Ações de educação: Cogna encabeça ganhos do Ibovespa após subir mais de 200% em 2025 (Cogna/Divulgação)
Repórter
Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 13h43.
As ações de Cogna (COGN3) e Yduqs (YDUQ3) operam em pontas opostas do pregão desta quarta-feira, 7, refletindo diretamente a revisão de recomendações feita pelo JPMorgan para o setor de educação. Enquanto a Cogna lidera os ganhos do dia, a Yduqs aparece entre as maiores quedas da Bolsa.
Por volta das 13h20, as ações da Cogna avançavam 6,31% mesmo em um cenário negativo para o mercado como um todo, com o Ibovespa recuando 1,08%, aos 161.892 pontos. Na ponta oposta, a Yduqs registrava queda de 6,51%, a maior do dia, em uma sessão marcada por perdas generalizadas, com 64 dos 83 papéis que compõem o Ibovespa em baixa no mesmo horário.
"O movimento evidencia a rotação interna dentro do setor de educação, com investidores migrando para ativos considerados mais descontados", afirma o CEO da Sttart Pay, Carlos Henrique.
O desempenho da Cogna está diretamente ligado à decisão do banco norte-americano de elevar a recomendação da companhia para compra (overweight).
"Boas perspectivas de crescimento e valorização, upgrade para OW [overweight]. Prevemos um crescimento de 12% na receita em 2026, acima dos 5-8% dos concorrentes, enquanto as ações são negociadas a valorizações atraentes de 5,4x P/E ’26E / 4,2x ’27E", diz um trecho do relatório divulgado nesta quarta.
Segundo Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, a reação positiva do mercado é típica quando um banco estrangeiro revisa sua visão de forma favorável. "Sempre que tem uma recomendação de compra, principalmente de um banco estrangeiro, há uma certa elevação por conta do apetite do mercado", disse.
De acordo com Sant’Anna, o relatório destaca um forte potencial de crescimento da Cogna em 2026, além de valuations considerados atrativos. O JP Morgan estabeleceu preço-alvo de R$ 6,50 para as ações, bem acima do valor de mercado atual, em torno de R$ 3,50.
"É um preço-alvo muito acima, que cita uma perspectiva de crescimento da empresa e do setor de educação no ano de 2026", afirmou o especialista.
Na direção contrária, o JP Morgan rebaixou a recomendação da Yduqs para neutra, o que pressionou os papéis da companhia ao longo do pregão. Para o banco, a empresa apresenta uma relação risco-retorno menos atraente neste momento, principalmente em função do valuation mais elevado em comparação aos pares e de um crescimento esperado mais limitado.
No relatório, a instituição revisou suas estimativas após os resultados do terceiro trimestre de 2025 e ajustou suas preferências para 2026.
"Consideramos a Yduqs uma empresa sólida, mas o crescimento da receita deve ser inferior ao da Cogna (5% contra 12%) em 2026, e as ações estão sendo negociadas a múltiplos relativamente altos de 7,1x P/E ’26E, caindo para 4,7x ’27E, contra 5,4x/4,2x para a Cogna e múltiplos mais baixos para a Ser/Anima", afirmou o banco dos EUA.
"Além disso, vemos o EPS ajustado para 2025 em R$ 1,53 contra a orientação de R$ 1,70-2,00, e o EPS ajustado para 2026 em R$ 1,99 contra R$ 2,20-3,20", acrescentou o JP Morgan.
Além da Cogna, o banco elevou a Ânima para compra, tornando-a sua principal escolha no setor, e manteve Ser Educacional e Laureate também com recomendação de compra. Por outro lado, rebaixou Yduqs e Afya para neutro, apontando menor potencial de crescimento e menos benefícios com o esperado ciclo de flexibilização monetária.
O banco destaca que passou a focar mais nos lucros do que na geração de fluxo de caixa livre, entendendo que as empresas do setor já demonstraram capacidade de converter resultados em caixa. "A Afya seria a empresa menos afetada em um ciclo de flexibilização, dada sua baixa alavancagem", diz o banco.
Os economistas do JP Morgan esperam que o ciclo de flexibilização das taxas de juros brasileiras comece em março de 2026 com um corte de 50 pontos base, seguido de mais 7 cortes semelhantes em cada uma das reuniões subsequentes de 2026.
"[A taxa básica de juros, a Selic], deve fechar o ano em 11,5%. Mais cortes são esperados para 2027, encerrando o ano em 9%. Observamos que o JP Morgan está mais dovish do que o consenso coletado pelo relatório de foco do BCB [Banco Central do Brasil] em 12,25% para 2026 e ainda mais em 2027, onde o consenso está em 10,5%", afirma o banco.