Dólar: melhor desempenho em meses no mercado global ( user3222645/Freepik)
Repórter de Invest
Publicado em 15 de maio de 2026 às 09h50.
O dólar ganhou força nos mercados globais e caminha para encerrar a semana com sua maior valorização em dois meses devido à inflação persistente nos Estados Unidos e à nova pressão sobre os preços do petróleo.
O índice que mede a força do dólar, DXY, avançou mais de 1% na semana, no melhor resultado desde meados de março, após dois indicadores consecutivos de inflação nos EUA virem acima das expectativas do mercado.
Aqui no Brasil, o dólar comercial subia 1,41%, a R$ 5,05, às 9h50 (horário de Brasília).
Fontes consultadas pela Bloomberg mostram que a desaceleração dos preços americanos pode levar mais tempo do que era previsto antes, já que os contratos futuros passaram a indicar maior probabilidade de alta nos juros ainda em 2026.
Os investidores começaram a aumentar as apostas de que o Federal Reserve (Fed) poderá voltar a subir os juros. Há um mês, a leitura predominante era de que o banco central estadunidense poderia iniciar um ciclo de cortes.
Nesta sexta-feira, 15, os preços do petróleo voltaram a disparar, chegando a alta de 4% no West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, depois que Trump anunciou que a China comprará óleo dos EUA.
O trader de câmbio da Monex Inc., Andrew Hazlett, esclareceu que a combinação entre a escalada do conflito no Oriente Médio junto à inflação nos EUA é o que tem ajudado a sustentar os patamares da moeda.
O dólar voltou a ser procurado tanto por seu perfil defensivo em períodos de tensão geopolítica quanto pelo fato de os Estados Unidos serem grandes exportadores de petróleo, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg.
O fluxo para títulos do Tesouro dos EUA e ações de tecnologia também vem ajudando o movimento de alta.
O chefe de estratégia de câmbio G-10 do Credit Agricole, Valentin Marinov, disse à Bloomberg que o dólar pode, inclusive, ser mais atrativo para operações de carry trade, isto é, a estratégia em que investidores buscam moedas de países com taxas elevadas para obter maior rentabilidade.
"O aumento das taxas de juros nos EUA pode consolidar a posição do dólar como uma moeda de alto rendimento, que deve se beneficiar da forte demanda do mercado por operações de carry trade no mercado cambial", detalhou.
Além disso, dados do mercado de opções mostram que investidores ampliaram as apostas na continuidade da alta do dólar. O nível de otimismo chegou ao maior patamar em cinco semanas e se aproximou de máximas no fim de março.
Para estrategistas do Goldman Sachs, um prolongamento do choque nos preços da energia tende a reforçar ainda mais a demanda pelo dólar frente a outras moedas desenvolvidas.