Repórter de finanças
Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 16h18.
Última atualização em 20 de fevereiro de 2026 às 16h42.
A derrota de Donald Trump na Suprema Corte dos Estados Unidos abriu espaço para um movimento que já começa a ser sentido no Brasil: a queda do dólar e a entrada mais forte de recursos estrangeiros no país.
Por volta das 15h30, a divisa recuava mais de 1% a R$ 5,17, cotação que não era atingida desde maio de 2024. O índice DXY também recua, menos que em menores proporções.
A decisão do Supremo considerou ilegais as tarifas impostas unilateralmente pelo ex-presidente com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977. Na prática, isso reduz a incerteza jurídica e enfraquece a estratégia de usar tarifas amplas — que chegaram a variar entre 10% e 50% — como instrumento central de política econômica.
“A discussão na Justiça americana foi que pode ser colocado sobre alguns países as tarifas, o que não pode é falar que o mundo inteiro está fazendo alguma prática desonesta contra os EUA", diz Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.
As tarifas vinham sendo apontadas como possível pressão inflacionária nos Estados Unidos, pois encarecem produtos importados e elevam preços ao consumidor.
“Eu acho que essa decisão diminui a incerteza e enfraquece um pouco a força do Trump”, afirma Cruz.
Outro fator relevante foi a questão do índice de preços de gastos com o consumo (PCE, na sigla em inglês). O núcleo do PCE subiu 0,4% em dezembro na comparação mensal e 3% em 12 meses, acima das projeções de 0,3% e 2,9%, respectivamente, segundo pesquisa da Reuters.
O índice cheio do PCE também aumentou 0,4% em dezembro, depois de subir 0,2% em novembro. Na comparação anual, a inflação medida pelo indicador ficou em 2,9%, ante 2,8% anteriormente — o ritmo mais rápido desde março de 2024.
Segundo Cruz, apesar de a inflação ter avançado de 2,8% para 2,9%, a eventual suspensão das tarifas tende a aliviar pressões de preços no médio prazo, já que reduz o custo de importados e ajuda a atividade.
Por outro lado, pode haver um movimento de antecipação de importações — empresas correndo para formar estoques antes de uma possível nova rodada de tarifas — o que piora temporariamente o PIB, já que importações entram negativamente no cálculo.
O terceiro fator relevante foi o crescimento da economia dos EUA mais fraco. O Produto Interno Bruto (PIB) americano avançou 1,4% em ritmo anualizado no quarto trimestre de 2025 — bem abaixo da expectativa de 3% e após uma expansão de 4,4% no trimestre anterior.
"No quarto trimestre, o shutdown impactou a atividade econômica e, por conta disso, o governo gastou menos, puxando o PIB para baixo", comenta William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.