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Microsoft e OpenAI: empresas têm parceria (Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 16h01.
Sete das maiores empresas de tecnologia do mundo — entre elas Google, Microsoft e Nvidia — já comprometeram cerca de US$ 3 trilhões em compromissos fora do balanço para financiar infraestrutura de inteligência artificial (IA), segundo nova análise do Morgan Stanley. O valor se soma a outros US$ 770 bilhões em dívidas e obrigações de aluguel que já constam oficialmente nos balanços dessas empresas.
Compromissos fora do balanço são obrigações financeiras que não aparecem na contabilidade oficial de dívidas e ativos de uma empresa — tecnicamente, não são uma dívida formal, mas sim um compromisso de pagar algo a alguém no futuro.
O Morgan Stanley analisou documentos das hyperscalers Google, Meta, Microsoft, Oracle e Amazon, além das fabricantes de chips Nvidia e Broadcom, e detalhou esses compromissos por categoria.
As cinco hyperscalers já se comprometeram com US$ 1,1 trilhão em pagamentos futuros de contratos de aluguel de data centers ainda não iniciados. As sete empresas juntas também assumiram compromissos de compra de US$ 1,7 trilhão em outros itens — chips, memória e equipamentos de rede.
Esses acordos de compra aceleraram fortemente neste ano. Segundo o levantamento, os compromissos do Google somaram US$ 707 bilhões apenas no trimestre mais recente — ante US$ 72,5 bilhões em todo o ano de 2025.
Esse volume de compromissos representa receita futura garantida para fabricantes de memória, como a Micron Technology, e ajuda a explicar o crescimento expressivo desse setor nos últimos meses.
Segundo os pesquisadores do Morgan Stanley, esses compromissos servem como ponto de partida para fornecedores e desenvolvedores de data centers tomarem ainda mais crédito.
Na prática, isso significa que big techs com boas notas de crédito estão usando essa reputação para viabilizar um volume gigantesco de empréstimos que se torna difícil de rastrear — mesmo sem que essas próprias empresas tenham, formalmente, assumido dívida nova.
Cada uma dessas empresas realiza tipos ligeiramente diferentes de gastos, com níveis distintos de risco, e não está totalmente claro em quanto tempo esses US$ 3 trilhões serão de fato desembolsados — ou se serão integralmente. São compromissos, muitas vezes contratuais, mas que teoricamente poderiam ser renegociados.
Em algum momento, essas obrigações vão começar a aparecer nos balanços oficiais dessas empresas. A pergunta que fica é sobre o momento certo.
"É como se estivéssemos desenvolvendo um mercado de carros sem nunca termos visto as capacidades de um carro antes, e todo mundo vai querer um carro — e como financiamos isso, e como sabemos quanto esse carro vai valer daqui a cinco anos?", disse Todd Castagno, chefe de avaliação global, contabilidade e impostos do Morgan Stanley e coautor da análise, em entrevista ao Axios.