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Eleições no Japão: com apoio de Trump, Takaichi obtém supermaioria histórica

Coalizão governista deve garantir 366 cadeiras e agora pode aprovar projetos sem negociar com a oposição; cenário não acontecia desde a Segunda Guerra Mundial

Eleições no Japão: supermaioria histórica em 2026 (Kazuhiro Nogi/AFP)

Eleições no Japão: supermaioria histórica em 2026 (Kazuhiro Nogi/AFP)

Publicado em 8 de fevereiro de 2026 às 17h18.

Última atualização em 8 de fevereiro de 2026 às 17h19.

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O Partido Liberal Democrata (PLD), liderado pela premier Sanae Takaichi, conquistou uma vitória sem precedentes nas eleições parlamentares do Japão deste domingo, 8.

Projeções da rede NHK indicam que a coalizão governista alcançou a chamada supermaioria, com potencial para ocupar 366 das 465 cadeiras da Câmara Baixa. O resultado garante ao governo o controle total sobre a pauta legislativa e permite a aprovação de reformas econômicas e fiscais profundas sem a necessidade de concessões à oposição.

A estratégia de convocar eleições antecipadas foi um acerto político para Takaichi, a primeira mulher a comandar o Japão na era moderna. A premier buscou capitalizar sua alta popularidade para unificar o partido após um período de crises internas e derrotas regionais.

Com o novo mandato, ela pretende avançar em planos de corte de impostos e estímulos estatais, inspirada pela escola econômica do ex-premier Shinzo Abe, visando combater a inflação que atingiu itens básicos como o arroz.

Desafios econômicos e fiscais

No campo internacional, a vitória de Takaichi reforça a parceria estratégica com os Estados Unidos. Aliada próxima de Donald Trump, a premier recebeu apoio público do republicano antes mesmo do fechamento das urnas.

Em suas redes sociais, ela classificou o potencial da aliança nipo-americana como "ilimitado", o que sinaliza o início de um endurecimento na política de segurança regional, especialmente em relação às ambições territoriais da China na região de Taiwan.

Apesar do triunfo eleitoral, o governo enfrenta o desafio de equilibrar o aumento dos gastos em defesa com a responsabilidade fiscal. Existe uma preocupação latente de que a pressão sobre o Banco do Japão aumente caso a inflação volte a acelerar, o que afetaria o custo de vida da população.

Eleitores de Tóquio demonstram receio com a perda do poder de compra histórico, e exigem que o governo apresente soluções estruturais para manter o crescimento do PIB e a estabilidade dos preços a longo prazo.

Relação com Pequim

A supermaioria dá fôlego para Takaichi governar sem sobressaltos até 2028, mas a diplomacia com a China segue como um ponto de atrito.

A postura nacionalista e as sugestões de intervenção militar em defesa de Taiwan já provocaram boicotes a empresas japonesas e o cancelamento de eventos culturais.

Especialistas sugerem que, com o poder consolidado internamente, a premier terá a oportunidade de recalibrar a relação com o maior parceiro comercial do Japão, buscando um equilíbrio entre a soberania nacional e os interesses econômicos.

(Com Agência O Globo)

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