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Quanto eu teria hoje se tivesse investido R$ 10 mil em ações do Banco do Brasil há 5 anos?

Crescimento dos lucros, expansão do crédito, dividendos e maior eficiência explicam a valorização das ações do BB nas últimas duas décadas

Banco do Brasil: em 20 anos, R$ 10 mil investidos na companhia se transformariam em R$ 97.439 (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Banco do Brasil: em 20 anos, R$ 10 mil investidos na companhia se transformariam em R$ 97.439 (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 8 de agosto de 2026 às 08h00.

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Se um investidor tivesse aplicado R$ 10 mil em ações ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3) há cinco anos, o investimento teria se transformado em R$ 20.346 até julho de 2026, considerando a valorização dos papéis, os dividendos e demais proventos distribuídos pelo banco no período, mas sem o reinvestimento desses valores. Nesse caso, o retorno acumulado seria de 103%.

O cálculo, feito pela Economatica a pedido da EXAME, considera a valorização acumulada da ação ajustada por proventos no período entre 31 de julho de 2021 e 31 de julho de 2026. A conta incorpora os efeitos de dividendos, juros sobre capital próprio, desdobramentos e outros eventos corporativos que alteram a trajetória da ação.

Em prazos mais longos, o desempenho é ainda mais expressivo. Um investimento de R$ 10 mil há 15 anos, considerando o período de 31 de julho de 2011 a 31 de julho de 2026, teria se transformado em aproximadamente R$ 45.422, o que representa um retorno acumulado de 354%.

Já no período de 20 anos, entre 31 de julho de 2006 e 31 de julho de 2026, os mesmos R$ 10 mil teriam chegado a cerca de R$ 97.439, considerando a valorização ajustada por proventos. O retorno acumulado seria de 874%.

Por que as ações do Banco do Brasil valorizaram tanto?

A valorização das ações do Banco do Brasil (BBAS3) ao longo das últimas duas décadas está diretamente ligada ao crescimento estrutural do banco, à expansão do crédito no país, ao aumento consistente dos lucros e à distribuição recorrente de dividendos e juros sobre capital próprio.

Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, embora os retornos acumulados chamem atenção, eles refletem uma construção de longo prazo, impulsionada pelo crescimento dos negócios e pelo efeito da capitalização composta.

A principal transformação ocorreu justamente no horizonte de 20 anos. Em 2006, o Banco do Brasil possuía R$ 296 bilhões em ativos, R$ 113,9 bilhões em carteira de crédito, R$ 20,8 bilhões em patrimônio líquido e registrava lucro de cerca de R$ 6 bilhões. Em 2024, os ativos já haviam alcançado R$ 2,43 trilhões, enquanto a carteira de crédito superava R$ 1,3 trilhão, o patrimônio líquido chegava a R$ 190 bilhões e o lucro líquido ajustado atingia R$ 37,9 bilhões.

Segundo Lima, embora os critérios contábeis tenham mudado ao longo desse período, os números mostram que a valorização da ação foi sustentada por uma expansão efetiva do balanço e da capacidade de geração de resultados.

Essa expansão ocorreu em paralelo ao avanço do crédito no Brasil e à diversificação das fontes de receita do banco. Ao longo dos anos, o Banco do Brasil consolidou posições relevantes no agronegócio, crédito consignado, financiamento empresarial, cartões, administração de recursos, seguros, previdência e mercado de capitais.

O crescimento também foi impulsionado por uma série de aquisições estratégicas. A incorporação do Besc, a compra da Nossa Caixa, a participação no então Banco Votorantim — hoje Banco BV — e a expansão internacional por meio do Banco Patagonia ampliaram a presença da instituição em mercados considerados estratégicos.

"A aquisição da Nossa Caixa, por exemplo, ampliou significativamente a presença do BB em São Paulo e trouxe carteira de crédito, depósitos, clientes e potenciais sinergias operacionais. Histórico de aquisições do BB⁠", afirma o executivo.

Apesar do forte desempenho de longo prazo, a trajetória esteve longe de ser linear. Nos últimos 15 anos, o banco enfrentou períodos de maior turbulência, como a política de redução dos spreads bancários iniciada em 2012, a recessão entre 2015 e 2016, o aumento da inadimplência, a pandemia de covid-19 e sucessivos episódios de preocupação do mercado com possíveis interferências políticas na gestão da estatal.

A recuperação veio acompanhada de mudanças estruturais na operação. Segundo Lima, o banco reduziu custos, acelerou sua digitalização, reorganizou a rede de agências, implementou programas de desligamento voluntário e passou a adotar maior disciplina na concessão de crédito. Ao mesmo tempo, ampliou receitas menos dependentes da atividade bancária tradicional.

Outro marco importante foi a abertura de capital da BB Seguridade, em 2013, que evidenciou o valor dos negócios de seguros, previdência e capitalização, além de criar uma fonte relevante de resultados e dividendos para o Banco do Brasil.

Na frente de governança, o Banco do Brasil também passou por mudanças relevantes ao longo das últimas duas décadas. Desde 2006, a instituição integra o Novo Mercado da B3, segmento que exige padrões mais elevados de transparência, proteção aos acionistas minoritários e participação de conselheiros independentes. Posteriormente, a Lei das Estatais fortaleceu mecanismos de governança, como os comitês de auditoria, riscos e elegibilidade.

Segundo Lima, essas mudanças aumentaram a previsibilidade institucional da companhia, embora não tenham eliminado completamente o risco de interferência política.

"Na prática, isso não eliminou o risco de interferência do controlador, que ainda explica parte do desconto de BBAS3 em relação aos bancos privados, mas aumentou a previsibilidade institucional, algo valorizado pelo investidor institucional."

Nos últimos cinco anos, a valorização das ações foi impulsionada principalmente pela forte recuperação dos resultados financeiros. O lucro líquido ajustado passou de R$ 21 bilhões em 2021 para R$ 31,8 bilhões em 2022, R$ 35,6 bilhões em 2023 e R$ 37,9 bilhões em 2024, crescimento de aproximadamente 80% em apenas três anos.

Em 2024, o banco registrou retorno sobre patrimônio (ROE) de 21,4%, margem financeira bruta de R$ 103,9 bilhões, receitas de serviços de R$ 35,5 bilhões e manteve as despesas administrativas sob controle. A combinação entre rentabilidade elevada, crescimento da carteira de crédito e payout de cerca de 45% levou o mercado a reavaliar a ação, que durante anos negociou com desconto por causa do risco político.

Para Lima, no setor bancário, a criação de valor depende principalmente da evolução da margem financeira, das receitas de serviços, da qualidade da carteira de crédito, do controle da inadimplência, do retorno sobre patrimônio e da capacidade de distribuir dividendos.

"Sob essa ótica, o Banco do Brasil criou valor porque aumentou a carteira, ampliou as receitas recorrentes, acumulou patrimônio e distribuiu uma parcela relevante dos lucros aos acionistas."

O analista, porém, ressalta que o histórico recente mostra que o desempenho não ocorre em linha reta. Em 2025, o lucro líquido ajustado caiu para R$ 20,7 bilhões, pressionado pelo aumento da inadimplência no agronegócio, pela elevação do custo do crédito e pelo crescimento das provisões. No primeiro trimestre de 2026, o lucro ajustado recuou para R$ 3,4 bilhões, mostrando que parte da valorização acumulada já incorporava momentos de forte correção ao longo do caminho.

Segundo ele, o desempenho das ações do Banco do Brasil pode ser explicado por quatro fatores principais: crescimento nominal do balanço, expansão estrutural dos lucros, distribuição consistente de dividendos e reprecificação de uma ação que historicamente negociou com desconto em relação aos bancos privados.

Esse desconto, afirma, continua existindo justamente pelo fato de o banco ser uma estatal, sujeita a riscos políticos e à execução de políticas públicas que nem sempre têm como prioridade a maximização da rentabilidade.

"Sempre destaco que, quando o mercado percebe disciplina de crédito, eficiência e boa governança, esse desconto diminui e a ação sobe. Mas, quando cresce a percepção de interferência política ou deterioração da carteira, o desconto volta a aumentar. Essa alternância explica por que a valorização acumulada é elevada, mas a trajetória foi bastante volátil."

Petrobras, WEG, Ambev e Vale também tiveram saltos relevantes

Mas, antes de Vale, o melhor desempenho entre as empresas analisadas pela Economatica nos últimos cinco anos foi, em ordem, Petrobras (PETR4), +495%, Weg (WEGE3), +48%, Ambev (ABEV3), +27%, e Vale (VALE), +14%.

Em cinco anos, o patrimônio acumulado da Weg seria de R$ 14.832, Ambev o valor final seria de R$ 12.708, e Petrobras, o investimento teria chegado a R$ 59.487. Caso o investidor tivesse investido na Vale nesse período, os R$ 10 mil se transformariam em R$ 11.387.

Na outra ponta do ranking estão empresas do varejo. As ações da Lojas Renner (LREN3) acumularam queda de 51% no período, reduzindo um investimento de R$ 10 mil para R$ 4.919. O pior desempenho foi o do Magazine Luiza (MGLU3). Segundo a Economatica, um aporte de R$ 10 mil realizado há cinco anos teria encolhido para apenas R$ 268, o equivalente a uma perda de 97%.

Em horizontes mais longos, o levantamento mostra mudanças importantes no ranking. Em 20 anos, por exemplo, a Weg lidera com folga, acumulando valorização de 4.985%, suficiente para transformar R$ 10 mil em R$ 508.512. No mesmo período, Petrobras (1.005%), Ambev (1.028%), Banco do Brasil (874%) e Vale (802%) também multiplicaram diversas vezes o capital investido.

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