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Bolsas globais sobem, mas temor com IA e EUA limita otimismo

Movimento foi impulsionado pela retomada do setor de semicondutores nos EUA, mas o sentimento de otimismo é moderado devido a dúvidas sobre os dados econômicos do país e de altos gastos em IA

Bolsas: ações globais recuperam fôlego após volatilidade. (Getty Images)

Bolsas: ações globais recuperam fôlego após volatilidade. (Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 09h48.

As ações de empresas negociadas nas bolsas de valores ao redor do mundo registraram alta nesta segunda-feira, 9, em um eventual cenário de recuperação após uma semana de forte volatilidade que afetou diversos mercados. De lá para cá, investidores buscaram ativos desvalorizados para “comprar barato”.

O movimento de avanço foi impulsionado pela retomada das ações de tecnologia, prata, Bitcoin e pelo setor de semicondutores nos Estados Unidos, mas o sentimento de otimismo é moderado devido a dúvidas sobre os dados econômicos do país e de altos gastos em inteligência artificial, entre outros.

O cenário positivo é sustentado, também, pela expectativa de que o Federal Reserve (Fed) realize um corte de juros até junho. No entanto, o mercado está em estado de espera pelos dados cruciais que serão divulgados ao longo desta semana, como os relatórios de empregos (Payroll, em inglês), da inflação e dos gastos dos consumidores.

Dados econômicos dos EUA e política do Fed

O otimismo, no entanto, é limitado por questões políticas envolvendo o banco central dos EUA, que geram incertezas não só no país como em outras potências, o que inclui a interferência do presidente norte-americano Donald Trump na instituição, com a troca do ex-dirigente Jerome Powell por Kevin Warsh.

A expectativa é reforçada por dados econômicos considerados "sôfregos", segundo o estrategista-chefe global do J.P. Morgan Asset Management, David Kelly, que descreveu ao The Wall Street Journal (TWSJ) o país com uma "economia nota C-menos sustentando um mercado de ações nota A-mais".

Os últimos relatórios do Payroll indicaram, também, que o número de vagas de emprego nos EUA caiu em quase um milhão no ano passado, e a criação de vagas no setor privado em janeiro ficou muito abaixo das projeções do mercado. Dados novos foram adiados pelo shutdown e são esperados para quarta-feira, 11.

A divulgação desses dados, a inflação e os gastos dos consumidores são vitais para as próximas decisões da política monetária. Para manter o sentimento atual, os indicadores precisam ser benignos o suficiente para justificar cortes de juros, sem demonstrar uma fraqueza que ameace a demanda do consumidor e os lucros corporativos.

Embora os mercados tenham mostrado resiliência na última sexta-feira, com o Dow Jones superando os 50.000 pontos pela primeira vez, analistas preveem que a volatilidade característica do início de 2026 deve persistir por algum tempo, de acordo com o diretor de investimentos da Bellwether Wealth, Clark Bellin, ao TWSJ.

O dólar sofreu leve pressão após relatos de que a China orientou seus bancos a reduzirem exposição aos títulos do Tesouro dos EUA: os Treasuries. Já a incerteza política sobre a sobrevivência do primeiro-ministro Keir Starmer, do Reino Unido, pressionou a libra e afetou o rendimento dos títulos públicos lá, disseram especialistas à Reuters.

Um dos grandes destaques foi, ainda, o índice Nikkei, do Japão, que subiu 3,9% e atingiu uma máxima histórica após a vitória eleitoral da primeira-ministra Sanae Takaichi. No local, a economista sênior de pesquisa da Aberdeen, Sree Kochugovindan, relatou à Reuters que o foco dos investidores será a expansão fiscal e os cortes de impostos.

Incertezas no setor de tecnologia e gastos com IA

Como nem tudo são flores, um dos fatores de incerteza, também, é que as gigantes de tecnologia dos EUA planejam gastar US$ 650 bilhões em despesas de capital apenas em 2026, o que levanta questionamentos sobre a capacidade dessas companhias entregarem os lucros esperados, segundo especialistas consultados pela Reuters.

O estrategista global sênior da Edward Jones, Angelo Kourkafas, ouvido pelo TWSJ, afirmou que "o mercado de alta permanece intacto" e vê recuos como oportunidades de reengajamento. "Consideramos qualquer recuo como uma oportunidade para realmente retomar o investimento", acrescentou.

Em contrapartida, também há sinais claros de ceticismo, com as ações da Amazon caindo 5,6% depois da empresa anunciar planos de gastar US$ 200 bilhões em custos relacionados à IA em 2026. A inteligência artificial pode, ainda, ser uma ameaça às companhias de software no longo prazo.

Kelly, em sentido similar, disse que "a IA parece ser bastante inteligente em programação", mas que "as empresas não vão simplesmente abandonar o software embutido em todos os seus sistemas da noite para o dia."

"Mas, como um desafio a longo prazo, a IA parece representar uma ameaça real ao software."David Kelly, estrategista-chefe global do J.P. Morgan Asset Management

Já o diretor de investimentos da Bellwether Wealth, Clark Bellin, declarou ao TWSJ que pretende reduzir a exposição em tecnologia para reforçar posições em setores industriais e de materiais, citando preocupações com a especulação que impulsionou certos segmentos do mercado.

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