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Brasil é a grande aposta do BBI — com destaque para small caps

Bradesco projeta alta de 20% do MSCI Latam em 2026, com três catalisadores no radar

Bradesco BBI: Brasil, Argentina e Chile têm recomendação de compra (Germano Lüders/Exame)

Bradesco BBI: Brasil, Argentina e Chile têm recomendação de compra (Germano Lüders/Exame)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 4 de dezembro de 2025 às 11h35.

Olhando para América Latina, o Brasil é a grande aposta do Bradesco BBI, é o que revela um relatório divulgado nesta quinta-feira, 4. Para o banco de investimento, o MSCI Latam deve crescer 20% em 2026 — mais que o dobro da média história de 8%. Esse movimento, por sua vez, será impulsionado por três fatores: eleições, ciclos de queda de juros e reformas econômicas.

O Brasil e a Argentina estão com recomendação de compra, muito por conta da possibilidade de cortes de juros e oportunidades de valorização em função das eleições. O Chile também está overweight, mas já “é uma história de crescimento estrutural”. Já para o México há uma visão neutra, com seus catalisadores ficando mais para o fim do período.

O mercado também está de olho em mais cortes de juros pelo Fed, mas o fator já está precificado, além do enfraquecimento do dólar devendo desacelerar. Por conta disso, os drivers locais devem dominar, com as diversas disputas eleitorais (Chile, Peru, Colômbia e Brasil) em foco.

Tudo isso se soma ao início do ciclo de queda de juros no Brasil e às reformas econômicas na Argentina, no Chile e até no México — além da diminuição de incertezas na renegociação do USMCA (acordo Estados Unidos-México-Canadá) e de sua recuperação cíclica, diz o relatório.

Qual país?

O BBI afirma que o Brasil deve liderar a região no primeiro semestre, apoiado por um ciclo de cortes visto como antecipado e de baixo risco, somado ao potencial eleitoral. Entre as brasileiras, o banco amplia a exposição a companhias sensíveis à taxa de juros, como Localiza, Assaí e Allos, além da defensiva Sabesp.

A Argentina aparece como a aposta mais arriscada, mas também com maior possibilidade de retorno, sustentada por reformas concentradas no início do ano e pela chance de surpresas positivas nos lucros. No Chile, a visão segue otimista, com o BBI enxergando potencial adicional em valuation, resultados e valorização do peso chileno — Banco de Chile e Falabella estão entre os nomes preferidos.

No México, apesar da cautela com o câmbio e com valuations já esticados, o relatório cita Banorte, Cemex e Vesta como oportunidades ligadas à recuperação econômica e à reorganização do USMCA.

Destaque para small caps

O relatório também traz mudanças relevantes nas top picks do BBI para o primeiro semestre de 2026. Entre as large caps, entraram nomes como Nubank, América Móvil, Axia (ex-Eletrobras) e Localiza. Já entre as small caps, as apostas incluem Direcional, Intelbras, Grupo SBF e Mater Dei.

O banco aponta ainda tendências setoriais que devem ganhar força em 2026 — como a alta dos preços de geração elétrica no Brasil, o avanço dos yields do ‘Fluxo de Caixa Livre para o Acionista’ em saúde e educação, spreads mais atrativos nas concessões de rodovias e uma disputa maior no setor de distribuição de combustíveis com foco no combate à informalidade.

Por fim, o relatório destaca que ações offshore continuam a superar o MSCI Latam e que, em 2026, há uma boa chance de small caps finalmente superarem as large caps.

Para o BBI, o fator “value” deve voltar a vencer o “growth”, reforçando um cenário favorável para papéis descontados e de beta mais elevado.

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