Ibovespa: novo recorde apesar de pressão negativa da Petrobras (Germano Lüders/Exame)
Editor de Invest
Publicado em 8 de abril de 2026 às 17h24.
Bastou uma trégua no conflito entre Estados Unidos e Irã para o Ibovespa retomar o rali do começo do ano. O índice de referência do mercado acionário brasileiro acompanhou o exterior e operou em forte alta ao longo do dia, chegando a superar os 193 mil pontos. Só não fechou nesse patamar por causa das ações da Petrobras, em forte em baixa por conta do tombo do petróleo no mercado internacional.
O Ibovespa fechou o dia com alta de 2,09%, aos 192.201 pontos, uma pontuação inédita de fechamento. Blue chips como Vale, Itaú e B3 tiveram forte valorização, garantindo o primeiro recorde do índice em quase dois meses. As ações da Petrobras, segundo maior peso do portfólio, terminaram o dia em queda de mais de 4%.
Reflexo da queda abrupta do petróleo no mercado internacional. O Brent, referência para o mercado internacional, chegou a cair 16% na mínima do dia. Reduziu as perdas, mas ainda tinha um recuo considerável, de mais de 12%, oscilando na casa dos US$ 95. O WTI recuava ainda mais, 15,2%.
O presidente americano Donald Trump aceitou o cessar-fogo proposto pelo Paquistão na noite de ontem. No começo da terça-feira, o republicano escreveu: "uma civilização morrerá hoje". A ameaça, postada na rede social Truth Social, era o ultimato para que o Irã reabrisse o estreito de Ormuz até as 21h de ontem (pelo horário de Brasília). A trégua foi estabelecida a menos de duas horas do final desse prazo.
Já o dólar, que chegou a ser negociado a R$ 5,06 na mínima do dia, se recuperou parcialmente das perdas, mas ainda assim fechou em baixa de 1%, a R$ 5,10.
As bolsas em Nova York também fecharam com fortes ganhos, em um dia de destaque para as ações de tecnologia. Por outro lados, os papéis de petrolíferas como Exxon Mobil e Chevron recuavam forte.
O Nasdaq Composite subiu 2,8%, enquanto Dow Jones e S&P 500 avançaram, respectivamente, 2,85% e 2,51%.
Na agenda do dia, o destaque foi a ata da ultima reunião do Comitê de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve. O Banco Central americano manteve as taxas de juros inalteradas no encontro do mês passado, mas chegou a discutir a possibilidade de elevação da taxa.
As bolsas europeias dispararam nesta quarta-feira com o alívio provocado pelo cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã. O Stoxx 600 subia fechou em alta de 3,68% com montadoras, mineradoras e ações de viagens liderando os ganhos.
A exceção ficou com o setor de energia. A Shell, primeira grande petrolífera a reportar resultados desde o início do conflito, apresentou um resultado misto: de um lado, lucrou mais com a compra e venda de petróleo no mercado — a chamada operação de trading, que se beneficia da alta dos preços causada pela guerra.
Porém, a companhia apresentou uma queda na produção de GNL, o gás natural liquefeito — versão resfriada do gás que permite seu transporte por navios entre continentes. Com operações no Oriente Médio diretamente afetadas pelos combates, a produção recuou de 948 mil para o intervalo entre 880 mil e 920 mil barris no primeiro trimestre de 2026. As ações caíam mais de 5%.
O alívio geopolítico também abriu espaço para um rali generalizado na Ásia. A Coreia do Sul liderou os ganhos: o Kospi, índice que teve negociações suspensas mais de uma vez em março, disparou quase 7%, fechando aos 5.872 pontos. O Kosdaq, índice coreano de empresas menores, avançou 5,12%. No Japão, o Nikkei 225 subiu 5,39%, encerrando o pregão aos 56.308 pontos — um dos maiores saltos do índice em meses recentes.
Na China, o CSI 300 fechou em alta de 3,49%, e a bolsa de Hong Kong, o Hang Seng, subia cerca de 2,95% após retomar os negócios na volta do feriado. A Índia também entrou no embalo: o Nifty 50 avançou 3,65%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 ganhou 2,55%.