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Dots: agente pessoal da OpenAI foi lançado no fim de setembro
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 13 de outubro de 2026 às 07h01.
Última atualização em 13 de outubro de 2026 às 09h56.
A EXAME testou por uma semana o dot, agente pessoal da OpenAI, para limpar e-mails, criar um calendário econômico e organizar atividades pessoais e profissionais. O agente facilitou a limpeza da caixa de entrada e construiu o calendário a partir de instruções por mensagens, sem que a usuária precisasse programar. A velocidade poderia melhorar em algumas tarefas, mas o saldo foi positivo: vale experimentar se a assinatura couber no orçamento.
A primeira coisa que o dot te pede é um nome. Antes de qualquer tarefa, antes de qualquer promessa de produtividade, o agente pessoal da OpenAI, dona do ChatGPT, quer saber como você vai chamá-lo.
Depois disso, o bate-papo entre humano e agente parece uma conversa no WhatsApp. O usuário manda texto ou áudio, reage às respostas e, na parte mais estranha e divertida da experiência, assiste ao agente trabalhando em um computador — que não é o seu.
Isso porque, nos dots, cada agente tem um computador próprio na nuvem, que continua ligado mesmo com o aplicativo fechado. É ali que ele navega por sites, abre ferramentas e monta as entregas, enquanto o usuário acompanha pela tela.
Em um teste de uma semana, a EXAME o usou para realizar tarefas diárias, como limpar a caixa de e-mails, organizar demandas pessoais e profissionais e montar do zero um calendário de eventos econômicos. A pergunta era se ele realmente ajudaria na rotina ou se só seria uma ferramenta com design fofo.
Ele ajudou. Os e-mails ficaram muito mais fáceis de domar, e um calendário completo de balanços de empresas e grandes lançamentos de tecnologia saiu inteiro de mensagens — mas a reportagem descobriu rápido que pedir leva segundos e receber, às vezes, leva um pouco mais.
Os dots rodam o GPT-6 Astra, segundo a OpenAI, e podem se conectar a mais de 4 mil aplicativos por plugins. O computador pessoal do usuário só entra na história se ele autorizar.
Todo mundo tem uma tarefa que fica para amanhã há meses — e a caixa de entrada costuma ser uma delas.
Foi ali que o dot mais fez diferença. Em vez de devolver uma lista de sugestões para aplicar à mão, o agente assumiu a triagem e fez quase tudo. Para a reportagem, sobrou a parte mais satisfatória do processo: apertar o botão de apagar de vez.
O calendário foi o teste de verdade. A EXAME pediu uma ferramenta privada, separada por país, com filtros por data e tipo de evento, horários no formato usado nas reportagens, como "às 9h de Brasília", e dados vindos só de fontes confiáveis ou de informações fornecidas pela própria redação.
O dot entregou a primeira versão. E aí veio o que acontece com qualquer um que descobre alguém disposto a ajudar: os pedidos aumentaram. Balanços de empresas de tecnologia e inteligência artificial. Grandes lançamentos. Cobertura até o fim de novembro. Um visual diferente. Os eventos que estavam faltando.
Ninguém escreveu código. Para ter um filtro, bastava pedir o filtro. Para mudar a aparência, bastava descrever a mudança. O agente mandava uma versão nova, e a conversa seguia dali.
É nesse vaivém que o dot deixa de parecer o ChatGPT de sempre. O usuário descreve uma ferramenta que quer usar e a vê tomar forma, pedido a pedido, o tipo de uso que explica a corrida das big techs pelos agentes pessoais.
Em defesa do dot, boa parte das revisões não foi culpa dele, já que o pedido mudou no meio do caminho. Ainda assim, datas, horários e eventos precisaram ser conferidos antes de qualquer uso no trabalho.
Mandar uma mensagem leva segundos. Pesquisar, abrir ferramentas e montar uma entrega levam um pouco mais — e essa diferença é sentida no dia a dia.
Quando a tarefa pode correr em segundo plano, tudo bem, dá para pedir, fazer outra coisa e voltar depois. Mas, quando a resposta é necessária naquele minuto, sobra ficar olhando para a tela à espera do agente, e a promessa de delegar perde um pouco da graça.
Há ainda um modo em que o dot trabalha sem ser chamado, a pesquisa proativa, em que procura formas de ajudar a partir dos aplicativos conectados. Nesse modo, segundo a OpenAI, ele só lê os dados e não envia mensagens nem altera arquivos.
Se cabe no orçamento, sim. Em uma semana, o agente encontrou lugar em tarefas concretas da rotina, sem precisar resolver tudo sozinho para valer a pena.
Uma semana, porém, ainda foi pouco. A EXAME vai continuar testando o dot em outras tarefas para ver até onde ele vai.
O agente está incluído no plano Pro, de US$ 200 por mês, e no Business Premium, com liberação gradual. Quem paga o Plus, de US$ 20, ainda não tem um dot para chamar pelo nome.
É um agente pessoal do ChatGPT, com computador próprio na nuvem, que usa ferramentas e mantém tarefas em andamento entre conversas.
A limpeza da caixa de e-mails, a criação de um calendário de eventos econômicos e a organização de demandas pessoais e profissionais.
Não. No teste, o calendário foi construído e ajustado só com pedidos em texto, incluindo filtros e mudanças no visual.
O Pro, de US$ 200 por mês, e o Business Premium, com liberação gradual. Em contas Enterprise, o administrador precisa ativar a versão beta. O Plus não inclui o agente.
Não. A interface lembra a de um aplicativo de mensagens, mas o acesso é pelo ChatGPT e por canais como Slack e Teams.
Sim, com autorização. O acesso ao computador pessoal é separado do ambiente na nuvem e começa desativado.