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Como recorde em maratona pode ser guinada para ações da Adidas

Feito inédito em maratona reforça posição da marca na corrida de alta performance e intensifica disputa com rivais

Sabastian Sawe: primeiro atleta a completar uma maratona oficial em menos de duas horas

Sabastian Sawe: primeiro atleta a completar uma maratona oficial em menos de duas horas

Caroline Oliveira
Caroline Oliveira

Colaboradora na Exame

Publicado em 28 de abril de 2026 às 10h30.

A Adidas ganhou impulso no mercado após um feito inédito no atletismo. As ações da fabricante alemã fecharam em alta de mais de 1% na segunda-feira, 27, na bolsa de Frankfurt. Os papéis vinham sangrando por três dias seguidos até o queniano Sabastian Sawe se tornar o primeiro atleta a completar uma maratona oficial em menos de duas horas, usando um tênis da marca.

O recorde foi estabelecido na Maratona de Londres deste domingo, 26, com o tempo de 1h59min30s — superando a marca anterior de 2h00min35s. O feito foi alcançado com o tênis Adizero Adios Pro Evo 3, modelo ultraleve da Adidas que pesa cerca de 97 gramas e incorpora tecnologias como espuma de alta responsividade e placa de carbono.

“A grande diferença é que ele é muito leve e muito confortável”, disse Sawe a jornalistas, conforme divulgado pela Reuters.

O desempenho não foi isolado. O etíope Yomif Kejelcha, segundo colocado na prova masculina — apenas 11 segundos atrás de Sawe —, e a etíope Tigst Assefa, vencedora da prova feminina com recorde exclusivo de 2h15min41s, também utilizaram o mesmo modelo. De acordo com a agência, Assefa atribuiu a vitória a um tênis que “permite correr rápido”, aliado a anos de disciplina e treinamento.

A sequência de resultados reforça o posicionamento da Adidas no segmento de corrida de alta performance e ajuda a consolidar a credibilidade do produto. “Isso é uma prova dos anos de trabalho árduo e dedicação que eles [atletas] empenharam, juntamente com nossa equipe de inovação, que construiu um supertênis que estabelece um novo marco”, disse Patrick Nava, gerente geral de corrida da Adidas, à Bloomberg.

Vantagem competitiva no mercado de “supertênis”

O episódio ocorre em meio à disputa tecnológica entre grandes marcas esportivas pela liderança no mercado de tênis de corrida — especialmente os chamados “supertênis”, que combinam materiais ultraleves e estruturas que melhoram a eficiência da corrida.

Para a Adidas, o recorde representa um ganho simbólico relevante frente à Nike, que por anos liderou esse segmento e protagonizou tentativas anteriores de quebrar a barreira das duas horas, ainda que fora de competições oficiais. A conquista de Sawe é considerada um marco por ter ocorrido dentro das regras da modalidade.

Marcas especializadas como Hoka e On também vêm se beneficiando da alta demanda, enquanto a Nike tem buscado atualizar seu portfólio. “A Nike está lançando novas versões dos seus modelos Alphafly e Vaporfly, mas elas só chegarão mais tarde neste ano”, afirmou Simon Jaeger, gestor da Flossbach von Storch, à Reuters. Segundo ele, a empresa enfrentou dificuldades recentes por “não ser inovadora o suficiente”.

Mercado em expansão

A conquista da Adidas surge em um contexto de crescimento do mercado global de corrida. Maratonas chegam a reunir mais de 50 mil participantes, e fabricantes monitoram de perto a presença de suas marcas nas provas. Nos Estados Unidos, o segmento de tênis de corrida cresceu 13% no ano até fevereiro, alcançando US$ 8,1 bilhões, segundo dados da Circana LLC, divulgados pela Bloomberg. Mundialmente, a categoria de calçados de performance pode alcançar US$ 104 bilhões até 2030, de acordo com a Euromonitor em matéria da agência.

Esse cenário tem levado a Adidas a reforçar sua presença no segmento. A companhia vem reposicionando sua divisão de corrida nos últimos anos, buscando capturar a popularidade crescente do esporte e reduzir a dependência de linhas mais ligadas à moda, como Samba e Gazelle.

Segundo a empresa, o novo modelo é cerca de 30% mais leve que a versão anterior e melhora a eficiência da corrida em cerca de 1,6%.

O novo tênis será disponibilizado inicialmente via aplicativo da marca, com lançamento mais amplo previsto para a temporada de maratonas do outono no Hemisfério Norte. Com preço estimado em cerca de US$ 500 (aproximadamente R$ 2.500), o produto deve permanecer fora do alcance da maior parte dos corredores. A empresa também tem se beneficiado da demanda por modelos mais acessíveis, como o Adizero Evo SL, vendido por US$ 150 (cerca de R$ 750), uma versão mais enxuta do calçado utilizado por atletas de elite.

Na visão de Jaeger, a Adidas tem conseguido se destacar tanto em tênis casuais quanto na corrida de performance.

Apesar da reação positiva no pregão, as ações da Adidas ainda acumulam queda de cerca de 18% no ano, refletindo preocupações com o impacto de tarifas, incertezas econômicas e tensões geopolíticas sobre o setor global de vestuário esportivo.

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