Carreira

‘Líderes formam líderes’: a estratégia desta diretora para desenvolver talentos na Direcional

Matéria baseada em entrevista com Valeria Plata, Diretora de Gestão de Pessoas da Direcional Engenharia

Valeria Plata, diretora de Gestão de Pessoas da Direcional Engenharia

Valeria Plata, diretora de Gestão de Pessoas da Direcional Engenharia

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 10h28.

A cena se repete em cada edição do “Dia D”. Um auditório cheio de aprendizes e estagiários observa, em silêncio atento, líderes jovens e veteranos subirem ao palco para contar suas trajetórias — sucessos, erros, dúvidas, lições. Alguns desses líderes começaram exatamente ali, sentados entre os estagiários.

Outros já acumulam décadas de engenharia. Para Valeria Plata, diretora de Gestão de Pessoas da Direcional Engenharia e membro do Clube CHRO da EXAME e Saint Paul, é nesse encontro entre gerações que a cultura da empresa se materializa: uma cultura em que, como ela define, “líderes formam líderes”.

Valeria detalha a estratégia que vem redesenhando a formação de liderança e o desenvolvimento de jovens talentos no grupo. Dois programas — o DiRi Mentoring, voltado para líderes, e o Protagonize, dedicado a aprendizes, estagiários e trainees — revelam como a Direcional busca preparar pessoas em diferentes estágios de carreira, estimulando protagonismo, profundidade técnica e crescimento sustentável dentro da organização.

Com mais de 25 anos de experiência em Recursos Humanos, comunicação interna, projetos, saúde, segurança e sustentabilidade, Valeria construiu sua trajetória em empresas familiares e multinacionais, sempre transitando por estruturas complexas e culturas diversas.

Atuou como consultora e senior advisor, estruturou áreas de RH e implantou governança corporativa para gestão de pessoas, definindo políticas, mitigando riscos estratégicos, trabalhistas e previdenciários. Liderou business partners, implementou softwares de people analytics e programas robustos de formação.

Ao chegar à Direcional, assumiu a responsabilidade pela estratégia completa de RH, remodelando a estrutura, programas e processos de RH para suportar o crescimento do negócio.

Sua base, no entanto, continua sendo o desenvolvimento de pessoas. “Embora eu cuide de toda a área de RH, a área de desenvolvimento de pessoas é a minha área de formação”, afirma.

O nascimento do DiRi Mentoring

Dentro da DiRi Academy — a estrutura de aprendizagem corporativa que organiza cursos, workshops, fóruns, coaching e feedback estruturado — um programa de liderança já vinha funcionando havia três anos, combinando sala de aula invertida e workshops presenciais. Mas algo chamou a atenção da área de RH: a necessidade de um canal mais direto de troca entre líderes.

A partir dessa observação surgiu o DiRi Mentoring, programa em que líderes experientes se tornam mentores de outros líderes. O primeiro passo foi perguntar quem tinha real interesse em ser mentor. “Tem que partir deles esse desejo. Exige disponibilidade, exige doação de tempo e de repertório”, diz Valeria.

Depois veio a etapa decisiva de analisar se esses líderes estavam prontos para mentorar. A empresa cruzou as indicações com avaliações de desempenho e comportamentais.

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Alguns candidatos descobriam, no processo, que competências listadas como pontos fortes eram justamente seus maiores pontos de desenvolvimento. O critério não era excluir, mas gerar autoconhecimento. “Muitas vezes o que a pessoa prega não é exatamente o que ela executa”, a diretora comenta.

Ao final, 18 mentores foram aprovados. E, em uma escolha consciente, a Direcional deixou que as competências surgissem deles: gestão de carreira, visão sistêmica, liderança, habilidades de gestão.

Paralelamente, 23 mentorados foram selecionados entre talentos mapeados em sucessão e alta performance. Valeria fala de forma bem clara que a compatibilidade só funciona quando existe intenção de ambos os lados: “Eu quero ser mentor, eu quero ser mentorado.”

Após workshops preparatórios com um mentor profissional, a dinâmica estabelecida foi que os mentorados escolhem seus mentores dentro da plataforma, analisando cases, competências e trajetórias. O RH acompanha, mas não interfere.

"Queríamos sair do modelo tradicional de sala de aula e trazer protagonismo para quem está na jornada"Valeria Plata, diretora de Gestão de Pessoas da Direcional Engenharia

O desafio do protagonismo entre jovens talentos

Se o DiRi Mentoring atende lideranças experientes, o Protagonize mira o outro extremo da pirâmide. Hoje, a Direcional tem 886 jovens profissionais distribuídos em três trilhas: 317 aprendizes, 563 estagiários e 6 trainees — estes últimos identificados por meio do eixo Acelere, que acelera carreiras internas com base em potencial e entrega.

O programa combina trilhas de competências não técnicas e técnicas, gamificação por meio do DiRi Points e feedback estruturado nas reuniões de alinhamento. Mas a falta de iniciativa entre muitos jovens foi um padrão que chamou a atenção da liderança. “Eles têm um potencial gigantesco, mas esperam ser convidados”, resume Valeria.

Valeria Plata, diretora de Gestão de Pessoas da Direcional Engenharia

Outro desafio recorrente é a relação com a repetição e com a profundidade técnica, especialmente na engenharia. Ela explica: “Uma frente de serviço nunca é igual à outra. Você precisa repetir para ganhar experiência. Vai errar, vai fazer de novo, talvez errar de novo, e na terceira vez acertar.”

O Protagonize foi criado para ajudar nessa construção de repertório, mostrando que cada etapa — aprendiz, estágio, aceleração — é parte de uma jornada longa dentro da empresa. Não por acaso, a executiva cita líderes atuais que começaram como estagiários há 12 anos e hoje comandam canteiros e equipes inteiras.

No Dia D, a ligação entre as gerações se reforça, onde os líderes contam histórias reais de fracassos, escolhas e aprendizados. Jovens observam, se reconhecem e se projetam.

Mesmo líderes que não atuam como mentores formais participam como influenciadores — e voltamos ao princípio central de Valeria de que líderes formam líderes.

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A lógica por trás dos programas: desenvolver pessoas respeitando o tempo de cada carreira

Ao final da conversa, Valeria resume o sentido maior dos programas. O DiRi Mentoring nasce da experiência e da maturidade; o Protagonize, da energia e do potencial. Mas ambos se encontram no mesmo propósito de desenvolver pessoas respeitando o estágio de carreira em que cada uma está.

“Não é com a mesma ferramenta que a gente desenvolve pessoas em momentos diferentes”, diz. “A área de desenvolvimento precisa se preocupar com necessidades distintas e ofertar programas que atendam cada uma delas”, ela finaliza.

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