Dólar volta a cair: por volta das 15h58, a moeda americana caía 0,47%, cotada a R$ 5,26 (Designed by/Freepik)
Repórter
Publicado em 6 de março de 2026 às 16h23.
O dólar à vista voltou a recuar no meio da tarde desta sexta-feira, 6, após operar com forte volatilidade ao longo do pregão. Por volta das 15h58, a moeda americana caía 0,47%, cotada a R$ 5,26.
Mais cedo, o dólar chegou a mudar de direção diversas vezes. A divisa abriu em alta, passou a cair no início da manhã e voltou a subir antes de retomar o movimento de baixa no decorrer da tarde.
O cenário internacional, contudo, é marcado por maior aversão ao risco. Teoricamente, isso normalmente fortaleceria a moeda americana frente a divisas emergentes, mas algumas moedas ligadas a commodities passaram a ganhar valor acompanhando a forte alta do petróleo nos mercados internacionais.
Enquanto o dólar recuava, os contratos do petróleo avançavam com força. O barril do petróleo Brent, referência global, subia 9,54%, a US$ 93,56, enquanto o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 13,08%, a US$ 91,61.
A disparada ocorre em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, que aumentam os receios de interrupções no fornecimento da commodity. Parte da preocupação do mercado está ligada ao impacto do conflito sobre o tráfego no Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo transportado no mundo.
O avanço das cotações também reflete o temor de que países exportadores da região do Golfo possam restringir embarques caso o cenário geopolítico se agrave. Em entrevista ao jornal Financial Times, o ministro de Energia do Catar, Saad al-Kaabi, afirmou que o barril de petróleo pode chegar a US$ 150 nas próximas semanas se navios petroleiros deixarem de atravessar o estreito.
Os investidores também repercutem a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos, conhecido como payroll, trouxe uma surpresa negativa para o mercado nesta sexta-feira, 6, e ampliou a aversão ao risco nos ativos globais.
Segundo analistas, os dados mostraram fechamento líquido de vagas em fevereiro, sinalizando enfraquecimento do mercado de trabalho americano e aumentando as incertezas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).
A economia do país fechou 92 mil empregos em fevereiro, de acordo com os dados divulgados pelo Departamento do Trabalho. O resultado veio na contramão das expectativas de analistas, que projetavam a criação de cerca de 50 mil vagas no período.
Lindsay Rosner, do Goldman Sachs, vê o resultado como um alerta para o banco central americano. "Indícios de fragilidade no mercado de trabalho servem de alerta ao Fed de que pode haver um preço a pagar pelo adiamento dos cortes", afirmou. Ainda assim, ela avalia que o curto prazo da política monetária continua sendo influenciado pela geopolítica no Oriente Médio.
Rosner acrescenta que a expectativa é de que o Fed ainda realize dois cortes de juros no processo de normalização da política monetária, embora o momento exato permaneça incerto.
A ferramenta FedWatch, do CME Group, que monitora as expectativas para as decisões do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), indica que mais de 95% dos agentes financeiros apostam na manutenção da taxa de juros na próxima reunião, no intervalo entre 3,50% e 3,75%.
Já André Valério, economista sênior do Inter, avalia que o resultado reforça sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho americano e aumenta a probabilidade de cortes nos juros ao longo do ano. Mas a tarefa do Fed "continua difícil", segundo o especialista.