Invest

China compra menos petróleo da Petrobras e estatal encontra novos mercados no 2º tri

Participação chinesa nas exportações de óleo caiu de 62% para 35%; companhia encontrou cinco novos clientes

Petrobras: China segue como principal comprador

Petrobras: China segue como principal comprador

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 28 de julho de 2026 às 19h47.

Priorizar nos meus resultados Google

Uma boa parte do petróleo quea a Petrobras (PETR3;PETR4) vende para o exterior mudou de mãos no segundo trimestre de 2026. A China, principal destino das exportações de óleo da estatal, recuou de 62% do total exportado no primeiro trimestre para 35% no segundo, segundo o relatório de produção e vendas divulgado nesta terça-feira, 28. No lugar dos chineses, entraram compradores da Índia, da Europa e de outros países da Ásia.

A queda na fatia chinesa não veio de uma retração da Petrobras. Pelo contrário, a companhia exportou mais petróleo do que nunca no trimestre, num volume que se aproximou de 1 milhão de barris por dia. O que mudou foi para quem esse petróleo foi vendido. Segundo o relatório, a China reduziu suas compras diante do cenário de preços do mercado internacional. A Petrobras conseguiu redirecionar o óleo para outros mercados.

Cinco novos clientes em quatro continentes

Para ocupar o espaço deixado pela China, a estatal fechou negócio com cinco refinarias que não compravam seu petróleo. São elas a Formosa, de Taiwan; a OQ Trading, de Omã; a Orlen, da Polônia; a Preem, da Suécia; e a Sasol, da África do Sul. Os tipos de petróleo vendidos a esses novos clientes foram os das áreas de Atapu, Búzios, Itapu, Sururu e Tupi, todas no pré-sal.

Mesmo com a fatia reduzida a 35%, a China ainda é o principal destino das exportações, seguida pela Índia, para onde foram 22% dos volumes, e pela Europa, com 18%. O restante da Ásia respondeu por 14%, a América Latina por 6%, e Estados Unidos e África do Sul por 2% cada.

Por que a Petrobras importou menos

O outro lado da balança comercial da estatal também melhorou. A Petrobras importou menos petróleo e menos combustível no trimestre, e o motivo está dentro das refinarias.

O parque de refino da companhia operou a plena carga. O fator de utilização das refinarias, indicador que mede o quanto elas estão processando em relação à sua capacidade de referência, chegou a 101,2%, um recorde histórico. Passar de 100% significa que a Petrobras opera acima do ritmo considerado padrão, extraindo mais combustível da mesma estrutura.

Com mais diesel e mais gasolina saindo das refinarias brasileiras, sobrou menos necessidade de buscar esses produtos no exterior. A importação de derivados caiu para 67 mil barris por dia, o menor volume trimestral já registrado pela companhia. A de petróleo recuou para 89 mil barris por dia, o menor patamar desde a pandemia.

Somando os dois movimentos, mais exportação e menos importação, a chamada exportação líquida, que é a diferença entre o que sai e o que entra, saltou 26,2% em relação ao primeiro trimestre e mais que dobrou na comparação com o mesmo período do ano passado.

O pano de fundo internacional

A própria Petrobras descreveu o trimestre como marcado por um cenário internacional volátil. O período foi de forte oscilação no preço do petróleo, movimento que costuma pesar tanto sobre o valor de cada barril exportado quanto sobre a decisão dos compradores. Nas semanas seguintes ao fechamento do trimestre, o Brent chegou a superar US$ 100 por barril em meio às tensões entre Estados Unidos e Irã e depois recuou.

No comércio exterior brasileiro, o trimestre também foi de atrito, com a entrada em vigor das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O petróleo, no entanto, ficou entre os produtos isentos da sobretaxa, o que limita o efeito direto da medida sobre as vendas externas da estatal.

Acompanhe tudo sobre:PetróleoExportaçõesChinaPetrobras

Mais de Invest

Lotofácil tem sorteio hoje? Entenda as mudanças no concurso deste domingo

Marca de Victoria Beckham tem primeiro lucro operacional e cresce 15%

Ásia revive sinais da crise de 1997, mas HSBC vê risco diferente com IA

Consumo de roupa íntima cresce com efeito Mounjaro e ação da Victoria's Secret dispara 195%