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Ceticismo sobre guerra impulsiona dólar e pressiona euro

Investidores duvidam de solução rápida apesar de uma sinalização positiva de Donald Trump; o Irã negou ter participado de negociações diretas com o governo estadunidense

Dólar: índice do dólar (DXY) subiu 0,2%, para 99.362 pontos. (Yuji Sakai/Getty Images)

Dólar: índice do dólar (DXY) subiu 0,2%, para 99.362 pontos. (Yuji Sakai/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 24 de março de 2026 às 07h36.

O dólar recuperou parte das perdas nesta terça-feira, 24, com investidores céticos quanto a uma resolução rápida da guerra no Irã, mesmo após sinais de possível alívio nas tensões.

Declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre conversas "muito boas e produtivas" para encerrar o conflito trouxeram algum alívio, embora o Irã tenha negado a existência de negociações.

O índice do dólar (DXY) subiu 0,2%, para 99.362 pontos, após queda na sessão anterior, acumulando alta de 1,7% no mês. Já o euro recuou mais de 0,3%, para cerca de US$ 1,15, enquanto a libra caiu 0,5%, para US$ 1,33.

O movimento reflete a busca por ativos de proteção diante da incerteza geopolítica. O adiamento de ataques à infraestrutura energética iraniana também contribuiu para reduzir a volatilidade no curto prazo.

O estrategista de câmbio do National Australia Bank, Rodrigo Catril, afirmou que o impacto foi limitado, mas o histórico político de Trump mantém os mercados cautelosos.

"Os comentários deram um alívio à volatilidade pelo menos, mas é difícil imaginar que isso vá desencadear uma tendência de apetite ao risco", disse ele à Reuters.

Energia e juros no radar

A guerra segue como fator central para os mercados, com impacto direto sobre o fluxo global de energia pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo no mundo, que foi fechada pelo Irã.

Os preços do petróleo voltaram a subir, com o Brent acima de US$ 101 por barril, após forte queda no dia anterior.

O estrategista de câmbio do Handelsbanken, Tommy von Brömsen, avaliou junto à Reuters que um eventual fim do conflito no Oriente Médio pode reverter o movimento atual.

Já os investidores reduziram apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed), enquanto mercados projetam ao menos dois aumentos de juros na Europa e no Reino Unido.

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