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Bolsas do Japão disparam após vitória histórica de Takaichi

Índice Nikkei 225 avançou até 5,7% e ultrapassou a marca de 57.000 pontos pela primeira vez, enquanto o Topix renovou recorde ao romper o nível de 3.800 pontos após vitória da primeira-ministra Sanae Takaichi

Japão: embora cenário favoreça as ações, tende a pressionar o iene  (JIJI Press  /AFP)

Japão: embora cenário favoreça as ações, tende a pressionar o iene (JIJI Press /AFP)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 07h07.

O mercado de capitais japonês atingiu patamares históricos nesta segunda-feira, 9, em reação à vitória da primeira-ministra Sanae Takaichi nas eleições gerais antecipadas realizadas no domingo, 8.

O índice Nikkei 225 avançou até 5,7% e ultrapassou a marca de 57.000 pontos pela primeira vez, enquanto o Topix renovou recorde ao romper o nível de 3.800 pontos.

O pleito garantiu ao Partido Liberal Democrata (LDP) uma supermaioria de dois terços no Parlamento: a maior vantagem da legenda desde sua fundação, em 1955, com potencial para ocupar 366 das 465 cadeiras da Câmara Baixa.

Para o time de analistas do ING, o resultado dá a Takaichi maior margem para implementar decisões políticas e avançar com sua agenda econômica, já que garante ao governo o controle total da pauta legislativa, permitindo aprovação de reformas sem concessões à oposição.

O economista-chefe do Banco de Singapura, Mansoor Mohi-uddin, por sua vez, afirmou que a escala da vitória assegura uma administração de longo prazo, removendo riscos políticos imediatos e fazendo com que o Japão se destaque positivamente frente a outras democracias globais.

"Os investidores podem ver que o Japão agora tem uma administração de longo prazo em vigor, e isso elimina o risco político de curto prazo. Isso significa que o Japão agora se destaca em relação a muitas outras democracias."Mansoor Mohi-uddin, economista-chefe do Banco de Singapura

Outras fontes ouvidas pelo Financial Times (FT) afirmam que o movimento reflete o otimismo dos investidores em relação à promessa de Takaichi de construir uma nação "forte e próspera."

A primeira-ministra deve, assim, avançar em planos de corte de impostos e estímulos estatais, inspirada pela escola econômica do ex-premier Shinzo Abe, como a EXAME antecipou. Para especialistas, a estratégia de convocar eleições antecipadas foi um acerto político para Takaichi.

Estratégia de estímulos e foco em tecnologia e defesa

A nova administração sinalizou planos de gastos públicos estratégicos, incentivos fiscais e medidas para estimular investimentos corporativos e o aumento de salários. A prioridade recai sobre setores de alta tecnologia, como inteligência artificial (IA) e semicondutores, além da indústria de defesa.

O direcionamento já se refletiu nos mercados: as ações da Advantest, fornecedora global de equipamentos para testes de chips, saltaram 11,5%. No setor militar, a Mitsubishi Heavy Industries avançou mais de 3%.

Isso ocorreu diante da expectativa de ampliação dos gastos com defesa e da possível intenção de Takaichi de discutir a revisão da constituição pacifista de 1947.

A vitória eleitoral também repercutiu no exterior, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificando a decisão de convocar eleições antecipadas como "audaciosa e sábia", reforçando a parceria estratégica entre os países.

Por outro lado, a relação com a China segue incerta e pode ser um ponto de atrito. A primeira-ministra pode buscar um equilíbrio com Pequim, maior parceiro econômico do Japão, após falas de Takaichi envolvendo a autonomia de Taiwan.

Projeções para o câmbio e fluxo de capital estrangeiro

No câmbio, as projeções apontam para um enfraquecimento do iene frente ao dólar. A moeda japonesa pode se aproximar do patamar de ¥ 160, impulsionada pela valorização dos ativos locais e pelas incertezas sobre o financiamento dos novos programas governamentais, afirmam analistas do Citi.

Embora o cenário favoreça as ações, ele tende a pressionar o iene e os títulos públicos do país. Ainda assim, o mercado japonês tem superado o desempenho do mercado norte-americano em cerca de dez pontos percentuais neste ano.

Essa combinação de fatores deve atrair volumes relevantes de capital estrangeiro de volta à bolsa japonesa, avalia o estrategista de ações do Goldman Sachs, Bruce Kirk, ao FT. Para a Bloomberg, a alta dos juros locais eleva riscos para os mercados globais, estimados em até US$ 7 trilhões.

O contexto é desafiador: a inflação japonesa supera a meta de 2% do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) há quatro anos consecutivos, enquanto Takaichi promete estímulos fiscais agressivos e cortes de impostos sem detalhar claramente as fontes de financiamento.

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