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A BlackBerry ainda existe. E está indo muito bem na bolsa

Conhecida pelos smartphones nos anos 2010, empresa consolida transição para softwares industriais e comunicações seguras

Lembra dela: BlackBerry hoje tem um outro modelo de negócio

Lembra dela: BlackBerry hoje tem um outro modelo de negócio

Caroline Oliveira
Caroline Oliveira

Colaboradora na Exame

Publicado em 11 de abril de 2026 às 08h00.

As ações da BlackBerry avançaram nesta quinta-feira, 9, com força após a divulgação de resultados trimestrais acima das expectativas de Wall Street e de projeções positivas para os próximos anos. A reação do mercado reforça a leitura de que a antiga gigante dos smartphones consolida sua transição para uma empresa focada em software industrial e comunicações seguras.

No quarto trimestre fiscal, a companhia reportou lucro ajustado de US$ 0,06 por ação, acima dos US$ 0,03 registrados um ano antes e também superior à estimativa de US$ 0,05, de acordo com a FactSet. A receita somou US$ 156 milhões, alta anual de 10% e acima da projeção de US$ 142,6 milhões.

Após o balanço, os papéis saltaram 11%, para US$ 3,93. No mesmo dia, o Nasdaq Composite recuou 0,5%. Ainda assim, as ações da companhia seguem cerca de 97% abaixo da máxima histórica de US$ 147,55 registrada em junho de 2008, período em que seus celulares dominavam o mercado corporativo.

Estimativa reforça narrativa de crescimento

Para o ano fiscal de 2027, a empresa projeta lucro ajustado entre US$ 0,15 e US$ 0,19 por ação, com receita entre US$ 584 milhões e US$ 611 milhões. No exercício de 2026, a companhia havia entregue lucro ajustado de US$ 0,16 por ação sobre receita de US$ 549,1 milhões.

Segundo o CEO John J. Giamatteo, que assumiu o comando em 2023, a empresa já não pode mais ser classificada como um negócio em reestruturação. “Não somos mais uma companhia em transição. Somos uma empresa de crescimento, com histórico comprovado de execução, e bem posicionada para o caminho à frente”, afirmou à Barron's.

Nova BlackBerry se apoia em dois pilares

A virada estratégica ganhou tração após a reorganização das operações em dois segmentos principais. Depois de prejuízos em 2022 e 2023, a empresa acumula agora três anos consecutivos de lucro ajustado.

No braço de comunicações seguras — antiga divisão de cibersegurança — a companhia vendeu a solução de endpoint Cylance em 2024 e passou a concentrar esforços em sistemas de comunicação voltados a agências governamentais. A receita desse segmento caiu em 2026 frente a 2025, mas voltou a crescer na comparação anual no quarto trimestre.

Já o principal vetor de expansão hoje é o sistema operacional em tempo real QNX, utilizado em veículos, robôs e outras máquinas conectadas. A receita da plataforma avançou 20% na comparação anual no trimestre, para US$ 78,7 milhões.

A companhia informou ainda um backlog de royalties de US$ 950 milhões relacionado ao QNX. O software já está embarcado em mais de 275 milhões de veículos no mundo, consolidando-se como o principal ativo estratégico da nova fase da empresa.

Para investidores, o desempenho recente reforça a leitura de que a tese da BlackBerry passa menos pela nostalgia do mercado de smartphones e mais pela expansão no ecossistema de software embarcado e infraestrutura de segurança.

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