Ibovespa em 2025: Cogna, Cury e Axia lideraram as altas do índice no ano; Raízen, Hapvida e Natura tiveram as maiores quedas (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 30 de dezembro de 2025 às 19h15.
Em um ano marcado pelo forte apelo da renda fixa, a Bolsa de Valores do Brasil surpreendeu. O Ibovespa encerra o ano de 2025 nesta terça-feira, 30, com alta de 33,95%, o melhor desempenho em nove anos. Nesse movimento, dez ações se destacaram como as maiores altas do índice ao longo do ano, ganhando protagonismo no desempenho da principal referência do mercado acionário local.
No topo da lista dos papéis que mais subiram está a Cogna (COGN3), que protagonizou uma das reviravoltas mais marcantes do mercado. A ação começou 2025 valendo pouco mais do que centavos, após anos de forte volatilidade, alternando entre as maiores altas e as maiores quedas do índice.
Com quase 20 anos de história na bolsa, a companhia do setor educacional, que estreou como Kroton em 2007, registrou o maior ganho anual de sua trajetória: alta de cerca de 238,26% no ano, a maior do Ibovespa em 2025, com ampla vantagem sobre as demais 82 ações que compõem o índice.
Segundo o CEO da companhia ao INSIGHT, Roberto Valério, o desempenho reflete um processo de reestruturação iniciado há quatro anos, com foco no core business e no enxugamento da operação. "O mercado finalmente reconheceu o trabalho que vínhamos fazendo nos últimos quatro anos", afirmou o executivo.
Mas, além da educação, outros setores tiveram papel central entre as maiores altas do índice. O setor imobiliário e de construção civil emplacou nomes como Cury (CURY3), Cyrela (CYRE3) e Direcional (DIRR3).
O setor de energia também apareceu com força, com Axia (AXIA3 e AXIA6), Eneva (ENEV3) e CPFL Energia (CPFE3). Já o BTG Pactual (BPAC11),do mesmo grupo controlador da EXAME, representou o setor bancário, enquanto a Vivara (VIVA3) se destacou no varejo.
Estas foram as ações que mais se valorizaram no Ibovespa em 2025, considerando a variação acumulada no ano. O ranking foi elaborado nesta terça a partir do fechamento do último pregão do ano na B3 e o desempenho considera o retorno total ao acionista (total return), que inclui não apenas a valorização dos papéis, mas também a distribuição de dividendos ao longo do período.
Se, de um lado, algumas companhias sustentaram o avanço do Ibovespa, de outro, um grupo relevante de ações encerra 2025 entre as maiores quedas do índice, pressionadas por deterioração financeira, endividamento elevado e resultados operacionais fracos.
O maior destaque negativo do ano foi a Raízen (RAIZ4). As ações da joint venture entre a Cosan e a Shell atingiram em 2025 o menor preço histórico. A empresa enfrenta uma deterioração de sua situação financeira em meio a um cenário de juros elevados e alto nível de endividamento.
No balanço do terceiro trimestre de 2025, a Raízen ampliou significativamente o prejuízo, que passou de R$ 158 milhões para R$ 2,3 bilhões. O Ebitda caiu 39,7% na comparação anual, somando R$ 2,787 bilhões, enquanto a receita líquida recuou 17,8%, para R$ 59 bilhões.
Segundo a companhia, o trimestre foi marcado pela evolução das iniciativas do plano de transformação, com foco em simplificação, eficiência operacional e otimização da estrutura de capital. A administração afirmou ter reforçado a liquidez e aprimorado o perfil da dívida, substituindo linhas de curto prazo por instrumentos mais eficientes e de longo prazo.
Ainda assim, a alavancagem aumentou: a relação dívida líquida/Ebitda ajustado nos seis meses da safra 25/26 subiu para 5,1 vezes, ante 2,6 vezes na safra anterior.
Outras empresas também figuraram entre as maiores perdas do ano, incluindo Hapvida, Natura, Cosan, Braskem, Suzano e Rumo.