Petróleo: maiores cotações em quatro anos (Montagem com elementos Canva/Exame)
Redação Exame
Publicado em 8 de março de 2026 às 19h26.
O preço do petróleo disparou no mercado internacional neste domingo e voltou a superar a marca de US$ 100 por barril pela primeira vez em quatro anos. A cotação é impulsionado pela escalada da guerra envolvendo o Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte global de energia.
O barril do petróleo West Texas Intermediate (WTI) subia quase 19%, para US$ 108,15, enquanto o Brent, referência global, avançava mais de 16%, para cerca de US$ 107,70 nas negociações noturnas (overnight). Só na semana passada, o petróleo americano acumulou alta de cerca de 35%, o maior salto desde o início das negociações de contratos futuros, em 1983.
A disparada ocorre após grandes produtores do Oriente Médio reduzirem a produção. O Kuwait anunciou cortes preventivos na extração e no refino de petróleo diante de ameaças iranianas à navegação no Estreito de Ormuz. Já no Iraque, a produção nos três principais campos do sul do país caiu cerca de 70%, para 1,3 milhão de barris por dia, de acordo com fontes da indústria ouvidas pela Reuters.
Nos Emirados Árabes Unidos, a estatal ADNOC informou que está “gerenciando cuidadosamente” os níveis de produção offshore devido à limitação de espaço de armazenamento. Com o Estreito de Ormuz praticamente fechado — por onde passa cerca de 20% do consumo mundial de petróleo — navios petroleiros têm evitado a região por receio de ataques, o que faz os estoques se acumularem sem possibilidade de escoamento.
O conflito no Oriente Médio, intensificado após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, também elevou a tensão nos mercados globais de energia. Segundo análise da Bloomberg, a interrupção do transporte marítimo e os ataques a infraestruturas energéticas estão pressionando não apenas o petróleo, mas também o gás natural, aumentando o temor de uma nova onda inflacionária global.
Apesar das turbulências, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz pode ser retomado nas próximas semanas. “Não estamos muito longe de ver uma retomada mais regular do tráfego de navios no Estreito de Ormuz”, disse Wright em entrevista à CNN. “Ainda estamos longe da normalidade, mas isso deve levar algumas semanas, não meses.”