Disney: mercado acompanha se nova estratégia será capaz de reacelerar o crescimento. (Thomas Fuller/SOPA Images/LightRocket/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 30 de julho de 2026 às 09h57.
A Disney prepara uma ampla reformulação de sua estratégia de streaming em uma tentativa de retomar o crescimento da base de assinantes. Sob o comando do novo CEO, Josh D'Amaro, a companhia quer transformar o Disney+ na principal porta de entrada para seu ecossistema, aproximando-a de rivais como Netflix e YouTube.
O movimento ocorre em um momento de pressão para a empresa. Embora a operação de streaming tenha passado a gerar lucro, as ações da Disney acumulam queda superior a 40% nos últimos cinco anos, incluindo recuo de cerca de 13% em 2026.
Nesta quinta-feira, 30, os papéis (DIS) da Disney caem 0,56% no pré-mercado de Nova York. Eles fecharam o último pregão com recuo de 0,41%. Para analistas ouvidos pela Bloomberg, o desafio agora é voltar a crescer.
A principal mudança será concentrar filmes, séries e esportes em um único ambiente. A empresa está integrando conteúdos do Hulu e da ESPN ao Disney+, além de investir em novos recursos tecnológicos, como um algoritmo de recomendação mais sofisticado e vídeos em formato vertical.
O tempo de uso do Disney+ nos Estados Unidos aumentou 21% em relação ao ano anterior, enquanto março registrou o maior nível de audiência já alcançado pelos serviços de streaming da companhia no país, de acordo com dados da Nielsen citados pela empresa.
Nos últimos anos, a Disney cortou muito os gastos com conteúdo para streaming, diminuiu quase pela metade o número de produções encomendadas entre 2022 e 2025, reajustou os preços das assinaturas e lançou planos com publicidade.
A estratégia permitiu reverter cerca de US$ 4 bilhões em perdas acumuladas e transformar o negócio em lucrativo. Para a presidente da Disney e primeira diretora criativa da companhia, Dana Walden, esta etapa está concluída, embora ainda veja espaço para expansão.
"Passamos de perder muito dinheiro para construir um serviço que representa o potencial da Walt Disney Company. Isso não quer dizer que não tenhamos muito espaço para crescer, mas, após três anos e meio, sinto-me muito satisfeita com o que conquistamos", relatou à Bloomberg.
A Disney também pretende ampliar sua presença fora dos EUA, ao avaliar que franquias globais como Marvel, Pixar e Star Wars continuam sendo importantes para atrair público. Todavia, a companhia reconhece que esse catálogo somente não é suficiente para impulsionar o crescimento em vários mercados.
O plano inclui dobrar, nos próximos anos, o orçamento destinado à produção de conteúdos em idiomas locais e ampliar a aquisição de direitos esportivos em regiões como América Latina e Austrália. Na visão de Walden, a expansão dependerá diretamente desse investimento.
"Temos uma estratégia de crescimento clara, e ela começa com uma excelente narrativa. Isso significa aumentar nossos investimentos em conteúdo, especialmente fora dos EUA, ao mesmo tempo em que expandimos significativamente nossa produção criativa nos próximos anos", disse.
Investidores, porém, ainda questionam se o streaming será capaz de compensar, no longo prazo, a perda estrutural das receitas da televisão por assinatura. Para o analista da MoffettNathanson, Rob Fishman, ouvido pela Bloomberg, a empresa precisa transformar sua nova estratégia em resultados concretos.
"(A Disney) precisa oferecer aos investidores algo que gere entusiasmo e, então, executar essa proposta", detalhou.
O executivo imagina o Disney+ como um ponto central de relacionamento com os consumidores, reunindo filmes, séries, esportes e compra de ingressos para parques temáticos e de produtos. Só que, para Fishman, a prioridade deve ser fazer com que os usuários passem mais tempo dentro da plataforma.
Sob nova gestão, a companhia chegou a demitir cerca de 1.000 funcionários em abril, em meio ao movimento de reestruturação. O foco foram postos de trabalho na área de marketing. De 2022 a 2026, cerca de 8.000 empregos foram cortados, com olhar atento para a concorrência.