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Ibovespa tem segunda alta seguida com inflação abaixo do esperado; dólar chega a R$ 5,12

A prévia da inflação subiu 0,06% no mês, abaixo da expectativa de alta de 0,22% projetada por analistas

Ibovespa: bolsa sobe com inflação menor e expectativa de juros mais baixos (B3/Divulgação)

Ibovespa: bolsa sobe com inflação menor e expectativa de juros mais baixos (B3/Divulgação)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 28 de julho de 2026 às 11h18.

Última atualização em 28 de julho de 2026 às 17h40.

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O Ibovespa fechou esta terça-feira, 21, em alta de 0,70%, aos 176,5 mil pontos. O principal índice da bolsa foi impulsionado pela desaceleração do IPCA-15 de julho, a prévia da inflação que veio abaixo das expectativas do mercado e reforçou a percepção de espaço para cortes de juros no Brasil. Enquanto isso, o dólar fechou em alta de 0,20%, a R$ 5,122.

Entre as empresas de maior peso do índice, a Vale (VALE3) terminou o dia estável, enquanto a Petrobras subiu após as fortes quedas na segunda, 27, apesar da queda do petróleo no exterior. As ações ordinárias (PETR3) avançaram 0,80% e as preferenciais (PETR4) 0,49%.

A maioria das ações do setor financeiro também avançaram. Itaú (ITUB4) fechou em alta de 0,40%, enquanto as units do BTG Pactual (BPAC11) subiram 0,52%. As do Santander (SANB11) fecharam o dia com alta de 1,13%. O Bradesco (BBDC4) registrou alta de 0,32%, e o Banco do Brasil (BBAS3) de 1,61%.

Na ponta negativa, as ações de telecomunicações lideram as perdas. A Vivo (VIVT3) caiu quase 6%, enquanto a TIM (TIMS3) recuou 5,81%. A CSN (CSNA3) também fechou em baixa, com queda de 1,23%. No fechamento desta segunda, as duas maiores operadoras de telefonia da bolsa brasileira divulgaram seus balanços do segundo trimestre de 2026.

No Brasil, os investidores repercutem o IPCA-15 de julho. A prévia da inflação subiu 0,06% no mês, abaixo da expectativa de alta de 0,22% projetada por analistas. O resultado também representa uma forte desaceleração em relação ao avanço de 0,41% registrado em junho e foi o menor resultado mensal desde julho de 2023.

Para o diretor de câmbio da Ourominas, Elson Gusmão, o indicador reforça uma melhora no cenário doméstico, mas os riscos externos ainda limitam o movimento. Ele vê que a bolsa recuperou parte das perdas provocadas pela confirmação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiro, "mas ainda não eliminou o risco comercial."

"Se as tarifas reduzirem exportações brasileiras ou ampliarem a tensão comercial, o dólar poderá ganhar força mesmo com a inflação doméstica mais baixa. A estabilidade desta manhã revela, portanto, um equilíbrio provisório entre o IPCA-15 favorável e pressões externas ainda relevantes", esclareceu.

Já o CEO da Gravus Capital, Ricardo Trevisan, também confirmou que o movimento positivo do Ibovespa tem como principal gatilho o IPCA-15. Para o gestor, a composição do índice mostra uma desinflação mais disseminada, com destaque para a queda de preços de alimentos e bebidas.

"A Selic está hoje em 14,25% e o Copom (Comitê de Política Monetária) se reúne em 4 e 5 de agosto, então uma inflação corrente tão comportada devolve ao Banco Central o espaço para voltar a cortar", esclareceu Trevisan. "O que ainda segura a mão do mercado é o calendário externo. O Fed [Federal Reserve] decide amanhã [os juros nos Estados Unidos] e a aposta é de manutenção dos juros entre 3,50% e 3,75%."

Petróleo recua com Oriente Médio

No exterior, os preços do petróleo recuam diante de sinais de redução das hostilidades envolvendo o Irã e os EUA e a possibilidade de avanços sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global da commodity.

O Brent para outubro recuou cerca de 2%, a US$ 91,01 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) para setembro caiu 4%, a US$ 79,26.

Conversas entre autoridades iranianas, sauditas e omanenses sobre a segurança no estreito ajudaram a reduzir a percepção de risco nos mercados de energia. Apesar disso, permanecem incertezas sobre a duração da trégua entre EUA e Irã e sobre possíveis impactos no fornecimento global.

Bolsas internacionais

Nos EUA, os principais índices fecharam sem direção única, em meio à temporada de balanços corporativos e à pressão sobre ações de semicondutores. O Dow Jones fechou em alta de 1,03%, o S&P 500 subiu 0,21%, enquanto o Nasdaq caiu 0,22%.

Os investidores também aguardam a decisão de juros do Fed. A expectativa predominante é de manutenção das taxas, mas o mercado busca sinais sobre os próximos passos da política monetária americana.

Na Europa, os principais índices fecharam em alta, com investidores acompanhando a temporada de resultados e a queda do petróleo. O Stoxx 600 fechou em alta de 0,35%, o DAX, da Alemanha, subiu 0,41%, o FTSE 100, de Londres, subiu 0,83%, e o CAC 40, da França, subiu 0,63%.

Na Ásia, os mercados encerraram o pregão sem direção única, ainda pressionados pela forte queda das ações de semicondutores. O Nikkei, do Japão, despencou 3,95%, enquanto o índice australiano S&P/ASX 200 avançou 0,60% e o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,41%. Na China, o Shanghai Composite recuou 1,16%.

O movimento refletiu a continuidade da correção em empresas ligadas a chips, após perdas expressivas registradas na sessão anterior em mercados asiáticos.

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