Taxa de juros: quais as principais, como funcionam e como impactam seus investimentos

Entender a taxa de juros é fundamental para as finanças e investimentos

 (Marcello Casal jr/Agência Brasil)

(Marcello Casal jr/Agência Brasil)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 3 de janeiro de 2024 às 11h45.

Última atualização em 4 de janeiro de 2024 às 14h33.

A taxa de juros é um dos principais indicadores da economia e possui um grande impacto sobre diversos aspectos financeiros, como investimentos, empréstimos e poupança.

Ao compreender as diferentes taxas existentes, é possível tomar decisões mais conscientes e assertivas sobre seus investimentos.

Neste texto, serão discutidas as principais taxas de juros e como elas afetam os investimentos que podem gerar renda passiva.

O que é taxa de juros?

A taxa de juros é um indicador amplamente utilizado no mercado financeiro, principalmente em produtos relacionados ao crédito e investimentos de renda fixa.

Além de remunerar empréstimos e investimentos, a taxa de juros é também um instrumento utilizado pelos governos para estimular ou conter a demanda da economia.

A variação da taxa de juros pode ser significativa entre países e regiões, com taxas mais baixas em países desenvolvidos devido a menores riscos de inadimplência e maior oferta de crédito.

Em países emergentes como o Brasil, as taxas de juros tendem a ser mais elevadas devido ao maior risco de crédito e menor oferta de crédito. Quem define a taxa de juros é o Banco Central do Brasil (Bacen).

O alto custo do crédito pode impactar tanto o consumo da população quanto os investimentos das empresas, podendo afetar o desenvolvimento da economia.

Como a taxa de juros funciona?

A taxa de juros é o custo do dinheiro, determinada pela oferta e demanda no mercado financeiro.

Quando o Banco Central aumenta a taxa, o custo do empréstimo sobe, desacelerando a economia, controlando a inflação. Por outro lado, uma redução estimula o consumo e investimento, impulsionando o crescimento econômico.

Os bancos utilizam essa taxa como referência para empréstimos, impactando os juros cobrados de consumidores e empresas. A taxa de juros também afeta investimentos, pois ativos financeiros competem com a taxa livre de risco.

Qual o cálculo da taxa de juros?

O cálculo da taxa de juros pode ser feito de diversas maneiras, dependendo do contexto e da natureza do empréstimo ou investimento. Em termos gerais, a fórmula básica é a seguinte:

Juros = Principal x Taxa de Juros x Tempo.

Nessa equação, o principal representa o valor inicial, a taxa de juros é a porcentagem do principal cobrada ou ganha ao longo do tempo e o tempo é o período durante o qual os juros são aplicados.

Além disso, existem variações, como juros simples e compostos, cada um com suas fórmulas específicas. 

Qual a relação entre taxa de juros e taxa Selic?

No Brasil, a Taxa Selic é a taxa básica de juros da economia mais conhecida e é responsável por influenciar as demais taxas de juros, tais como empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras.

Na realidade, a taxa Selic é o principal instrumento de política monetária empregado pelo Banco Central brasileiro para controlar a inflação do país.

Quando a inflação precisa ser reduzida, o Banco Central aumenta a Taxa Selic para aumentar o "custo" do dinheiro. Isso torna mais caro pegar empréstimos, fazer financiamentos e consumir, o que reduz o consumo e, consequentemente, a inflação.

Simplificadamente, a Selic indica o que o governo paga em juros para as instituições financeiras que adquirem títulos públicos do Tesouro Nacional.

Qual o impacto da taxa de juros nos investimentos?

As taxas de juros exercem uma influência significativa sobre diversas áreas da economia, afetando o cotidiano de todas as pessoas. Entre elas, destacam-se os investimentos.

Quando o investidor empresta dinheiro a um banco para financiar suas operações, ele o faz investindo em um Certificado de Depósito Bancário (CDB).

Quando opta por emprestar para que o banco, por sua vez, financie o agronegócio ou o setor imobiliário, ele investe LCAs e LCIs, respectivamente. Se o investidor preferir emprestar seu dinheiro para uma empresa, pode fazê-lo investindo em debêntures.

No final de cada operação, o investidor receberá o capital inicial investido acrescido dos juros previamente combinados, deduzido o Imposto de Renda, que incide apenas sobre os rendimentos e nunca sobre o valor total investido.

Durante essas operações, o investidor pode optar entre uma taxa fixa pré-determinada, também chamada de taxa prefixada, ou uma taxa pós-fixada, que estará vinculada a algum indicador econômico, como a Selic, o CDI ou o IPCA, o índice oficial da inflação no Brasil.

Também é possível investir em ativos com taxa híbrida, que combinam uma parte da rentabilidade prefixada com outra pós-fixada.

A taxa de juros prefixada permanece constante ao longo de todo o período de investimento, enquanto a taxa pós-fixada flutua conforme o indicador especificado.

Quais os tipos de taxa de juros nos investimentos?

Há alguns tipos de taxas de juros que os investidores usam nos investimentos. 

1. Juros prefixados

Nos juros prefixados, o investidor acorda uma taxa de rentabilidade por um período determinado, que permanece inalterada.

Assim, no momento em que realiza a aplicação, o investidor sabe exatamente o valor que receberá ao final do período.

Em caso de venda antecipada, o valor a ser recebido depende da oferta e demanda do mercado em relação ao título em questão.

As taxas de juros prefixadas são utilizadas em diversos investimentos de renda fixa, como títulos do tesouro prefixados, Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Certificados de Recebíveis Agrícolas (CRA), entre outros.

2. Juros pós-fixados

No caso dos juros pós-fixados, a remuneração do ativo investido depende das variações das taxas de juros ou da inflação.

Por exemplo, se um investidor investir em uma Letra de Crédito Imobiliária (LCI) a 100% do CDI, a remuneração desse ativo irá variar de acordo com as variações do CDI.

Esse tipo de rentabilidade é comumente utilizado em LCI e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), bem como em títulos do Tesouro Nacional, como o Tesouro Selic e o Tesouro IPCA, que dependem das variações dessas taxas.

Dessa forma, a rentabilidade do investimento pode ser negativa caso haja deflação, por exemplo, o Tesouro IPCA tende a ter uma perda nominal do seu valor.

3. Juros híbridos

A taxa de juros híbrida é uma combinação de juros prefixados e pós-fixados. Investimentos com remuneração desse tipo costumam ter um valor fixo acrescido de um valor variável, como 1% + CDI.

Títulos de renda fixa com remuneração híbrida são interessantes para investidores que desejam se proteger contra um índice, como a inflação, e ainda obter algum ganho.

Essa é uma modalidade comum no mercado, inclusive em títulos do Tesouro Direto que mesclam uma taxa fixa a uma taxa variável, como o CDI ou IPCA. Muitos COEs se especializam nesse tipo de juros.

Qual a diferença entre a taxa de juros real e a taxa de juros nominal?

Primeiramente, a taxa de juros nominal é aquela que é divulgada pelas instituições financeiras no momento em que se faz um investimento ou assume uma dívida.

Esta taxa não considera os efeitos da inflação sobre o valor do dinheiro no tempo, ou seja, é a taxa de juros bruta, sem nenhuma correção monetária.

Já a taxa de juros real, por sua vez, é obtida através do desconto da inflação dos juros nominais.

A taxa de juros real representa, portanto, a rentabilidade efetiva de um investimento ou o custo real de uma dívida, levando em conta a desvalorização do dinheiro ao longo do tempo devido à inflação.

Como a taxa de juros é definida no Brasil?

No Brasil, a taxa de juros é principalmente determinada pelo Comitê de Política Monetária (COPOM), vinculado ao Banco Central do Brasil. O COPOM realiza reuniões periódicas para avaliar a conjuntura econômica e decidir sobre a Taxa Selic, que é a taxa básica de juros no país.

Essa decisão por parte do COPOM visa atingir as metas de inflação estabelecidas pelo governo. Fatores como o comportamento da inflação, o desempenho econômico, o cenário internacional e as expectativas do mercado influenciam suas deliberações.

A Taxa Selic, por sua vez, orienta as demais taxas de juros praticadas no mercado, impactando o custo do crédito, investimentos e a atividade econômica.

Quais são as principais taxas de juros dos investimentos?

Entenda como as taxas de juros nos investimentos moldam o cenário econômico e influenciam suas escolhas financeiras.

Juros Prefixados

Os juros prefixados tratam-se de uma taxa de juros definida no momento da contratação, permanecendo constante ao longo do período do investimento ou empréstimo. Tanto o credor quanto o devedor conhecem antecipadamente a taxa, proporcionando previsibilidade financeira.

Juros Pós-fixados

Já os juros pós-fixados representam uma taxa de juros que é ajustada de acordo com um índice de referência após o período de aplicação. A taxa final é determinada no vencimento, tornando-se sensível às condições de mercado. Um exemplo é o Tesouro Selic, que tem como indexador a taxa Selic.

Juros Híbridos

Por fim, os juros híbridos combinam elementos de juros prefixados e pós-fixados. Parte da taxa é determinada antecipadamente, oferecendo estabilidade, enquanto outra parte é ajustada conforme um índice variável, proporcionando certa flexibilidade em relação às condições econômicas. Essa abordagem busca equilibrar a segurança e a adaptação às flutuações do mercado.

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