O desempenho das ações brasileiras em 2025 foi notável, com alta de 34% em reais e 51% em dólares, superando o índice S&P 500 (Nilton Fukuda / Agência Basil/Agência Brasil)
Repórter
Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 16h01.
O ano de 2026 promete ser promissor, mas volátil para a Bolsa brasileira, na avaliação do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME). Em relatório divulgado nesta sexta-feira, 2, o banco projeta um cenário otimista, em que o índice Ibovespa poderia chegar a 220 mil pontos.
Mas a instituição pondera que esse patamar só será atingido caso os prêmios de risco excessivos diminuam e a economia continue relativamente organizada, com crescimento consistente do Produto Interno Bruto (PIB), inflação controlada e mudanças na política fiscal.
Para o primeiro trimestre do ano, o BTG projeta que o principal motor de valorização das ações será a redução da taxa básica de juros, a Selic, prevista para ocorrer entre janeiro e março.
O banco relembra que o desempenho das ações brasileiras em 2025 foi notável, com alta de 34% em reais e 51% em dólares, superando o índice S&P 500 e alguns de seus pares na América Latina. Um resultado que refletiu, em grande parte, fatores externos que estimularam investidores a buscar oportunidades fora dos Estados Unidos, beneficiando mercados emergentes, especialmente o brasileiro.
Na região, a valorização foi generalizada, com exceção da Argentina. A bolsa da Colômbia saltou 75%, seguida pela chilena, com alta de 72%, e a do México, que anotou valorização de 51%.
"A flexibilização da política monetária [americana] e a queda das taxas de longo prazo (as taxas nominais e reais de 10 anos caíram 45 pontos-base e 36 pontos-base no acumulado do ano), o enfraquecimento do dólar americano e o desejo dos investidores de diversificar fora dos EUA", afirmam os analistas Carlos Sequeira, Leonardo Correa, Antonio Junqueira e Osni Carfi.
Para este ano, a política monetária deve continuar impulsionando o Ibovespa, mas por conta da flexibilização local. "É verdade que devemos ver menos impulso vindo dos EUA, já que as taxas devem permanecer estáveis no primeiro semestre de 2026, mas a queda das taxas no Brasil pode ser suficiente para continuar impulsionando os mercados locais", diz um trecho do relatório.
Por outro lado, a política doméstica deve adicionar volatilidade ao longo do ano, mas não não nos primeiros de 2026, e sim com a proximidade das eleições presidenciais, marcadas para outubro, segundo o BTG.
"O Congresso brasileiro está em recesso e só volta a funcionar em 2 de fevereiro, o que deve fazer com que o fluxo de notícias políticas diminua significativamente. Acreditamos que o fluxo moderado de notícias políticas pode deixar a queda das taxas de juros como o principal impulsionador do mercado", afirmam os analistas.
Desde que as eleições presidenciais de 2026 no Brasil começaram a fazer preço no mercado, com a confirmação da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no início de dezembro, o Ibovespa reduziu o rali, ainda que nas sessões finais tenha voltado a operar no azul.
No relatório, a insitutição financeira avalia que um possível recuo do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja candidatura é considerado um cenário eleitoral de risco no mercado, poderia ser bem recebido pelos investidores. Por outro lado, se o ex-presidente surgir com força nas pesquisas, a volatilidade deve aumentar, indica no documento.
A partir do final de março e início de abril, com maior clareza sobre quem será o adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o mercado poderá ajustar suas estratégias. A perspectiva de uma disputa acirrada, com diferença de apenas alguns pontos percentuais entre os candidatos, deve levar os investidores a adotarem carteiras mais defensivas na segunda metade do ano.
O BTG recomenda um portfólio equilibrado para o curto prazo, com exposição a setores beneficiados pela queda das taxas, como serviços públicos, varejo, infraestrutura e empresas de fluxo de caixa de longo prazo. "Os investidores devem estar preparados para aumentar a proteção e reduzir o risco", dizem os analistas.
Segundo o banco, além da Selic, outros fatores como a situação fiscal do país, classificada como desafiadora, e o crescimento econômico mais moderado também influenciarão o desempenho da Bolsa.
O BTG fez uma simulação para estimar até onde o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, poderia chegar em diferentes cenários econômicos e políticos. Se a economia se fortalecer, com crescimento do PIB mais rápido e juros reais mais baixos, o índice poderia voltar à sua média histórica e atingir cerca de 186 mil pontos, o que representaria uma alta de 17% em relação aos níveis atuais.
Se o cenário for ainda mais positivo, por exemplo com um resultado eleitoral considerado favorável pelos investidores, o Ibovespa poderia subir até 220 mil pontos, ou 38% de valorização.
Em um cenário mais desafiador, "se a economia desacelerar e as contas públicas continuarem desorganizadas", segundo o banco, o índice poderia cair para cerca de 120 mil pontos, uma queda de 23%.