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Petróleo dispara mais de 6% após Irã suspender contatos com EUA

A agência de notícias iraniana Tasnim noticiou, na manhã desta segunda-feira, 1º, a suspensão das negociações entre os países devido a supostos crimes de Israel contra o Líbano

O foco dos mercados continua sendo o Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente. (Edson Grandisoli/Pulsar)

O foco dos mercados continua sendo o Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente. (Edson Grandisoli/Pulsar)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 1 de junho de 2026 às 11h19.

Última atualização em 1 de junho de 2026 às 14h44.

Os preços do petróleo voltaram a subir com força nesta segunda-feira, 1º, após o Irã suspender as trocas de mensagens com os Estados Unidos e uma nova escalada militar aumentar as incertezas sobre o futuro do conflito no Oriente Médio.

Pela manhã, o Brent, referência internacional para os preços do petróleo, chegou a avançar 6,23%, negociado a US$ 96,81 por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subia 7,41%, para US$ 93,83.

O principal gatilho foi a deterioração do ambiente diplomático. Segundo a agência iraniana Tasnim, a equipe de negociação de Teerã suspendeu todas as trocas de mensagens com Washington por meio de mediadores, citando os ataques israelenses no Líbano e a falta de avanços concretos nas conversas para encerrar a guerra.

A decisão reduz as expectativas de um acordo de curto prazo entre Estados Unidos e Irã. Na semana passada, o presidente americano Donald Trump havia indicado que uma proposta para ampliar o cessar-fogo poderia ser anunciada em breve. Desde então, porém, novos confrontos militares e divergências entre as partes voltaram a colocar em dúvida a viabilidade de um entendimento.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou nesta segunda-feira que a lentidão do processo diplomático reflete a falta de confiança entre os envolvidos, além do que classificou como posições contraditórias dos Estados Unidos.

O foco dos mercados continua sendo o Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente.

A preocupação é que uma escalada do conflito possa comprometer o tráfego marítimo na região e afetar o abastecimento internacional de energia. Na semana passada, relatos da imprensa americana indicaram que o Irã teria ampliado a presença de minas navais na região, alimentando receios sobre possíveis interrupções na navegação.

Oferta fala mais alto que a demanda

A alta do petróleo ocorre apesar de sinais de enfraquecimento da economia chinesa.

Dados divulgados no fim de semana mostraram estagnação da atividade industrial na segunda maior economia do mundo, o que normalmente seria um fator negativo para as commodities energéticas.

O mercado, no entanto, tem priorizado os riscos de oferta.

A Arábia Saudita, por exemplo, deve reduzir pelo segundo mês consecutivo seus preços oficiais de venda para clientes asiáticos, segundo pesquisa da Reuters. A medida reflete um cenário de demanda mais fraca na região.

Segundo a agência, o Goldman Sachs também alertou que a desaceleração do consumo na China e na Europa representa um risco relevante para os preços do petróleo nos próximos meses. O banco mantém projeção de Brent a US$ 90 por barril no quarto trimestre e WTI a US$ 83, mas ressalta que interrupções no fornecimento ligadas ao conflito no Oriente Médio podem sustentar cotações mais elevadas.

Após acumularem quedas de cerca de 19% no Brent e 17% no WTI em maio — o pior desempenho mensal desde o início da pandemia, em 2020 —, os contratos voltam a reagir ao aumento das tensões geopolíticas, reforçando a sensibilidade do mercado de energia aos desdobramentos da guerra.

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