Agenda do mercado: decisão de juros do Federal Reserve concentra atenção do mercado nesta quarta-feira, 29 (Samuel Corum / Bloomberg/Getty Images)
Repórter
Publicado em 29 de julho de 2026 às 05h30.
Depois da recuperação do Ibovespa na véspera, impulsionada pela surpresa positiva com o IPCA-15, a prévia da inflação, os investidores voltam suas atenções nesta quarta-feira, 29, para os Estados Unidos. O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anuncia sua decisão de juros à tarde e deve manter a taxa entre 3,50% e 3,75%, mas cresce a possibilidade de haver uma nova divisão no banco central americano, com alguns dirigentes a favor de uma elevação na taxa dos fed funds.
Segundo a ferramenta FedWatch, cerca de 70% do mercado aposta na manutenção, enquanto quase 31% já precifica uma alta para a faixa entre 3,75% e 4%.
Mais do que a decisão em si, o mercado acompanhará de perto o comunicado do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) e as declarações do presidente do Fed, Kevin Warsh, para avaliar se o banco central americano dará sinais de que poderá endurecer a política monetária nos próximos meses.
Antes da decisão do Fed, a agenda americana traz os dados semanais dos estoques de petróleo bruto, divulgados pela Energy Information Administration (EIA). Na última leitura, os estoques aumentaram 2,010 milhões de barris, mas o mercado espera uma queda de 1,700 milhão de barris nesta semana.
No Brasil, o dia começa com a divulgação da sondagem da indústria da Fundação Getulio Vargas (FGV).
À tarde, o Banco Central publica o fluxo cambial semanal. Na última divulgação, o país registrou entrada líquida de US$ 134 milhões, dado que ajuda a medir o comportamento dos investimentos estrangeiros. O Tesouro Nacional também divulga o Relatório Mensal da Dívida Pública referente a junho.
A agenda política também reserva alguns compromissos relevantes. Pela manhã, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, concede entrevista ao programa Tribuna Livre Capital FM. À noite, o PSB realiza sua convenção nacional em Brasília. O dia ainda será marcado pela divulgação de pesquisas eleitorais para os governos de Minas Gerais, Bahia e São Paulo.
A temporada de balanços segue movimentando os mercados. Nos Estados Unidos, divulgam resultados empresas como Microsoft, Meta, Qualcomm, Starbucks, Procter & Gamble, Airbus Group e Deutsche Bank. No Brasil, os investidores acompanham os números de Santander Brasil e Motiva.
No último pregão, o Ibovespa fechou em alta de 0,70%, aos 176,5 mil pontos, impulsionado pela desaceleração do IPCA-15 de julho, que veio abaixo das expectativas do mercado e reforçou a percepção de que o Banco Central poderá retomar o ciclo de cortes da Selic na próxima reunião. O dólar avançou 0,20%, encerrando o dia cotado a R$ 5,122.
No exterior, os principais índices de Nova York fecharam sem direção única, à espera da decisão do Fed e em meio à temporada de resultados corporativos.
O Dow Jones avançou 1,03%, o S&P 500 subiu 0,21% e o Nasdaq recuou 0,22%, pressionado pelas ações do setor de semicondutores. Já o petróleo caiu diante de sinais de redução das tensões entre Irã e Estados Unidos, embora as incertezas sobre o cenário geopolítico e o abastecimento global continuem no radar dos investidores.