Saiba como declarar o Imposto de Renda 2026 pelo aplicativo da Receita (Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
Repórter
Publicado em 26 de maio de 2026 às 16h09.
A poucos dias do encerramento do prazo para declaração do Imposto de Renda, em 29 de maio, a Receita Federal aponta que mais de 12 milhões de contribuintes ainda precisam acertar as contas com o Leão.
Das 44 milhões de declarações esperadas para o Imposto de Renda 2026, cerca de 31,3 milhões foram entregues até o momento. Na corrida contra o tempo, a pressa e a má interpretação das novas regras tributárias formam o cenário perfeito para a malha fina.
Para evitar problemas, a declaração pré-preenchida pode ajudar. Embora reduza drasticamente o risco de erros, ela não exime o contribuinte da responsabilidade. "Muitos confiam cegamente no sistema e esquecem que ele é apenas uma sugestão. É obrigatório conferir os informes de rendimentos, limitar a inclusão de dependentes legais e cruzar os dados de despesas médicas", diz Guilherme Pedrozo da Silva, advogado tributarista e sócio do escritório João Ernani Rodrigues da Silva & Advogados Associados.
Cair na malha fina por omissão de rendimentos ou erro de digitação traz consequências pesadas: o valor da restituição fica bloqueado, o CPF pode constar como irregular (impedindo financiamentos e emissão de passaportes) e a multa varia de 50% a 150% do imposto devido, além de juros Selic.
Um dos setores que podem ser prejudicados pelo preenchimento errado é o agro. "Quando os dados do imposto não batem com o fluxo de caixa ou com o Livro Caixa Digital do Produtor Rural, ele passa a ser visto como de alto risco pelos bancos. Perder acesso a financiamentos pode significar a redução da área plantada na próxima safra", alerta André Aidar, sócio e Head de Direito do Agronegócio no Lara Martins Advogados.
Uma das maiores dúvidas envolve as despesas com as chamadas "canetas emagrecedoras" (como Ozempic ou Mounjaro). A regra é clara: medicamentos comprados em farmácias para uso domiciliar não são dedutíveis, mesmo com prescrição médica. "A única exceção segura é se o medicamento tiver sido incluído na conta de uma internação hospitalar. Caso contrário, a Receita vai desconsiderar o valor e gerar cobrança", explica Marcelo Costa Censoni Filho, especialista em Direito Tributário sócio do Censoni Advogados Associados.
Além disso, o Fisco vai cruzar 100% das despesas de saúde por meio do novo sistema Receita Saúde, que exige recibos digitais. "Essa mudança criou um ambiente de rastreabilidade total, e o contribuinte deve guardar os comprovantes de pagamento, como Pix ou faturas, por no mínimo cinco anos", complementa Censoni Filho.
Outro ponto de confusão é a ampliação da faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil mensais. A medida não se aplica à declaração entregue agora. "A declaração de 2026 tem como base os rendimentos de 2025, período em que a regra antiga ainda vigorava. Quem ganhou cerca de R$ 5 mil por mês no ano passado ainda precisa seguir as normas anteriores", explica Pedrozo. Neste ano, o limite de obrigatoriedade subiu para R$ 35.584,00.
O Fisco trouxe também uma medida benéfica inédita: um mecanismo de devolução automática que injetará dinheiro na conta de cerca de 4 milhões de brasileiros a partir de julho. O sistema beneficia quem teve imposto retido na fonte em 2025, mas fechou o ano abaixo do limite de obrigatoriedade. "A Receita devolverá o valor via Pix automaticamente, sem que a pessoa precise preencher nada, desde que ela tenha conta Gov.br nível Prata ou Ouro", diz Censoni.