Petróleo: escalada entre EUA e Irã elevaram preços (makhnach/Freepik)
Repórter
Publicado em 9 de março de 2026 às 05h32.
O petróleo voltou a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril no domingo, 9, pela primeira vez desde 2022. A disparada ocorre após o Irã fechar o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte de energia no mundo.
Na manhã desta segunda-feira, 9, o barril do West Texas Intermediate (WTI) era negociado próximo de US$ 102, alta de cerca de 12%. O Brent, referência internacional, avançava aproximadamente 15%, cotado perto de US$ 106.
A alta do petróleo desencadeou uma reação imediata nos mercados financeiros e reacendeu temores de uma nova crise energética global.
A disparada do preço da energia pressionou as bolsas ao redor do mundo.
Nos Estados Unidos, os futuros do Dow Jones chegaram a cair cerca de 900 pontos antes da abertura do pregão. Os contratos futuros do S&P 500 e do Nasdaq 100 recuavam aproximadamente 1,7%.
Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 caía cerca de 2,3% nas primeiras horas de negociação.
Entre as principais bolsas do continente, o DAX, da Alemanha, registrava queda de 2,5%. O CAC 40, da França, recuava 2,4%, enquanto o FTSE, do Reino Unido, caía 1,6%.
Na Ásia, os mercados também fecharam em queda, refletindo preocupações com o impacto do aumento do custo da energia sobre a economia global.
O foco da tensão está no Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico para o transporte global de petróleo.
A interrupção do tráfego ocorreu em meio à escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e aliados no Oriente Médio.
Ao mesmo tempo, produtores da região — incluindo Kuwait, Irã e Emirados Árabes Unidos — reduziram a produção de petróleo, pressionando ainda mais a oferta global.
A combinação de interrupção logística e redução na produção ampliou o risco de escassez no mercado internacional de energia.
A instabilidade política no Irã também se aprofundou. Agências internacionais informaram que Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, foi nomeado novo líder supremo do país.
A decisão ocorre após ataques contra infraestruturas iranianas e reforça a expectativa de continuidade do conflito.
Segundo relatos divulgados pela imprensa internacional, Mojtaba Khamenei é associado a setores mais rígidos do regime.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou a alta do petróleo nas redes sociais.
Segundo ele, o aumento de curto prazo nos preços da energia seria um “preço muito pequeno a pagar” diante da destruição da ameaça nuclear iraniana.
Apesar da tensão, autoridades americanas indicam que a interrupção no tráfego marítimo pode ser temporária.
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que o pior cenário seria a paralisação da navegação por “algumas semanas”, e não meses.
O conflito também impulsionou o dólar, que costuma se valorizar em momentos de instabilidade global.
O índice DXY, que mede a moeda americana frente a uma cesta de divisas internacionais, subiu cerca de 0,4% e atingiu o maior nível em três meses.
A valorização reflete tanto o papel do dólar como ativo de segurança quanto o fato de os Estados Unidos serem exportadores líquidos de petróleo.
Ao mesmo tempo, investidores reduziram apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve, diante do risco de inflação provocado pelo aumento do preço da energia.
A crise no Oriente Médio mobilizou governos e instituições internacionais.
Os países do G7 devem realizar uma reunião emergencial para discutir o impacto do conflito no mercado de energia. Entre as medidas avaliadas está a liberação conjunta de reservas estratégicas de petróleo.
Ao mesmo tempo, está prevista uma reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping.
O encontro deve ocorrer entre 31 de março e 2 de abril e incluir discussões sobre o conflito no Irã e as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo.