Dólar: moeda fecha na casa dos R$ 5,10 ( user3222645/Freepik)
Repórter de finanças
Publicado em 8 de abril de 2026 às 17h34.
O dólar encerrou a sessão desta quarta-feira, 8, em queda de 1,10%, cotado a R$ 5,102, o menor valor de fechamento em quase dois anos, desde 17 de maio de 2024, quando fechou cotado a R$ 5,1019. O movimento foi puxado pelo alívio no cenário internacional e maior apetite por risco por parte dos investidores. Ao longo do dia, a cotação intraday chegou a R$ 5,065.
A redução das tensões geopolíticas, após o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e a expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz, foi o principal gatilho para o movimento. Com isso, o preço do petróleo recuou cerca de 16%, afastando, ao menos no curto prazo, o risco de um novo choque inflacionário global.
O que acontece foi a diminuição do chamado "prêmio de risco". Apesar de, ao longo do dia, o Irã ter voltado a fechar o Estreito de Ormuz em resposta aos ataques de Israel ao Líbano, esse prêmio de risco exigido pelos investidores seguiu em queda.
Segundo análise de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, esse cenário pressionou diretamente o índice do dólar no exterior (DXY), levando a um enfraquecimento generalizado da moeda americana. O movimento favoreceu moedas emergentes de forma ampla, com destaque para o real.
No caso brasileiro, além do ambiente externo mais benigno, o câmbio foi beneficiado por fatores domésticos. O fluxo para a Bolsa e o diferencial de juros ainda elevado em relação a outros países sustentaram a valorização da moeda brasileira. Durante toda a sessão, o dólar operou próximo das mínimas recentes, em um movimento contínuo de saída de posições defensivas e realocação para ativos de maior risco.