Festa de formatura: é preciso gestão financeira pessoal para não se endividar (stockce/Thinkstock)
Repórter de finanças
Publicado em 18 de agosto de 2026 às 13h02.
Não é todo mundo que compartilha desse sonho, mas muitas pessoas querem realizar o desejo de fazer uma festa de formatura. Entretanto, os valores podem pesar no bolso a depender do estilo de festa, do curso e da composição do evento. Por isso, é necessário gestão financeira e auxilio de profissionais. Uma formatura de medicina, por exemplo, pode sair R$ 25 mil por pessoa.
Para realizar uma formatura bem produzida, normalmente são necessários três fornecedores principais, explica Alexandre Kanaan, porta-voz do Keeper e especialista em governança financeira aplicada a formaturas. O primeiro é uma empresa de arrecadação financeira, responsável pela gestão dos valores.
“O segundo é uma empresa de fotografia, que cuida de todos os registros da festa. O terceiro é a agência de formaturas, responsável pela produção do evento. A agência, por exemplo, fica encarregada da contratação do espaço, buffet, bebidas, ambulância, segurança, limpeza, som, iluminação, atrações musicais, entre outros serviços necessários”, diz.
O custo de uma formatura varia conforme cidade, fornecedores, local e estrutura. Eventos menores podem custar de R$ 100 mil a R$ 200 mil, enquanto os de médio porte ficam entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão. Já grandes celebrações podem superar R$ 3 milhões ou R$ 4 milhões, embora sejam exceções. Em geral, as grandes formaturas custam entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões.
“São poucas turmas que chegam a R$ 4 milhões, mas entre elas estão algumas das principais formaturas de Direito de São Paulo, como USP, PUC-SP e Mackenzie, além de Medicina, como a São Leopoldo Mandic, em Campinas. Também existem formaturas de grande porte em instituições como Uninove”, analisa Kanaan.
As formaturas de Medicina costumam estar entre as mais caras. Em faculdades particulares, esse montante pode chegar a cerca de R$ 25 mil por formando. Direito também aparece entre os cursos com eventos de maior custo, em torno de R$ 10 mil. Engenharia, como na USP, os valores podem ficar entre R$ 7 mil e R$ 8 mil por aluno.
Mas há formaturas mais em conta. Um curso de comunicação, por exemplo, pode ficar na faixa de R$ 4 mil. “Normalmente, o pacote médio ou padrão considera uma mesa com dez lugares para cada formando, além dos serviços e da estrutura contratados para a realização da festa”, explica o especialista.
Uma formatura normalmente dura entre oito e 10 horas. Em São Paulo, os eventos precisam respeitar as regras municipais de horário, por isso muitas festas terminam por volta das 5h da manhã. Normalmente, as festas começam entre 21h e 22h e seguem durante a madrugada. Em outras cidades do interior de São Paulo, as regras podem ser diferentes, permitindo que alguns eventos tenham uma duração maior.
E se a formatura tiver muitas pessoas, os valores podem ficar mais baratos? Segundo Kanaan, isso é relativo.
“Alguns custos fixos acabam sendo diluídos quando há um número maior de pessoas. O espaço e determinadas atrações, por exemplo, podem representar um custo proporcionalmente menor. Por outro lado, existem custos variáveis que acompanham o número de convidados, como buffet, bebidas e outros serviços cobrados por pessoa.”
Também existe um limite relacionado ao espaço. Quando o número de alunos aumenta muito, pode ser necessário escolher um local maior para comportar mesas, buffet e toda a estrutura do evento. Nesse caso, o custo do espaço pode aumentar, assim como despesas com segurança, som, iluminação e outros serviços.
“Por isso, é necessário encontrar um equilíbrio entre a quantidade de alunos e o espaço adequado. Quando existe esse equilíbrio, ter mais alunos pode ser vantajoso, mas, quando a turma cresce a ponto de exigir uma estrutura muito maior, o custo total da formatura também pode aumentar”, pontua.
Antecedência é a palavra da vez. É sabido que dali quatro ou cinco anos, em média, o aluno irá se formar, então quanto mais cedo começar a juntar dinheiro, ele melhor trabalhará para o formando.
“O primeiro passo é entender quanto a celebração pode custar e quais despesas realmente fazem sentido para a realidade financeira de cada pessoa. A partir daí, é possível estabelecer uma meta e dividir esse valor pelo número de meses até a formatura”, comenta Daiane Alves, educadora financeira da Neon.
Segundo ela, o mais importante é não transformar um momento de celebração em uma dívida que vai acompanhar o estudante por muito tempo. Se o orçamento não comporta determinada festa ou evento, vale adaptar o plano, priorizar o que é mais importante e buscar alternativas que caibam no bolso.
”Planejamento financeiro também é isso: entender os próprios limites hoje para conseguir realizar sonhos sem comprometer o futuro”, diz.
Para conseguir multiplicar o dinheiro com segurança, o ideal é a renda fixa. “A escolha do investimento deve considerar principalmente o prazo e a necessidade de liquidez. Para uma meta de curto ou médio prazo, é importante priorizar investimentos de menor risco e que permitam resgatar o dinheiro quando chegar o momento de pagar as despesas”, diz Alves.
Produtos de renda fixa podem fazer sentido nesse cenário, mas é importante avaliar as características de cada opção, como rentabilidade, prazo e liquidez. O mais importante é não deixar o dinheiro da formatura misturado com o dinheiro usado no dia a dia, porque isso facilita o acompanhamento da evolução da meta.
O cartão de crédito pode ser um aliado para organizar os pagamentos de uma formatura, mas precisa ser usado dentro de um limite que realmente caiba no orçamento. Um erro comum é enxergar o limite disponível como se fosse renda. O banco pode autorizar determinado valor de gasto, mas isso não significa que o consumidor tenha condições de arcar com aquela despesa.
Também é importante ter atenção ao pagamento da fatura. Quando a pessoa não consegue quitar o valor total, pode entrar no crédito rotativo, que possui juros elevados e pode fazer uma dívida crescer rapidamente. Por isso, antes de parcelar uma compra ou assumir novas despesas, é importante considerar quanto das próximas faturas já estará comprometido.
"Em uma formatura, por exemplo, pode ser tentador colocar vários gastos no cartão para conseguir realizar tudo de uma vez. O ideal é calcular previamente quanto dessas parcelas caberá no orçamento mensal e evitar comprometer uma parcela da renda que será necessária para outras despesas”, afirma Alves.
Recorrer a um empréstimo para custear uma formatura pode parecer uma saída simples para cobrir despesas que ficaram acima do valor, mas a decisão exige atenção ao cenário de juros. Com a Selic em patamar elevado, o custo do crédito tende a ser maior, embora a taxa efetivamente oferecida varie de acordo com o perfil do tomador, a modalidade escolhida e as condições da instituição financeira.
Nesse contexto, não basta comparar apenas a taxa de juros anunciada. O consumidor deve observar o Custo Efetivo Total (CET), que reúne todos os encargos da operação, como juros, tarifas e impostos. É esse indicador que permite entender quanto, de fato, será desembolsado ao longo do contrato.
Para realizar uma formatura, por exemplo, o empréstimo pode parecer uma solução rápida para cobrir o que falta, mas é importante avaliar se o custo da dívida é compatível com o benefício daquele gasto.
“Se for necessário recorrer ao crédito, o ideal é comparar alternativas, entender o valor total que será pago e verificar se as parcelas cabem no orçamento sem comprometer outras necessidades. Afinal, realizar um sonho é muito melhor quando ele não se transforma em um problema financeiro depois”, conclui Alves.