Esporte

O que Sabastian Sawe comeu antes de correr a maratona de Londres em menos de 2h

Queniano apostou em dieta simples e treinos de até 241 km por semana para fazer história com 1h59min30 em Londres

Sabastian Sawe: atleta completou a prova e se tornou o primeiro atleta a correr uma prova oficial abaixo de duas horas (Justin Tallis/Getty Images)

Sabastian Sawe: atleta completou a prova e se tornou o primeiro atleta a correr uma prova oficial abaixo de duas horas (Justin Tallis/Getty Images)

Publicado em 28 de abril de 2026 às 12h28.

Última atualização em 28 de abril de 2026 às 12h29.

Pouco antes de fazer história na Maratona de Londres, o queniano Sabastian Kimaru Sawe manteve uma rotina simples — inclusive à mesa.

O café da manhã do recordista mundial foi direto ao ponto: pão com mel.

A escolha contrasta com o tamanho do feito. No domingo, 26, Sawe completou os 42,195 km em 1h59min30 e se tornou o primeiro atleta a correr uma maratona oficial abaixo de duas horas.

Segundo ele e sua equipe, o desempenho foi resultado direto de uma rotina disciplinada.

Café da manhã antes da largada

Horas antes da corrida, Sawe manteve um ritual básico: café da manhã com pão e mel. A escolha, simples, faz parte de uma estratégia focada em garantir energia rápida antes da largada.

Durante a prova, o atleta também utilizou géis de carboidrato para sustentar o ritmo até os quilômetros finais.

Até 241 km por semana

A preparação do atleta acontece longe dos holofotes. Sawe treina em um acampamento de alta altitude em Kapsabet, no oeste do Quênia, onde vive em quartos compartilhados com outros atletas. A rotina é intensa e isolada. Segundo Art Voice, ele vê a esposa e o filho cerca de duas vezes por mês.

Nas semanas que antecederam Londres, o volume de treino foi decisivo. De acordo com o técnico Claudio Berardelli, o atleta correu mais de 200 km por semana, com pico de 241 km semanais.

O treinador afirmou que o atleta chegou a Londres em condição física superior à apresentada meses antes, quando tentou o recorde em Berlim, mas foi prejudicado pelo calor.

Descrito por colegas e treinadores como calmo, analítico e profundamente focado, Sawe mantém um perfil discreto fora das competições.

A trajetória no atletismo de elite também é recente. Em 2022, ele foi contratado para ditar o ritmo da prova na Meia Maratona de Sevilha. Desde então, migrou para as provas de longa distância e acumulou quatro vitórias em quatro maratonas disputadas, todas com tempos abaixo de 2h03.

O tênis usado na corrida

Além da carga de treinos e da alimentação, a preparação contou com suporte tecnológico.

Sawe utilizou o Adidas Pro Evo 3, modelo descrito por sua equipe como o primeiro “super tênis” com menos de 100 gramas, projetado para ganho de desempenho.

Segundo Berardelli, a combinação entre calçado e estratégia de nutrição faz parte de uma nova fase das maratonas, em que cada detalhe influencia o resultado final.

Para o treinador, o recorde é fruto de um conjunto de fatores, físicos e mentais. Ele descreve o atleta como alguém com atitude, disciplina e consistência, além de ainda não ter atingido seu potencial máximo.

Como foi a maratona

O pelotão de elite foi organizado para sustentar um ritmo de recorde desde o início. O grupo líder passou pela meia maratona em 1:00:29, o que obrigava Sabastian Kimaru Sawe a acelerar na segunda metade da prova para terminar abaixo de duas horas.

Foi o que ele fez. O queniano completou os 21 quilômetros finais em 59:01, ritmo suficiente para transformar a tentativa em recorde mundial.

A arrancada decisiva veio entre os 30 e os 35 quilômetros. Nesse trecho, Sawe registrou um split de 13:54 e abriu distância ao lado do etíope Yomif Kejelcha, deixando o restante do pelotão para trás.

Nos metros finais, Sawe se descolou de Kejelcha e avançou sozinho pelo Mall, passando pelo Palácio de Buckingham antes de cruzar a linha de chegada. “Quando cheguei à linha de chegada, vi o tempo e fiquei tão animado", conta.

Kejelcha também terminou abaixo das duas horas. Em sua estreia na maratona, o etíope fez 1:59:41. O ugandês Jacob Kiplimo foi terceiro, com 2:00:28.

Os três primeiros colocados correram abaixo do recorde mundial anterior, de 2:00:35 — isso nunca havia acontecido em uma maratona.

Acompanhe tudo sobre:MaratonasCorrida

Mais de Esporte

Masters 1000 de Roma: Sinner e Medvedev retomam duelo neste sábado, 16 de maio

Quanto vale um jantar com Stephen Curry e Warren Buffett? Lance chega a US$ 9 milhões

Masters 1000 de Roma: disputa entre Sinner e Medvedev é interrompida por chuva

Convocações da Copa do Mundo 2026: veja as listas já divulgadas pelos países