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Ibovespa recua com siderúrgicas e cautela sobre indicação de Warsh ao Fed

No campo das perdas, as siderúrgicas e mineradoras pressionam o índice. Os papéis da Vale (VALE3), de peso no Ibovespa. recuam mais de 2%

 (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

(Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 11h22.

Última atualização em 30 de janeiro de 2026 às 11h42.

O Ibovespa opera em leve queda nesta sexta-feira, 30, em mais um pregão marcado por cautela. Após iniciar o dia rondando a estabilidade, alternando entre pequenas altas e baixas, o principal índice da B3 passou a recuar por volta das 10h30. Perto das 11h20, caía 0,12%, aos 182.918 pontos, depois de ter caido na sessão passada para o patamar dos 183 mil pontos ao interromper o rali das últimas semanas.

O movimento negativo é acompanhado por um desempenho fraco da maioria dos papéis do índice. Dos 84 ativos que compõem o Ibovespa, apenas 16 registravam alta no horário, enquanto 47 operavam estáveis e 21 recuavam.

Entre as maiores altas do dia aparece a Copasa (CSMG3), que avançava 1,92%. Nesta semana, a companhia mineira de saneamento informou que recebeu do governo de Minas Gerais, seu acionista controlador, os documentos com a modelagem da proposta de privatização e as alterações necessárias em seu estatuto social.

Ontem, contudo, o conselho de administração da empresa aprovou a conversão das ações ordinárias detidas pelo governo estadual em uma golden share, conforme comunicado ao mercado.

As ações de varejistas também figuram entre os destaques positivos, com Magazine Luiza (MGLU3) subindo 1,85%, Renner (LREN3) avançando 0,52% e C&A (CEAB3) registrando ganhos de 0,50%.

No campo das perdas, as siderúrgicas e mineradoras pressionam o índice. Os papéis da Vale (VALE3), que tem peso superior a 11% na composição do Ibovespa, recuam mais de 2% e contribuiem de forma relevante para a queda do indicador.

Os papéis da Petrobras apresentam desempenho misto: as ações ordinárias (PETR3) sobem 0,11%, enquanto as preferenciais (PETR4) caem 0,32%.

Indicação de Trump ao Fed no radar

O principal fator de atenção do mercado nesta sexta-feira vem do exterior. Antes da abertura dos mercados, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve (Fed), em substituição a Jerome Powell, que estava há quase oito anos à frente do banco central americano.

O anúncio ocorre em meio a questionamentos sobre a independência do Fed, após críticas recorrentes de Trump a Powell desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025. Em publicação na rede TruthSocial, Trump afirmou ter "o prazer de indicar Warsh" e elogiou o ex-diretor do Fed, escolhido após um processo conduzido pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, que avaliou 11 candidatos.

O nome de Warsh ainda precisa ser confirmado pelo Senado, onde enfrenta oposição. O senador republicano Thom Tillis já declarou que pretende barrar qualquer nomeação até a conclusão da investigação contra Powell.

Trump tem pressionado por cortes mais rápidos na taxa básica de juros, atualmente entre 3,5% e 3,75%, sob o argumento de que o nível elevado limita o crescimento econômico. Powell, por sua vez, defende que as decisões do Fed são técnicas e baseadas em dados econômicos.

Cautela global e reflexos no mercado brasileiro

A nomeação de Warsh ajudou a reduzir parcialmente o movimento de aversão ao risco nos mercados internacionais. O dólar e os rendimentos dos Treasuries diminuíram o ritmo de alta, enquanto os índices futuros das bolsas de Nova York operam em queda, influenciados pela repercussão de balanços corporativos e pelos dados do PPI, que vieram ligeiramente acima do consenso.

Às 11h08, o dólar subia 0,75% frente ao real, cotado a R$ 5,23.

Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, a escolha de Warsh reforça uma percepção de credibilidade institucional do indicado. Segundo ela, embora o ex-diretor do Fed, que atuou entre 2006 a 2011, defenda cortes de juros, seu histórico mais hawkish, focado em uma política monetária mais restritiva, reduz o risco de captura política do Fed, o que diminui o prêmio de risco no longo prazo.

No curto prazo, porém, uma postura mais dura pode pressionar ações de crescimento e de tecnologia.

"Para o Brasil e emergentes, o impacto pode ser de pressão via dólar forte e yields globais mais altos no curto prazo, com a projeção de juros caindo mais lentamente. Mas o mais importante é que a escolha de Trump baixa o tail risk político e pode levar a um repricing global de taxas mais saudável para o longo prazo", disse Zogbi.

Já Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, avalia que o novo presidente do Fed não é um nome disruptivo e tende a manter a tradição da instituição. Ele destaca que o mercado interpreta a indicação como relativamente mais hawkish do que outros nomes cogitados, o que pode limitar cortes mais agressivos de juros ainda em 2026.

No Brasil, segundo Cruz, o fechamento da semana tende a ser mais negativo.

"Há uma realização de lucros um pouco mais forte nas commodities metálicas e isso tem impactado aqui dentro também, nas empresas mineradoras, nas empresas do setor", disse Cruz.

Na mesma linha, Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos, aponta que o humor dos investidores é influenciado por dois fatores principais: o aumento da cautela nos mercados globais e a digestão dos recordes recentes da Bolsa.

"Os mercados acionais mundiais, em geral, recuaram nos últimos dias, puxados por resultados de tecnologia nos Estados Unidos e incertezas políticas. Isso acaba refletindo, não tem jeito, em mercados emergentes como o Brasil, e acaba criando um ambiente de pressão vendedora que começa a pesar sobre o índice local, e parece que a gente está enxergando isso no dia de hoje", afirmou Cecco.

"Em resumo, um movimento global negativo e a realização de lucro para os recordes são os principais indicadores que a gente enxerga no início do pregão de hoje".

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