Dólar nesta terça, 20: moeda americana subiu 0,30%, cotada a R$ 5,38, após queda de 0,19% na sessão anterior (Designed by/Freepik)
Repórter
Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 17h45.
Última atualização em 20 de janeiro de 2026 às 17h49.
O dólar à vista fechou em alta no Brasil nesta terça-feira, 20, avançando 0,30% e encerrando o dia a R$ 5,38. Apesar do movimento, a moeda americana ficou distante da máxima intradiária de R$ 5,409, em um pregão marcado por tensões geopolíticas e por um fluxo financeiro que seguiu favorecendo os ativos brasileiros.
No índice DXY, que mede a força da divisa frente a uma cesta de moedas de seis mercados desenvolvidos, o dólar recuou 0,46%.
O ambiente global foi de queda generalizada dos mercados, após novas ameaças comerciais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desta vez direcionadas a países europeus.
A tensão aumentou com a sinalização de que a autorização americana para a anexação da Groenlândia estaria condicionada à imposição de tarifas sobre produtos europeus, que poderiam começar em 10% já em fevereiro e subir para 25% em junho.
O episódio reacendeu o debate sobre uma possível fuga gradual de capitais dos ativos dos EUA, em meio ao ressurgimento da política protecionista.
Mesmo com o aumento da percepção de risco, a busca por proteção não se concentrou no dólar. Pelo contrário, o movimento de saída de recursos pesou principalmente sobre os mercados americanos, com fortes quedas em Wall Street.
No Brasil, o Ibovespa contrariou o exterior, renovou máximas intradiárias e atraiu fluxo estrangeiro, o que ajudou a conter uma valorização mais intensa da moeda americana.
Segundo Daniel Teles, a variação do câmbio foi marginal. "Um centavo de variação de ontem para hoje, então está normal. Não teve nenhuma alta expressiva. Parte do que está segurando é a entrada via bolsa que está subindo pós-feriado nos Estados Unidos", disse Teles.
Já os juros futuros (DIs) subiram, acompanhando a pressão dos Treasuries americanos e o aumento das incertezas globais, especialmente nos vencimentos mais longos.
Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o comportamento do câmbio reforça a percepção de que, neste momento, a aversão ao risco tem penalizado mais os ativos dos Estados Unidos do que os mercados emergentes, como o brasileiro, que seguem se beneficiando de fluxo e de fundamentos específicos
O dólar à vista é o valor negociado no mercado de câmbio para liquidação imediata, geralmente em até dois dias úteis. Esse tipo de câmbio é bastante utilizado em operações de curto prazo feitas por empresas e instituições financeiras.
A cotação do dólar à vista reflete o valor real de mercado no momento da transação, oferecendo transparência para quem precisa fechar negócios com rapidez.
O dólar futuro corresponde a contratos de compra e venda da moeda para liquidação em uma data futura. Essa modalidade é negociada na Bolsa de Valores e ajuda empresas e investidores a se protegerem da volatilidade cambial.
Sua cotação varia conforme as expectativas do mercado em relação à economia, podendo se distanciar bastante do dólar à vista em momentos de incerteza.