquanto os papéis da companhia aérea registravam alta de 2,66%. O movimento de alta do índice ocorre apesar do desempenho negativo das petrolíferas, com destaque para a Petrobras, que recuam e limitam uma alta mais firme do mercado.

A Brava Energia (BRAV3), que ficou entre as maiores 10 quedas no ano, caía 4,68% no mesmo horário. O desempenho negativo da empresa era seguido pelas ações da Petrobras (PETR3 e PETR4), que recuavam 2,17% e 2,15%, respectivamente. As ações da Prio (PRIO3) também caíam 1,82%, assim como PetroRecôncavo (RECV3), com queda de 1,09%.

As ações do setor de petróleo refletem um cenário externo mais complexo, marcado pelas incertezas em torno da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no sábado, 3.

O episódio mantém o país no centro do noticiário internacional e do mercado de ações, e levanta dúvidas sobre os impactos estruturais da crise venezuelana na oferta global de petróleo no médio e longo prazo.

O desempenho das petrolíferas brasileiras contrasta com o preço do barril do petróleo no mercado internacional, que subiu na manhã desta segunda, dois dias depois da invasão dos EUA à Venezuela. O petróleo do tipo Brent, referência mundial, subia 0,80%, a US$ 60,72, às 11h36 (horário de Brasília). Já o barril WTI estava a US$ 57,64 (R$ 313,55), em alta de 0,54%, mais cedo.

Segundo Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, no curto prazo não há expectativa de redução relevante na exportação venezuelana de petróleo, o que inclusive ajuda a sustentar os preços da commodity. Ainda assim, no Brasil, o mercado teme eventuais interrupções e passa a precificar um cenário mais distante.

No médio prazo, segundo Conde, a preocupação dos investidores é que uma eventual normalização política permita à Venezuela recuperar e ampliar sua produção, com a volta de grandes empresas estrangeiras, sobretudo americanas. Esse movimento poderia aumentar a oferta global de petróleo e pressionar preços no futuro, o que estaria por trás da venda das ações de petrolíferas no Brasil.

"O que o mercado está fazendo é se antecipar demais ao médio prazo. Existe a expectativa de que, com uma mudança de governo, a Venezuela recupere a produção e aumente a oferta de petróleo, mas isso pode ser bem menor e mais lento do que se imagina", afirma o analista.

Bolsas e dólar sobem no mundo

As ações de petrolíferas dos EUA chegaram a subir mais de 15% na abertura do mercado no país. Os títulos do governo da Venezuela e as principais Bolsas pelo mundo também apresentavam alta nesta segunda-feira.

No mercado internacional, o choque geopolítico reforçou a busca por ativos de proteção. O dólar sobe tanto no Brasil como no exterior. Às 11h57, a moeda americana subia 0,15%, cotada a R$ 5,433, e no índice DXY, que mede a força do divisa frente a uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, o dólar avançava 0,20%.

"O que importa, o que interessa é como os mercados reagiram. A Ásia está no seu recorde de alta após a captura de Maduro. Xangai sobe também. Os setores que mais estão subindo são de defesa atrelados a ativos militares. Uma alta extremamente forte aí que nós estamos acompanhando. Ouro, que é um ativo de proteção, também sobe", afirmou Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos.

Segundo Correia, a volatilidade aumenta porque o que vai acontecer agora a gente não sabe.

"O que sabemos é que o Trump disse que vai tocar o país. E sabemos do seu interesse em relação ao petróleo. Um ponto interessante é que a Chevron, empresa norte-americana de petróleo, está subindo. E se Trump irá fazer a administração, a Chevron, que é a única empresa norte-americana que opera na Venezuela, tende a ser a mais beneficiada", acrescentou o analista.

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