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Anthropic, criadora do Claude, entra com pedido de IPO nos EUA

Empresa pode estrear na bolsa ainda no outono americano, em uma das maiores ofertas públicas da história

Claude, da Anthropic: empresa avaliada em US$ 1 tri (Smith Collection/Gado/Getty Images)

Claude, da Anthropic: empresa avaliada em US$ 1 tri (Smith Collection/Gado/Getty Images)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 1 de junho de 2026 às 14h02.

A Anthropic, empresa de inteligência artificial criadora do assistente Claude, protocolou nesta segunda-feira, 1, um pedido confidencial de registro para uma oferta pública inicial de ações (IPO) junto à Securities and Exchange Commission (SEC), a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos. O movimento coloca a companhia na corrida por uma das maiores aberturas de capital do mercado financeiro global. Em nota oficial divulgada hoje, a empresa ressaltou que a decisão final "dependerá das condições de mercado e de outros fatores". Preço e quantidade de ações ainda não foram definidos. Segundo reportagem do New York Times, com o pedido depositado nesta segunda, uma oferta pública poderia ocorrer já no outono americano, ou seja, a partir de setembro.

Valuation de quase US$ 1 trilhão

Fundada em 2021 por Dario Amodei, ex-pesquisador da OpenAI, e outros cientistas dissidentes da mesma empresa, a Anthropic é hoje a startup de IA mais valiosa do mundo. Na semana passada, a companhia recebeu um novo aporte de US$ 65 bilhões que a avaliou em US$ 900 bilhões antes da incorporação do novo capital, superando a OpenAI, cuja última valuation foi de US$ 730 bilhões. O crescimento vertiginoso da empresa se deve, em grande parte, ao foco em ferramentas de geração automática de código para desenvolvedores e clientes corporativos. No mês passado, a Anthropic informou que sua receita anualizada ultrapassou US$ 47 bilhões, embora ainda não esteja claro se a companhia opera no lucro. A projeção da própria empresa é de lucratividade a partir de 2028.

Apostas no código e na infraestrutura

Enquanto concorrentes como OpenAI e o DeepMind, laboratório de IA do Google, diversificaram seus produtos para browsers, ferramentas de comércio e geração de imagens, a Anthropic manteve o foco estreito em IA para programação e aplicações empresariais. O lançamento do modelo Claude Opus 4.5, no ano passado impulsionou a adoção por clientes corporativos e levou as receitas a patamares recordes, segundo o NYT.

Segurança, governo e tensões institucionais

O discurso de responsabilidade e segurança sempre foi um diferencial da Anthropic no mercado. A empresa tem sido vocal sobre os riscos potenciais da inteligência artificial geral (AGI) — um sistema capaz de igualar as capacidades cognitivas humanas — e isso contribuiu para construir uma imagem pública positiva. Ainda neste ano, o governo Trump baniu a Anthropic dos sistemas federais e militares após a empresa se recusar a permitir o uso irrestrito de sua IA para fins militares — incluindo armas autônomas e vigilância em massa. O secretário de Defesa Pete Hegseth chegou a classificar a companhia como 'risco na cadeia de suprimentos', designação normalmente reservada a adversários estrangeiros. Mais recentemente, a relação com o governo americano entrou em nova fase de incerteza com o lançamento do modelo Mythos, capaz de identificar e corrigir vulnerabilidades de segurança em sistemas de software.
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