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Banco da Inglaterra intervém novamente no mercado para garantir estabilidade financeira

O banco central do Reino Unido está tentando conter as vendas maciças de títulos da dívida pública por parte dos fundos de pensão

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Pedestres caminham em frente ao Banco da Inglaterra (Henry Nicholls/Reuters)

Pedestres caminham em frente ao Banco da Inglaterra (Henry Nicholls/Reuters)

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Carlo Cauti

Publicado em 11 de outubro de 2022, 08h46.

O Banco da Inglaterra decidiu novamente intervir no mercado nesta terça-feira, 11, através de uma operação emergencial de compra de títulos da dívida pública para evitar uma nova crise como ocorreu no começo da semana passada.

O Banco Central de Londres informou que ampliará a compras dos papéis da dívida pública britânica  – conhecidos como Gilts – para incluir os papéis indexados com a inflação. Segundo a instituição monetária central, o objetivo dessa operação é inibir “vendas incendiárias” por parte de fundos de pensão que criaram um “risco material para a estabilidade financeira do Reino Unido”.

Os fundos de pensão estão entre os protagonistas do mercado de títulos da dívida pública do Reino Unido, pois são grandes compradores desses papéis para a construção de seus portfólios. Em 2021, 72% dos ativos dos fundos de pensão estavam investidos em títulos da dívida pública britânica. Com a queda do preço desses papéis, os fundos começaram a vender intensamente os Gilts, provocando um efeito cascata nos mercados.

“O início desta semana viu uma nova reavaliação significativa da dívida do governo do Reino Unido, particularmente as Gilts indexados. A disfunção neste mercado e a perspectiva de uma dinâmica de ‘venda incendiária’ auto-reforçada representam um risco material para a estabilidade financeira do Reino Unido”, informou o Banco da Inglaterra em comunicado.

Segunda intervenção do Banco da Inglaterra em poucos dias

As compras serão de até 5 bilhões de libras de títulos por dia. Essa é a segunda vez que o Banco da Inglaterra amplia o pacote extraordinário de compras de Gilts em poucos dias e ocorre 24h após a divulgação de um novo programa de financiamento de curto prazo que o Banco da Inglaterra esperava poder utilizar válvula de escape para que os fundos de pensão pudessem evitar vendas maciças de títulos.

“Essas operações adicionais atuarão como uma barreira adicional para restaurar as condições de mercado ordenadas, absorvendo temporariamente a venda de Gilts indexados em excesso da capacidade de intermediação do mercado”, informou o Banco.

Os rendimentos dos Gilts com vencimento em 10 anos no Reino Unido subiram 64 pontos base na segunda-feira, representando uma queda maciça de 5,5% no preço. Enquanto isso, os preços do títulos com vencimento em 30 anos caíram 16% no dia, com os rendimentos agora em torno de 1,5%. Apenas seis meses atrás, esse rendimento era negativo, sendo -1,5%. Agora, com as tensões no mercado da dívida pública britânica, esse rendimento está subindo muito rapidamente, enquanto os preços dos títulos caem. Movimentos dessa magnitude são altamente incomuns nos mercados de títulos soberanos de países desenvolvido.

Após o anúncio do Banco da Inglaterra, o rendimento dos títulos da dívida pública no Reino Unido começou a cair, com os papéis com vencimento em 10 anos que chegaram a 4,426%, enquanto o rendimento dos títulos de 30 anos ficou praticamente estável em 4,713%.

Perspectivas econômicas do Reino Unido estariam por trás dessa situação

Os movimentos bruscos nos mercados de títulos no Reino Unido foram desencadeados pelo anúncio do novo pacote fiscal por parte  do ministro das Finanças Kwasi Kwarteng, no dia 23 de setembro, que previam grandes cortes de impostos financiados com um aumento da dívida pública como parte do objetivo do novo governo de impulsionar o crescimento econômico para 2,5%.

A relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido está em 80%, um nível menor do que outros países europeus ou do Japão, que, todavia, não estão enfrentando as mesmas turbulências financeiras. Segundo analistas, o problema não seria ligado ao estoque da dívida britânica, e sim as perspectivas econômicas futuras do Reino Unido e preocupações com a credibilidade fiscal.

Por isso, a Moody’s e outras agências de classificação de crédito chegaram a revisar suas perspectivas para a dívida soberana do Reino Unido.

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