Setor imobiliário cai no Ibovespa: além de Direcional e Cyrela, outras construtoras também repercutem negativamente as prévias operacionais divulgadas ao longo da semana (Direcional/Divulgação)
Repórter
Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 11h53.
As ações da Direcional (DIRR3) lideram as quedas do Ibovespa nesta sexta-feira, 16, em um dia de índice no campo negativo. Perto das 11h40, quando o principal índice da B3 recuava 0,70%, aos 164.403 pontos, os papéis da construtora caíam 6,89%, no topo do ranking de maiores perdas.
O movimento reflete a leitura do mercado de que as prévias operacionais do quarto trimestre de 2025 vieram mais fracas e aquém do esperado. No mesmo horário, as ações da Cyrela (CYRE3) também figuravam entre as maiores baixas, com recuo de 3,69%.
Na noite desta quinta, 16, a Direcional divulgou que registrou vendas brutas de R$ 1,5 bilhão no quarto trimestre de 2025, com vendas líquidas de R$ 1,3 bilhão — alta de 5% na comparação anual. O valor geral de vendas (VGV) de lançamentos somou R$ 1,7 bilhão no período, avanço de 19,5% frente ao mesmo trimestre de 2024.
Ao longo do trimestre, o grupo lançou um VGV total de R$ 1,9 bilhão, sendo R$ 1,7 bilhão no percentual companhia, volume 4% acima do observado no 4T24. Considerando a participação de 88% da companhia nos lançamentos, o crescimento foi de 20% na comparação anual.
No acumulado de 2025, os lançamentos totalizaram R$ 6,9 bilhões em VGV (R$ 5,9 bilhões no percentual companhia), crescimento de 25% em relação a 2024, ou 29% ao se considerar a participação da empresa nos projetos. A Direcional também reportou geração de caixa recorde: R$ 389 milhões no quarto trimestre e R$ 882 milhões no ano, o maior patamar da história da companhia.
Ainda assim, a avaliação do mercado foi mais cautelosa. A Empiricus afirmou que os números vieram levemente abaixo das estimativas da casa, apesar de continuarem refletindo um bom momento operacional.
Segundo a análise, a menor janela de vendas da marca Direcional levou a uma queda do indicador de Vendas Sobre Oferta (VSO) trimestral para 21%. No período, a empresa adquiriu 26 terrenos, totalizando um VGV de R$ 8,4 bilhões, encerrando o ano com um landbank de R$ 58,4 bilhões em VGV (R$ 53,6 bilhões no percentual Direcional).
A casa também destacou a sólida geração de caixa, que permitiu distribuições consecutivas de capital aos investidores, somando R$ 1,5 bilhão em 2025, o equivalente a um dividend yield aproximado de 30%. Mesmo após a correção recente das ações, a Empiricus manteve recomendação de compra.
Já a Cyrela também opera em queda após a divulgação de seus dados operacionais. No quarto trimestre, a companhia lançou 21 empreendimentos, com VGV de R$ 4,531 bilhões — queda de 33% frente ao mesmo trimestre de 2024 e de 10% em relação ao terceiro trimestre do ano passado.
As vendas líquidas contratadas somaram R$ 3,33 bilhões, recuo de 32% na comparação anual e de 6% frente ao trimestre anterior. No acumulado do ano, porém, as vendas alcançaram R$ 13,163 bilhões, alta de 4% em relação a 2024.
O indicador de Vendas sobre Oferta (VSO) em 12 meses ficou em 45,2%, abaixo dos 55% registrados no mesmo período do ano anterior e também inferior ao observado entre julho e setembro.
"Os dados foram interpretados pelo mercado como um pouco priores do que o esperado", afirmou Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos. A leitura negativa está baseada especialmente pela queda do VGV de lançamentos e do recuo das vendas contratadas na base anual.
Segundo ele, embora o acumulado do ano ainda mostre crescimento, a piora do VSO chamou atenção negativa dos investidores.
Na avaliação de Renato Reis, analista fundamentalista da Blue3 Research, o setor como um todo vem apresentando sinais de desaceleração, o que explica o movimento de venda mais amplo nas ações das construtoras.
Para ele, o comportamento do VSO é o ponto mais sensível, já que a desaceleração observada nos últimos trimestres levanta dúvidas sobre se o movimento é apenas pontual ou mais estrutural. No caso da Cyrela, a queda do VSO de cerca de 50% para 45% reforçou a percepção de uma prévia operacional mais fraca, ainda que o nível não seja considerado crítico.
"É por isso que está caindo hoje [a Cyrela], fora que estamos numa manhã com juros futuros dando uma piorada. E como esse é um setor relativamente dependente de juros futuros, tem um beta mais alto, querendo ou não também quando tem um dia um pouco mais negativo [nos juros], o setor imobiliário costuma apanhar um pouco mais do que a média", disse Reis.
Além de Direcional e Cyrela, outras construtoras também repercutem negativamente as prévias operacionais divulgadas ao longo da semana.
As ações da MRV&Co (MRVE3) caem 2,57%, após a empresa reportar avanço nas vendas, mas queda nos lançamentos e recuo do VSO no quarto trimestre. Já os papéis da Cury recuam 0,63%, mesmo após a companhia divulgar geração de caixa recorde e pagamento elevado de dividendos, em um dia de ajuste mais amplo do setor na Bolsa.